Faltam delegados na Civil do Paraná

Faltam delegados na Civil do Paraná

Matheus de Lara

A carência de efetivo de delegados de polícia no Estado do Paraná foi relatada pelo presidente da Associação dos Delegados de Polícia do Estado do Paraná (ADEPOL), delegado Daniel Fagundes, em entrevista exclusiva para a reportagem do Página Um News. Em sua segunda gestão (2020-2022), Daniel comenta que “a situação está realmente crítica. Estamos sendo governados por uma pessoa que não tem experiência. O atual governador, como posso sentir e ver, em toda as evidências, não é uma pessoa que está preocupada com a população”.

Conforme Daniel, logo que Carlos Massa Ratinho Junior ganhou as eleições, nos primeiros meses de mandato, foi noticiado pela imprensa que ele estava preparando uma reforma administrativa para reduzir cargos. “Ele não poderia jamais deixar de considerar, que nós vivemos em um país pobre, o PIB do Brasil é seis vezes menor que o do Estados Unidos. Estamos falando que no Brasil tem pouco mais de 200 milhões de pessoas, que precisam dos serviços básicos, como a segurança pública, saúde e a educação. Boa parte são pessoas que são carentes e precisam desses serviços […]”.

Daniel denuncia também o plano de governo de Ratinho Junior. “Um plano de governo que na época chamaram de reforma administrativa, um plano de governo da Fundação Dom Cabral, de Minas Gerais, mas na verdade, a meta realmente é beneficiar os grandes empresários, transformar o Paraná em um canteiro de obras, através de parcerias públicos privados, para fortalecer essas parcerias do estado em inciativa privada. Outro ponto é fazer concessões de grandes obras, por exemplo, a ponte que vai ligar em Guaratuba, e lá é uma das grandes obras que ele tem em mente. Só não saiu do papel porque a pandemia interviu […]. A fundação mostrou para ele que as folhas de pagamento do Estado do Paraná eram altas e tinha que reduzir. Como ele não é um cidadão que reflete, e não pensa no pobre e no povo que presta serviço público, ele está sucateando o serviço público, de que forma? se omitindo em relação ao serviço público, ou então promovendo leis na Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP)”. Para o delegado, o governador colocou nos três primeiros planos os grandes empresários, e por último o servidor.

Em relação ao serviço público, explica que logo que o governador assumiu, em 2019, ele retirou a licença especial. “A licença era assim. Um policial que ficasse cinco anos trabalhando sem nenhuma falta, ele teria o direito de ficar três meses em casa para descansar. A cada cinco anos de trabalho duro, ele tinha a condição de ficar três meses em casa. Muitos policias aproveitavam para fazer curso de reciclagem que o estado não fornece. O governador vai e corta, dá um calote naqueles que tinham de receber a licença. Ele falou que estava cortando e substituindo com outro tipo de licença”, destaca o delegado.

Daniel explica que na pré-campanha, o governador esteve na ADEPOL, como outros candidatos também estiveram. “Fizemos cinco perguntas para ele, e assim teve uma hora para responder. Ele prometeu, que uma das pautas seria valorizar o serviço público, principalmente segurança pública […]. O servidor público já fez sua parte, pagou um preço pesado. Agora nós precisamos voltar e investir no serviço público, onde a população precisa. Os policiais já deram sua conta de sacrifícios”.

“Vamos restabelecer um diálogo, e vamos chegar em uma solução de como resolver a questão salarial. Vamos comprar equipamentos, viaturas novas, além de reformas de alguns presídios que estão caindo aos pedaços. Eu já mandei mais de 30 ofícios no período de quase três anos de governo. Primeiro, para conseguir nosso voto ele mentiu, um baita de estelionatário eleitoral, e segundo, ele já entrou de caso pensado e encomendou um plano de governo realizado pela Fundação Cabral, para atender ao empresariado e para isso escolheu sacrificar o servidor público”, explica Daniel.

O presidente da ADEPOL retratou que a média do salário do servidor público do poder executivo é de R$ 2.200 por mês. “Já um professor, uma enfermaria do SUS, um policial militar ou investigador de polícia ganha no Paraná, um salário bruto de 5 a 6 mil reais. Desse salário vinha descontado 27,5% de imposto de renda e mais 14% de previdência”.

Ele também disse que seu salário nominal é o mesmo de seis anos atrás. “Isso está trazendo consequências diretas na vida do pessoal. Por exemplo, tive que mudar de apartamento, retirar meus filhos da escola particular e colocar na pública, além de mudar meu plano de saúde para um mais barato”.

Delegados no Paraná

Atualmente, o Estado conta com 342 delegados para atender aos 399 municípios, mas 438 vagas estão abertas. Ao todo, entre investigadores e delegados somam 3.800. “Hoje a Polícia Civil tem um déficit de 56%. A gente trabalha com 44%. O concurso público não era realizado desde 2013, até o mais recente ser feito agora em outubro”, conta o delegado. Afirma também que eles estão cuidando de várias delegacias, tem delegado que comanda o dele e mais de cinco delegacias da sua região.

“Tem regime de plantão e o descanso que vem depois de 72 horas. Estamos com um índice de suicídio gigantesco na polícia, o maior dos últimos anos, índice de pessoas que ficam doentes. Todos os policiais e investigadores do Paraná estão endividados, são obrigados a fazer empréstimos consignados, e com isso estamos vivendo uma crise histórica na Polícia Civil, porque não tem diálogo. Uma falta de sensibilidade, porque o governador finge que não sabe que está acontecendo isso”, aponta Daniel.

Projeto de Lei

Outro ponto é um projeto de lei orçamentar que o governo mandou para a ALEP. “No primeiro semestre manda o Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e no 2° semestre manda o Projeto de Lei do Orçamento Anual. Até o final do ano a ALEP tem que aprovar dois projetos e transformar em lei (leis orçamentárias) que serão executadas em 2022. Esse projeto não prevê nenhuma verba para o reajuste do servidor público. Ou seja, vamos entrar no sexto ano de congelamento salarial”, enfatiza o delegado.

No mesmo projeto, Daniel explica que está concedendo a maior desoneração fiscal da história, na ordem de R$ 17 bilhões, para grandes CNPJs, com transparência zero. “Não fala quem serão as grandes empresas beneficiárias com esta desoneração fiscal. A ADEPOL está entrando com uma ação judicial, para saber quem são os beneficiários, para saber se são pequenos ou grandes empresários”.

Daniel finaliza explicando que a Polícia continua com as viaturas sucateadas, mas disse que o governo comprou algumas novas. “Retirou as mais velhas e não mandou arrumar. A cada 100 viaturas que retirou, mandou 40 ou 50 carros. São viaturas novas, mas não o suficiente”.

Foto: Divulgação / Polícia Civil

Redação Página 1

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

error: O conteúdo é de exclusividade do Página 1 News.