Moradores de Castro pagam do bolso para consertar trechos interditados em estradas rurais

Moradores de Castro pagam do bolso para consertar trechos interditados em estradas rurais

Luana Dias

Problemas nas estradas do interior de Castro já não são novidade, até mesmo porque trata-se do terceiro maior município em área do Paraná, com 2.531,503 quilômetros quadrados, e uma extensão rural significativamente grande. Mas, mesmo já acostumados com um cenário que dificulta o trabalho, escoamento da produção e qualquer rotina normal, os moradores de algumas localidades do interior estão bastante indignados, e, cansados de ficar isolados por tempo indeterminado em épocas de chuva, graças a falta de conservação de trechos importantes nas estradas rurais.

Entre o final do mês passado (quando caíram algumas chuvas na região) e esta semana, a reportagem ouviu moradores das localidades de São Luiz dos Machados e Herval dos Limas, onde há vários trechos de estrada que, costumeiramente, ficam interditados, mesmo quando o volume de chuvas não é tão grande. Na semana passada, uma moradora da região chegou a bater o carro, após ficar encalhada em um ponto da estrada, que passa ao lado da igreja de São Luiz dos Machados, e que sempre vira atoleiro em épocas úmidas do ano. O trecho é acesso de alguns moradores às suas residências e a chácaras, onde há plantação e é necessário acessibilidade para escoamento da safra. “Quando as máquinas da prefeitura passam por ali, não colocam cascalho, aliás, da últimas vez ainda tiraram um pouco de cascalho que havia sido colocado, e, em alguns lugares, cortaram o barranco e jogaram lama na estrada, que já é cheia de buracos e tem muita água parada. Além disso, o tráfego de caminhões pesados nessa região é muito grande, ou seja, aquela estrada está abandonada e não é de hoje, alguns lugares simplesmente nunca foram arrumados. Acho que esse problema só seria resolvido se a prefeitura mandasse a máquina e em seguida caminhões com pedras para cascalhar, caso contrário só deixa a estrada ainda mais lisa e mole”, explicou a mulher, que pediu para não ser identificada.

Outro morador da região contou à reportagem que não possui veículo, porque quando precisa usar carro não consegue sair de sua propriedade, ele e a família chegam a ficar isolados por semanas, porque a estrada que dá acesso à sua casa fica intransitável por vários dias depois que chove. Por exemplo, a última chuva registrada no local ocorreu na penúltima semana de junho, e, a estrada estava interditada até na terça-feira (6). “São pelo menos donos de cinco propriedades aqui, e mais de 30 hectares de lavouras que dependem dessa estrada para atravessar a produção, e a situação é muito complicada, até ontem (terça-feira) só passava trator por aqui, caminhão, por exemplo, sem chance. Nós moramos lá há vinte anos e já tentamos várias vezes com a prefeitura para arrumar, não dizem nem que sim e nem que não, mas até agora nada. Há uns dez dias a patrola esteve lá, começou a trabalhar, choveu, eles foram embora e ficou tudo abandonado de novo”, destacou.

Segundo o entrevistado, que também pediu para não ter o nome divulgado, para amenizar o problema e voltar a transitar pela estrada, os moradores tiveram que pagar para que os trechos mais inacessíveis fossem arrumados, porém, nem mesmo desembolsando o valor que custeou o material, não tiveram apoio da prefeitura para que o trabalho fosse feito. “Pedimos um caminhão para cascalhar, com material que nós compramos, disseram que não poderiam, daí na terça e na quarta nós cascalhamos por conta própria, para podermos fechar alguns buracos e voltarmos a passar por lá, só que o material é caro, não teríamos condições de arrumar toda a estrada”.

O rapaz também relatou que quando a prefeitura executa serviços nas estradas da região, não finaliza a preparação das vias e nem ameniza os problemas recorrentes. Um dos trechos descritos por ele também é formado por terra mole e recebe fluxo intenso de caminhões pesados. “Em dias de sol até é transitável, mas em dias de chuva passar até de trator fica perigoso. Eu nem lembro quando tinha sido a última vez que o pessoal da prefeitura passou por lá, agora que voltou, passou só com a máquina, e começou a chover eles foram embora. Ficamos isolados lá, se chover, não conseguimos sair”, finalizou.

Foto: Divulgação

Redação Página 1

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