“100% das obras concluídas”, diz Thais Borges, presidente da CCR Rodonorte

“100% das obras concluídas”, diz Thais Borges, presidente da CCR Rodonorte

Sandro Adriano Carrilho

Em uma entrevista franca e aberta, Thais Caroline Borges, presidente da CCR Rodonorte, afirma que 100% das obras previstas hoje em contrato serão entregues até o dia 27 de novembro, quando termina a concessão de 23 anos no Paraná. Thais fala da duplicação entre Piraí do Sul e Jaguariaíva que foi retirada do contrato, do ISS destinado aos municípios, dos programas sociais que foram além das rodovias, e do legado deixado.

Página Um News – Investimentos de obras foram perto de R$ 5 bilhões?
Thais Caroline Borges – 23 anos de história muita coisa aconteceu, a nossa vida foi muito intensa e com investimentos muito fortes. Quando a pessoa fala de obras a primeira coisa que vem mente são as de duplicação, as novas interseções, as terceiras faixas. Eu começo a te responder que não existe um centímetro da rodovia original lá de 97, fora o que a gente ter ampliado, a gente construiu, e não foi só de pista, como pontes foram construídas. Quando a gente assumiu esses corredores, de Curitiba a Apucarana e de Ponta Grossa a Jaguariaíva, as pontes não estavam ajustadas para o peso dos veículos que trafegam hoje, elas foram todas reconstruídas e reforçadas. Primeiro trabalho que a Rodonorte fez foi de reconstrução, fora isso, as obras de ampliação, mais de 200 quilômetros de rodovias duplicadas, centenas de quilômetros de terceiras faixas, aqui na Rodovia do Café, entre Ponta Grossa a Apucarana, não existia acostamento, a gente implantou mais de 230 quilômetros de acostamento. As primeiras obras de duplicação feitas foi do corredor de Castro a Piraí do Sul, era uma pista simples, eu era engenheira naquela época e existia algumas margens de terraplanagem porque o governo iniciou.

P1 News – O contrato está findando e existem obras que não serão entregues, a exemplo de Piraì do Sul a Jaguariaíva. O que aconteceu?
Thais – Eu assumi a Rodonorte em março do ano passado com a missão de cumprir o contrato da concessão, mas é preciso avaliar o contrato como ele está previsto hoje. Ele sofreu sim ajustes de 97 até agora para acomodar fatos extraordinários, que eu te trago. ISS, a grande contribuição aos municípios, quando assinamos em 97 essa obrigação não existia, esse imposto não era regulamentado naquela época, e foi regulamentado em 2000. Passou a ter uma obrigação tributária e para acomodar essa saída de caixa, alguns equilíbrios foram realizados no contrato. Não teria sido especificamente só o ISS, mas um conjunto deles teria feito com que a obra não saísse. Outra exemplo, na assinatura do contrato em 97 a tarifa do veículo de passeio era exatamente igual a do veículo comercial, dos caminhões, o governo em 2000 decide, logo após paralisação enorme de 1999 dos caminhoneiros, dar um desconto de 17% na tarifa dos caminhões, vale lembrar que 80% dos eixos que passam pela rodovia são de caminhões. A gente teve sim fatos, obras que foram retiradas do contrato para acomodar outros fatos que não estavam previstos.

P1 News – Então essa obra foi retirada?
Thais – Essa obra foi retirada, mas por outra questão. Nosso contrato é de 97, todas as obras constam no enunciado desse contrato, está escrito lá duplicação Piraí a Jaguariaíva, para cada uma dessas obras foram antevistos quantitativos (…) quando a gente começou a executar essas obras, os quantitativos se esgotaram, ou seja, eles estavam subdimenssionados no edital de concorrência pública. Eu gostaria de concluir essa obra, mas foi uma decisão do Departamento de Estradas e Rodagem (DER) o documento que a gente tem aqui, que eles dizem que não querem que a gente termine. Eles poderiam ter acomodado esse quantitativos, mas decide por não fazer tudo. Foi feita uma avaliação técnica de todo seguimento, e foi avaliado o nível de serviço. Foi feita uma avaliação técnica que se chama de nível de serviço. Quanto de veículos passam por essa rodovia e quanto precisam ser duplicado. Tem toda uma avaliação técnica, um consultor professor contratado da UFPR que esse seguimento aqui não carece de duplicação pelo nível de serviço que ele oferece hoje, foi uma decisão do governo, uma das polêmicas desse contrato, que está sendo discutida através de uma ação civil pública, movida pelo Ministério Público Federal, e a gente acredita muito na justiça. De esclarecer os fatos. Toda a duplicação foi executada e esgotou-se os quantitativos para ela. É o que está escrito no contrato de 97.

P1 News – Em que o contrato de leniência atrapalhou a conclusão das obras. Parece que deu mais atribuições à CCR Rodonorte?
Thais – O acordo de leniência, no ponto de vista de obrigações, ele apensou obrigações à nossa história. Ele não atrapalhou em nada. O contrato de concessão continuou sendo perfomado e a ele foi somado novas obrigações. A CCR Rodonorte assina esse acordo de leniência com o Ministério Público Federal no início de 2019, e ele imputa a nós R$ 750 milhões a mais em obrigações, divididas em três modalidades, uma multa que foi paga, desconto tarifário aplicado e R$ 350 milhões em obras. Trouxe treze novas obras as nossas atribuições.

P1 News – Acordo de leniência é uma triste página na história da CCR Rodonorte?
Thais – Falar que o acordo é algo agradável é logico que não, um ato que a gente cometeu que careceu de uma penalidade prevista em lei. Pra mim que sou técnica e não conheço os fatos que originaram esse acordo, um assunto que corre em segredo de leniência, eu sou engenheira civil, apaixonada por rodovia, uma oportunidade de realizar em meu estado treze novas obras. É um assunto complexo, mas uma oportunidade de eu fazer o que sei fazer.

P1 News – Em que qualidade vocês entregam a qualidade dessas obras?
Thais – Sou a responsável técnica dessas obras e como paranaense e ponta-grossense eu jamais assumiria na minha cidade e estado a fazer as coisas mais ou menos. Sem sombra de dúvidas, excelentes no ponto de vista de solução, no ponto de vista de qualidade, e o que mais me impressiona é no ponto de vista de prazo. Implantamos o viaduto de Brotas em dez meses, o do Jardim Sabará em onze meses, o acesso secundário da PR-151, no KM 316, região da DAF e a Frísia, em 14 meses. Em 25 anos de engenharia rodoviária eu nunca vi nada parecido, destacando que tudo foi realizado em pandemia, com cuidados redobrados com colaboradores, escassez de fornecimento de material, e não é Paraná, mas Brasil, isso foi sugênere.

P1 News – Vocês saindo de cena, como ficam as estradas. Esse pessoal que precisará de ambulância, você acredita que possamos enfrentar um caos nessa área?
Thais – A Rodonorte opera, hoje, os dois principais corredores do estado em volume de tráfego. A gente tem o trecho entre Campo Largo e Curitiba, com o maior volume, com 60 mil veículos dias. Somente nesses dois corredores a gente realiza atendimento a cada sete minutos, são mais ou menos 240 atendimentos por dia. São onze atendimentos por ambulância, são corredores muito intensos. A gente segue até as 23 horas e 59 minutos do dia 27, incansavelmente cuidando de todo mundo, de todos os motoristas, de todas as vidas que estão nas rodovias e eu torço muito para que, quem assuma consiga atender, seguir com esse legado (…). Alguém com experiência, com o número de pessoas e o propósito que a Rodonorte tem.

P1 News – A CCR Rodonorte pretende concorrer na nova licitação?
Thais – A Rodonorte não, é uma empresa com propósito específico, criada para atender esse contrato de concessão. Esse contrato encerrando, a Rodonorte encerra suas atividades operacionais e entra numa fase operacionalmente inativa. Já a CCR sem sobra de dúvida tem interesse no Paraná, ela está aguardando a publicação do edital oficial e segue e olhando com muita atenção ao novo modelo de concessão.

P1 News – Quantas pessoas estarão desempregadas a partir de 27 de novembro?
Thais – Hoje que dependem exclusivamente da operação dela são dois mil colaboradores, 700 colaboradores na folha de pagamento dela e o restante em empresas terceiras, dedicadas exclusivamente para a companhia nos contratos de conservação e manutenção.

P1 News – Qual a porcentagem de obras concluídas ao fim desse contrato?
Thais – Vamos concluir cem por cento das obras que estão previstas no contrato hoje. Tudo que está previsto nós estamos fazendo. Ele sofreu várias alterações, fatos, obrigações e deveres. São 23 anos, muita coisa aconteceu nesse período, mas objetivamente, cem por cento.

P1 News – Faltando poucos dias, qual o sentimento que fica?
Thais – De agradecimento. Não posso deixar de agradecer o carinho com que o Paraná, Ponta Grossa, Castro, a nossa vizinha cidade que a gente admira muito. Uma das primeiras obras que a gente realizou foi exatamente o corredor de Castro e Piraí do Sul, contribuímos muito com a arrecadação, com o ISS ao longo dessa história toda. A gente sabe que os programas sociais Circo Roda Brasil, Cine Tela Brasil, Parto Humanizado. O nosso trabalho suplantou a faixa de domínio das rodovias, e a gente tem que agradecer essa grande acolhida. Acabamos de entregar a grande interseção de acesso a Castro, obra realizada em um ano. A gente chega nessa fase saudosa, de despedida, mas com a sensação de missão cumprida e agradecendo absurdamente esse acolhida. A gente espera voltar não como Rodonorte, a CCR segue junto aos aeroportos, e a gente segue olhando para o futuro.

Foto: Divulgação / Israel Kaé

Redação Página 1

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