Empresário é indiciado por usar programa espião para tentar desviar clientes de concorrente em Ponta Grossa

Investigação aponta que suspeito tinha acesso a orçamentos feitos por clientes de uma loja de pneus e apresentava propostas mais baratas logo depois

Da Redação

Ponta Grossa – Clientes procuravam uma empresa de Ponta Grossa para fazer cotações de pneus e, poucos minutos depois, recebiam propostas não solicitadas de um estabelecimento concorrente, com preços menores para os mesmos produtos. A repetição dessa situação levantou suspeitas e acabou levando a Polícia Civil a descobrir um suposto esquema de espionagem comercial.

A investigação, conduzida pelo 2º Distrito Policial de Ponta Grossa, foi concluída com o indiciamento de um empresário de 37 anos. Ele é suspeito de utilizar um programa espião para acompanhar indevidamente as conversas e informações comerciais de uma concorrente, também de 37 anos.

O caso começou a ganhar contornos mais claros quando clientes habituais da empresa procuraram o estabelecimento para relatar uma situação incomum. Depois de solicitarem determinados orçamentos por aplicativo de mensagens, eles eram procurados pelo concorrente, que oferecia os mesmos produtos por valores inferiores.

A proximidade entre uma cotação e outra chamou a atenção. Para descobrir se havia vazamento das informações, funcionários da empresa fizeram um teste: utilizaram um número de telefone que não era conhecido para solicitar um orçamento.

A estratégia, segundo a apuração policial, confirmou a suspeita. As informações da negociação teriam chegado rapidamente ao concorrente.

Programa estava oculto em computadores

O passo seguinte foi buscar a origem do vazamento. Análises técnicas encontraram um programa espião instalado de maneira oculta nos computadores da empresa, permitindo acesso indevido às conversas e a dados comerciais considerados sigilosos.

A Polícia Civil sustenta que o mecanismo possibilitava acompanhar em tempo real os orçamentos solicitados pelos clientes. Com essas informações, o investigado poderia entrar nas negociações oferecendo preços menores na tentativa de conquistar a venda.

Ao longo do inquérito, envolvidos foram ouvidos e o empresário investigado também prestou depoimento.

Com a conclusão das diligências, a autoridade policial responsável decidiu pelo indiciamento do homem por invasão de dispositivo informático, crime previsto no artigo 154-A do Código Penal, e por concorrência desleal mediante emprego de meio fraudulento para desvio de clientela, prevista na Lei de Propriedade Industrial.

O indiciamento representa a conclusão da Polícia Civil a partir dos elementos reunidos durante a investigação e não equivale a uma condenação judicial.

Finalizado no 2º Distrito Policial de Ponta Grossa, o inquérito foi encaminhado ao Ministério Público do Paraná, que terá acesso ao material reunido e poderá adotar as providências que considerar cabíveis.

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