“Mais mulheres na política: a hora é agora”, diz deputada Aline Sleutjes

“Mais mulheres na política: a hora é agora”, diz deputada Aline Sleutjes

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Da Assessoria

A participação da mulher na política é um tema que ressurge com mais força a cada nova eleição. Este ano o debate ganha corpo em meio à definição das pré-candidaturas femininas que começam a se habilitar para a disputa dos governos estaduais, assembleias legislativas, Câmara Federal, Senado, governos estaduais e até para a presidência da República.
Mas a representatividade da mulher na política cresce lentamente, mesmo sendo a maioria entre os 150 milhões de eleitores brasileiros, quase 53%.

Essa falta de interesse coloca o país na 142ª posição entre 191 nações citadas no Mapa Global de Mulheres na Política da Organização das Nações Unidas (ONU) e no 9º lugar entre 11 países da América Latina em estudo da ONU Mulher. Nas últimas eleições, apenas quatro mulheres foram eleitas para representar o Paraná na Câmara dos Deputados. Lá, elas somam 78 cadeiras, ou 15% dos mandatos.

Entrevistada pela Eleitas, plataforma suprapartidária de candidaturas femininas, a deputada federal paranaense Aline Sleutjes (PROS) falou sobre a tímida presença feminina na política e os desafios para reverter esse quadro. Ela conversou sobre o tema com a advogada Doris Newmann que é candidata a deputada federal pelo Rio Grande do Sul.

“O que precisamos entender é que por mais que a bancada feminina lute por cotas para aumentar a representatividade da mulher, o espaço ocupado por nós, culturalmente, é muito pequeno. Precisamos, neste momento, conscientizar as mulheres a colocarem seus nomes à disposição da sociedade e aquelas que não querem, que apoiem, ajudem, fortaleçam e façam campanha às que tem coragem. Para Aline Sleutjes, definir cotas de 30% ou modificar a legislação para aumentar esse número para 40% ou 50% não vai resolver a baixa participação de mulheres na política e a carência de candidaturas femininas. “Não adianta aumentar a proporcionalidade de candidatas se as votantes não ajudam a eleger estas mulheres”, afirmou.

Para a deputada, a pergunta que devemos fazer é: se homem vota em mulher, por que mulher não vota em mulher? “Eu tenho um diagnóstico das eleições que participei, o apoio de eleitores masculinos é mais de 70%. Então, eu me pergunto: se os homens votam em candidaturas femininas e acreditam em nós, por que as mulheres não apoiam mulheres? É hora de amadurecermos este debate.”

Em seu primeiro mandato na Câmara dos Deputados, Aline Sleutjes conquistou espaços importantes no mundo quase que exclusivamente masculino da política. Ela presidiu a Comissão da Agricultura da Câmara dos Deputados, foi vice líder do governo na Câmara e é vice-líder do governo federal no Congresso. A trajetória foi difícil e por isso ela usou o próprio exemplo na vida pública em Brasília para analisar a participação da mulher na política. “É cultural? Talvez! Sou a primeira mulher na história do Brasil a presidir a Comissão da Agricultura na Câmara dos Deputados. Foi fácil chegar lá? Não foi! Foram 20 anos de muito trabalho para ser eleita deputada federal. Quando eu cheguei lá, nas primeiras reuniões que participei, eram mais de 90% de homens, porque o agro, que é a minha área mais forte de atuação, é formado por um volume muito maior de homens. Eu me sentia desconfortável as vezes, mas aos poucos, fui conquistando o meu espaço, mostrando para eles que eu não estava ali para ser um enfeite na reunião, eles não sabiam que eu entendo de agro e de aos poucos tive o reconhecimento pelo meu trabalho.”

Para alçar o topo com os próprios méritos, sem favores ou dependência de cotas, a deputada de primeiro mandato conta que trabalhou muito e incentiva outras mulheres a também buscarem novas oportunidades e ocuparem espaços onde elas quiserem. “Comecei a participar, falar mais, expor as minhas ideias, colaborar. Algum tempo depois eu já estava na diretoria da Frente Parlamentar da Agricultura, passou mais um tempinho e eu já estava dentro de todos os projetos e relatorias grandes. No ano seguinte fui eleita presidente da Comissão da Agricultura”. Segundo ela, a ascensão da mulher a cargos de chefia pode ocorrer com mais frequência na iniciativa privada, onde as mulheres provam que têm currículo e qualificação, experiência técnica, e vão assumindo cargos de responsabilidade, mas na política é mais difícil. “É por isso que eu luto. Para que nós, mulheres, tenhamos oportunidades, possamos assumir temáticas e iniciativas que façam a diferença na vida de todos os cidadãos. A política, quando feita com seriedade, é um instrumento de transformação da sociedade, direcionada para o bem de as pessoas”, afirmou.

A parlamentar discorda com a afirmação de que as mulheres se assustam com a política porque ela é predominantemente masculina e voraz. Para ela, o fato é que as mulheres ainda não se sentem autossuficientes a ponto de quererem se colocar à disposição. “A política não é um mundo fácil. Não tem segredo. Ela te consome, exige de você 24 horas de dedicação. Isso é muito difícil porque a gente não consegue deixar de ser a mãe, deixar de ser esposa, deixar de fazer as nossas atividades femininas, nossas outras funções domésticas. Como abandonar tudo isso para ser deputada, vereadora, prefeita, senadora, governadora?

Apesar disso, Aline diz que é possível conciliar todas as atividades e responsabilidades da vida pública e da privada. “Será que eu vou dar conta, será que vou conseguir fazer tudo isso ao mesmo tempo? Digo para vocês: nós damos conta sim! É certo que nem sempre podemos assumir compromissos pessoais, fazer coisas de que gostamos ou estar presente junto da família a todo momento. São grandes os sacrifícios. Eu, às vezes, fico até três semanas sem poder voltar para a minha casa, e tenho três filhos. Mas o que é maravilhoso em tudo isso, que te faz bem, é você ver a tua história acontecer. É você melhorar a vida das pessoas, ver os resultados positivos do teu esforço, do teu trabalho. Vale muito a pena”, afirmou.

Segundo ela, a divisão igualitária das responsabilidades familiares e a questão cultural afastam a mulher da política, barreiras que precisam ser derrubadas. Para Aline, o chamamento à participação da mulher na política passa por um trabalho de convencimento e por um estímulo que, afirma, deve começar ainda na infância, com ensinamentos sobre cidadania, responsabilidade social, patriotismo, atuação, dentro de casa e nas escolas.

“Na minha opinião isso é uma questão social. Começa pelo ensinamento das nossas filhas mais jovens, incentivando o envolvimento, a fazer a sua parte, mostrando que é importante desenvolver um trabalho em associações de moradores, em grêmios estudantis, igrejas. Vai pra luta minha filha e quem sabe, um dia, essa menina passe a ser uma mulher líder, combativa, que vai chegara onde ela quiser com autossuficiência e dinamismo”.

Na avaliação da deputada, que hoje é pré-candidata à senadora pelo Paraná, as mulheres estão atrasadas quando o assunto é política e, por este fato, o chamamento precisa ser feito já. “Temos que intensificar o trabalho de convencimento para que as mulheres ingressem na política e também para que apoiem e votem em outras mulheres. Não podemos mais ficar esperando, perdendo espaço. Estamos atrasadas. As oportunidades acontecem e se passarem não voltam. O que falta algumas vezes é a força de vontade, a determinação em dizer ‘eu vou’ e correr atrás para que aquilo dê certo. Temos que mostrar que somos capazes. E nesse processo, temos que convencer outras mulheres que estão aí lutando com coragem para ocupar espaços na política. Precisamos mostrar que somos qualificadas, que podemos mudar as coisas e fazer a diferença. Por isso, eu insisto: venha para a política, participe, você consegue!

Redação Página 1

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