Família perde casa e tudo o que tinha por crime de homofobia

Família perde casa e tudo o que tinha por crime de homofobia

Luana Dias

Uma família perdeu a casa e praticamente tudo o que tinha dentro, depois de um incêndio atingir a residência, há mais de uma semana, no Distrito do Socavão. A ação, motivada por crime de ódio, segundo suspeitas da família, destruiu todos os cômodos da casa e todos os pertences, incluindo parte dos documentos, alimentos, roupas e demais itens de necessidade básica. Bombeiros chegaram a ser acionados, mas quando chegaram no local o fogo já havia consumido a estrutura da casa.

Segundo contou à reportagem a dona da casa, Sebastiana Marcondes, seu filho (nome ocultado), tinha acabado de chegar em casa, quando percebeu uma fumaça preta e densa, em um dos cômodos. Rapidamente as chamas teriam se espalhado e tomado conta de todos os ambientes. Para não ser atingido pelo fogo, o rapaz acabou saindo de casa apenas com a roupa que vestia e com alguns documentos que estavam numa bolsa, perto da saída.

Sebastiana não ficava na casa a maior parte do tempo, porque além do filho maior de idade e que estava no local no momento do incêndio, também tem mais dois filhos, menores de idade e que estudam na cidade. Em função disso, ela e os filhos estudantes passam mais tempo fora do distrito. Porém, a casa destruída era o lar de seu filho mais velho, e era a única que a família possuía. “É muito triste quando tiram a única coisa que a você tem, a única casa que eu podia chamar de minha”, destacou ela.

A dona da casa e familiares acreditam se tratar de crime de homofobia, já que seu filho, que morava no Socavão, vinha sendo, há tempos, perseguido e ameaçado, segundo relata a família, por conta de sua orientação sexual. “Nós temos certeza, porque tem uma pessoa no Socavão que tem muita raiva do meu filho. Já tentou passar por cima dele com o carro, atirou pedra e manda mensagens ameaçando, dizendo que ele tem que morrer, e foram encontradas evidências de que o incêndio foi criminoso”, contou Sebastiana.

Agora, além de não ter mais a casa própria para morar, o filho de Sebastiana e os familiares também temem pela vida da avó da vítima, que está abrigando o neto. “Ela tem mais de 80 anos, e temos medo que tentem fazer alguma coisa lá, como queimar a casa dela também”, ressaltou.

Após o incêndio, a família fez Boletim de Ocorrência (B.O.). Até no fechamento da matéria, a reportagem não havia conseguido falar com a Polícia Civil de Castro, para saber sobre a investigação do caso.

Redação Página 1

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