Corrente de solidariedade ajuda Cruz Vermelha em Castro a enfrentar momento mais desafiador na área da saúde

Corrente de solidariedade ajuda Cruz Vermelha em Castro a enfrentar momento mais desafiador na área da saúde

Luana Dias

Diante de uma das mais árduas missões de sua trajetória, o Hospital Cruz Vermelha, de Castro, e os profissionais que trabalham na unidade se depararam com uma corrente de solidariedade, que segundo a diretoria administrativa, Eliana Reinaldo, vem fazendo toda a diferença. O Hospital, assim como muitos outros de todo Brasil, enfrenta dificuldades desde o início da pandemia, e, há pouco mais de dois meses passou a atender pacientes de Covid.

Ao incumbir-se também da demanda gerada pela pandemia, abrindo as portas para pacientes de diversas cidades onde faltam vagas, o Hospital se viu abraçado pela comunidade, conforme explicou a diretora. “Começamos a atender pacientes de Covid porque era algo extremamente necessário de ser feito, afinal, em um hospital enorme como este, havia espaço ocioso e o Paraná inteiro estava precisando de vaga. Só que esta época de pandemia tem judiado muito de todos os hospitais, e se o SUS já era deficitário, como já sabemos, agora vem sendo ainda mais penalizado, só que de repente nós começamos a ser procurados por igrejas da cidade e por muitas pessoas da comunidade, dispostas a ajudar. A ajuda tem vido inclusive de pacientes que passaram por aqui e de seus familiares, e tudo tem contribuído muito”, contou emocionada à reportagem.

Conforme destacou a diretora, com a ajuda voluntária o hospital passou a receber diversas formas de doação, como por exemplo, de respiradores, por parte de empresas, conserto de alguns equipamentos e até de água mineral, item que gera grande demanda na unidade. O consumo mensal de água do Hospital, devido a todos os serviços prestados, gera conta de 40 mil reais. Com apoio da comunidade, agora vem sendo feita uma força-tarefa para reativar um poço artesiano que existe no local, que irá reduzir esse gasto fixo. Além das doações e de ajuda em ações como a reativação do poço, funcionários do Hospital e pacientes também têm recebido muitas orações. Alguns grupos religiosos inclusive, vêm até a unidade para cantar e orar, do lado de fora de onde estão os pacientes internados com Covid. “Os religiosos mostraram preocupação e ofereceram ajuda espiritual aos colaboradores, porque eles estão enfrentando uma rotina muito desgastante. Entram as sete da manhã na ala Covid e saem às sete da noite, fazem inclusive as refeições lá dentro. E essas ações têm ajudado a levantar o ânimo até mesmo dos pacientes, na primeira semana, por exemplo, teve um pessoal que fez apresentação de canto do lado de fora, enviaram para nós desenhos feitos pelas crianças da igreja, vieram até aqui para fazer oração, isso tudo tem feito a diferença”, ressalta.

Eliana também falou sobre as dificuldades que se agravaram com a pandemia, e que inclusive fizeram o preço de equipamentos e de insumos básicos sofrerem altas muito significativas. “Tudo é muito caro, uma máscara cirúrgica, por exemplo, que custava oito centavos, passou a ser vendida por até cinco reais, equipamentos que custavam 12 reais, agora a gente encontra por mais ou menos 130, isso é uma coisa que não conseguimos compreender, e tudo acaba contribuindo para que este seja um dos momentos mais difíceis já vividos por todo sistema de saúde no País”, destacou.

Atualmente o Hospital da Cruz Vermelha no município faz 90% dos atendimentos clínicos e na maternidade via Sistema Único de Saúde (SUS), e o restante por meio de convênio. Já o atendimento nos leitos clínicos (30) e na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) (12) para os pacientes de Covid-19 são inteiramente através do SUS.

A diretora do Hospital terminou a entrevista afirmando que mesmo diante da fase desafiadora que estão enfrentando, enquanto profissionais de saúde, e mesmo com as dificuldades a equipe da unidade tenta dar o seu melhor a cada dia. “Estamos fazendo tudo o que podemos, todos os dias. Claro que não podemos fazer tudo o que é necessário, falta verba, faltam recursos, mas estamos fazendo tudo o que está ao nosso alcance, dentro de nossas possibilidades, estamos dando o nosso melhor”, finaliza.

Crédito foto: Sérgio Lucena

Redação Página 1

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