Na véspera de mais uma São Silvestre, castrense compartilha história de superação e desafios

Na véspera de mais uma São Silvestre, castrense compartilha história de superação e desafios

Luana Dias

Está chegando mais uma edição da tradicional Maratona de São Silvestre, e novamente a cidade de Castro será representada por atletas, que ao longo do ano se dedicam à preparação. Entre esses castrenses, que a cada ano deixam marca registrada na disputa de nível nacional, existem muitas histórias de superação, de pessoas que fizeram da corrida um estilo de vida, ou, que se transformaram através dela.

Hoje, o Página Um News irá contar sobre a trajetória do atleta Jefferson Roque Marcondes dos Santos, da Equipe Runners Castro. Ele começou a fazer caminhadas, há cerca de cinco anos, depois de ter sido desenganado pelos médicos e de acreditar que poderia não viver mais. Conforme ele mesmo narrou à reportagem, sua mudança foi drástica, não apenas porque deixou de ser uma pessoa sedentária e hoje é atleta, mas também porque transformou seu estilo de vida, e hoje, considerado um milagre pela Medicina, almeja conquistas cada vez maiores. Em 2021 ele se prepara para sua quarta participação na São Silvestre.

“A corrida de rua me levou a começar a praticar esse esporte magnífico. No ano de 2016 eu estava fazendo a triagem para cirurgia bariátrica. Era um corpo doente, nessa época eu pesava 179 quilos e estava com o quadro clínico muito ruim, não dava condições para os médicos trabalharem. Então, no dia marcado para decidir sobre minha situação, os médicos me abandonaram, praticamente para morrer. No momento fiquei frustrado por estar tão destruído, tinha diversas doenças crônicas e que estavam ficando fora do controle: diabetes, hipertensão arterial, glaucoma, trombose venosa, problemas renais, descolamento da retina, baixo estima, e depressão, devido a obesidade mórbida”, descreveu.

Ao detalhar as dificuldades pelas quais passou, Jeferson também falou sobre a superação, e sobre os incentivos e inspirações que recebeu. “Como nada nessa vida pode se dar por perdido, eu fiquei muito chateado de momento. A psicóloga ficou desolada com minha situação e fez uma ligação da minha história com um profissional da Medicina que estava trabalhando num projeto que tratava o cérebro inteligente como recepção de alimentos, e não o estômago. Ali começamos uma luta, com reeducação alimentar e atividades físicas. Em toda a minha vida as duas coisas não eram levadas muito a sério, mesmo eu sendo atleta militar. Então ao invés de fazer cirurgia no estômago, optamos por doutrinar a mente e ensinar o corpo a comer com qualidade de vida, e aceitar as mudanças. Foi difícil de administrar a vida nesse período por que nós sabíamos que o processo seria lento e que iria exigir muita paciência”.

Antes, porém, de poder se dedicar verdadeiramente as corridas, que mais tarde se tornariam uma paixão para Jeferson, ele teve mais um grande desafio para ser enfrentado. “No ano de 2017 eu fui fazer um exame, em um hospital da região, e um médico, ao fazer a curetagem do meu canal urinário, para retirar açúcar que calcificava devido a diabetes, me machucou e proliferou bactérias das piores possíveis, acabei tendo um tumor, mas isso foi a mola propulsora para que eu realmente desse valor a vida. Quando ouvi os médicos anunciarem que se a medicação não fizesse efeito, eu iria ser comido vivo e teria falência múltiplas de órgãos, eu briguei com Deus. E pedi que se não fosse chegada a minha hora, que Ele acrescentasse meus dias. Eu tive muita sorte, Deus me ouviu. Minha força veio junto com a agonia dos médicos, com a luta pela vida e com dias contados eu resolvi ali na mesa de cirurgia, que eu faria tudo diferente se conseguisse sobreviver. Se passaram 120 dias, eu me recuperei cem por cento, e lembrei do compromisso que tinha feito comigo no ato de desespero, logo comecei a caminhar no parque, de madrugada”, explicou o atleta, narrando o início do seu comprometimento com as atividades físicas.

Depois de ter passado pelo susto e pela fase mais difícil de tratamentos, o atleta retomou o projeto, e começou a perceber resultados. “Doutrinamos todo o sistema alimentar e voltamos as atividades físicas, eu não lembro quando tudo encaixou e começou a dar resultados, mas sei que tudo começou com a psiquiatria e com a psicologia. Com esses profissionais em ação, a equipe de nutrição conseguiu entrar e fazer um ótimo trabalho, hoje são 86 quilos eliminados e sem pele sobrando, acabei me tornando material de estudos devido aos resultados alcançados”, ressaltou.

As próximas etapas do processo de recuperação e da transformação de vida pela qual Jeferson passou o conduziram a trajetória de atleta, que hoje é a sua rotina, e inclui novos e diferentes desafios. Além de estar se preparando para mais uma edição da São Silvestre, ele também almeja título, na categoria dos 70 quilômetros, na Ultra Maratona da qual irá participar, em Urubici\Santa Catarina. “Comecei a aumentar ritmo entre a caminhada e a corrida, até que me vi correndo sem parar. Comecei correndo da morte e hoje eu vivo incentivando pessoas a iniciarem nesse esporte. Hoje correr cinco ou cinquenta quilômetros para mim é a mesma intensidade e a mesma coisa. Hoje eu sou cem por cento saudável, voltei a doar sangue e sou reconhecido pela medicina como como um milagre”, destacou.

Conquistas

Desde que começou a participar de provas, como corredor, o atleta Jeferson já conquistou diversos títulos, que ele chama de metas alcançadas. Entre as metas estão: 3km em 11.25min (Pace – 3.48min); 5Km em 20.12min (Pace – 4.02min); 10Km em 39.20min (Pace – 4.02min); 21Km em 2h13min (Pace – 4.10min); 42km em 3h30min (Pace – 5min); 50km, Ultra Maratona Stage; Desafio Fênix, 30km em 2h13min (Pace – 4.27min) e 20km na sequência, em 1h26min (Pace – 4.19min), além das quatro participações na São Silvestre.

Ao final da entrevista, o atleta castrense ressaltou a importância dos profissionais do município que o acompanham e que fazem parte da equipe médica que vem o ajudando a manter a saúde em dia, além dos colegas de corrida, que fazem a diferença em sua vida. Um dos principais incentivadores, conforme destacou ele, é o líder da equipe Runners, Mauricio Garcez, que também é atleta.

Redação Página 1

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