Município batendo recordes que ninguém gostaria de noticiar

Município batendo recordes que ninguém gostaria de noticiar

De repente virou rotina ler o informativo diário da Secretaria de Saúde do município e saber que mais algumas dezenas de pessoas de nossa cidade contraíram uma doença altamente letal. De repente virou rotina saber que mais dois ou três castrenses perderam a luta para a Covid-19, que mais algumas famílias passarão o final de semana, os próximos dias, a Páscoa – de luto, que alguns amigos não poderão se despedir de seus entes, e que terão que enterrá-los de caixão fechado. De repente ficou normal olhar para toda essa dor e tristeza. Porém, esse luto chega cada dia mais perto de nós, e é difícil encontrar na rua ou em nosso meio de convívio se quer uma pessoa que não tenha perdido alguém, ou que não conheça alguém que perdeu. Já faz algum tempo que não são mais só números, que não são mais só estatísticas. Também não são mais só covas extras sendo abertas por alguém insano que queria espalhar terror, e agora, um ano depois que esses números trágicos passaram a fazer parte da nossa rotina, não é mais terrorismo midiático, gripezinha, teoria partidária, agora parece já ter morrido gente o suficiente para provar que trata-se de uma tragédia nunca antes vivida por pessoas de qualquer idade ainda vivas. No entanto, ainda prevalece o egoísmo, a falta de empatia, a ganância, e se revela a cada mais a miséria humana. Se até aqui este luto universal não nos ensinou nada, é difícil acreditar que ainda restarão lições. Resta ter fé para que o luto não se torne ainda mais familiar nos próximos dias, afinal, o vírus já provou que não respeita nenhum tipo de fronteira.

Redação Página 1

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