Semana da mulher – Profissões, escolhas e consequências na vida de mulheres contemporâneas

Semana da mulher – Profissões, escolhas e consequências na vida de mulheres contemporâneas

Luana Dias

Segundo relatos históricos, o primeiro Dia Internacional da Mulher foi comemorado ainda na década de 90. De lá para cá muitos direitos foram conquistados, e a posição da mulher da sociedade mudou drasticamente, tanto no que diz respeito ao mercado de trabalho, como em esferas como as dos relacionamentos, no que diz respeito ao papel de mãe, quanto as práticas religiosas e nas mais diversas situações.

As mudanças, no entanto, e toda a luta feminina diária, ainda não foram suficientes para acabar com o preconceito e com a discriminação, amenizar os casos cotidianos de violência e de violações, assim como, não fizeram com que direitos básicos, como o da paridade de salários e de oportunidades no trabalho, fossem respeitados, até nos dias de hoje.

As mulheres, porém, não se intimidam e estão, desde os séculos passados rompendo barreiras. Elas hoje ocupam cargos, funções e postos de trabalho em qualquer área, inclusive naquelas que até certo tempo, ainda eram consideradas ‘trabalho para homem’.

Sempre existiram e sempre existirão desafios, mas isso não tem reprimido elas. A suinocultora Ana Carla de Oliveira Bueno, por exemplo, começa sua rotina diária as sete da manhã e nem sempre tem horário para descansar. Em alguns dias da semana o trabalho só encerra depois das 20. Ao longo do dia ela concilia as funções de mãe – de dois adolescentes – esposa, dona de casa e de responsável por sua granja de suínos (terminação). “Todas as tarefas que são impostas a nós realmente é o grande desafio. Para vencer é necessário levantar cedinho e correr”, ressalta ela.

Assim como Ana Carla, a grande maioria das mulheres também enfrenta jornada dupla, ou até tripla. Mesmo quando trabalha fora de casa, como colaboradora ou empreendedora, a mulher ainda assume a maior parte das responsabilidades domésticas, e no cuidado com os filhos.

Mesmo com a sobrecarga, na atividade que escolhem como profissão, elas vêm entregando resultados de qualidade, e provam frequentemente, que de fato podem ocupar a posição que quiserem, no mercado de trabalho, assim como em todas as outras demandas cotidianas.

No caso da Ana Carla, a decisão de assumir a administração da granja foi motivada justamente porque enquanto o empreendimento estava sob responsabilidade apenas de funcionários, os resultados, financeiros e no manejo, não eram satisfatórios. “Antes eu tinha mão de obra de funcionários que cuidavam para mim, porém, eles não estavam correspondendo ao potencial máximo que a granja poderia dar. Tanto no serviço como na questão de remuneração, não estava sendo prestado um bom serviço, e, não tinha ganhos como poderia. Foi então que eu percebi que precisava estar mais à frente da atividade, e saí de onde morava há 14 anos, para morar e trabalhar na granja. Já fazem dois anos que mudei e assumi totalmente o trabalho, e ao longo desse período pudemos acompanhar uma melhora significativa nos resultados”, explicou a suinocultora.

Ao desbravarem áreas antes ocupadas apenas por homens, as mulheres, em pleno século XXI, ainda precisam conquistar seus espaços, e em muitos ambientes, ainda enfrentam preconceito. Mas em muitas empresas, repartições e espaços coletivos, a consciência sobre o respeito e o estabelecimento da igualdade já é uma realidade.

Audrey Grubba, por exemplo, é delegada da Receita Estadual de Ponta Grossa. Segundo ela narrou à reportagem, em seu ambiente de trabalho e nas diferentes atividades inerentes à função, não enfrenta preconceito. “A Receita Estadual do Paraná é uma instituição que preza pelo respeito aos funcionários e pela valorização da capacidade de gestão, independente de gênero”, destacou a delegada, que está há três anos à frente da Receita, no município.

Numa profissão onde a maioria dos profissionais ainda é homem, a tatuadora Valéria Guerreiro também conta que nunca chegou a enfrentar preconceito em seu ambiente de trabalho. No entanto, ainda percebe situações onde há o que ela descreveu como “certa desconfiança”, vinda de homens, “ao realizar o trabalho com mulher”.

Mesmo assim, ela segue motivada, e vence essa desconfiança buscando melhorar sempre como profissional. “O que me motiva é o fato de eu mesma achar que não conseguiria chegar onde cheguei. Então, eu tento dar o meu máximo sempre, e vejo o quanto já evolui nesse processo”, finaliza a entrevistada.

Redação Página 1

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