Amigo secreto – origens e adaptações da brincadeira

Amigo secreto – origens e adaptações da brincadeira

Luana Dias

Tão tradicional quanto a ceia, a decoração e as receitas típicas, o amigo secreto também constitui as práticas que não pode faltar na temporada de Natal. Herança antiga e que faz parte da cultura de empresas de todos os tamanhos e segmentos, dos grupos religiosos, dos encontros de família, do ambiente escolar, entre amigos, colegas e vizinhos, o amigo secreto é uma das brincadeiras prediletas desta época do ano, e se faz presente em quase cem por cento dos festejos natalinos, inclusive, há quem deixe a ‘revelação’ para depois do Natal, fazendo com que a brincadeira movimente bastante a última semana do ano também.

De alguns anos para cá o amigo secreto ganhou novas versões, foi sendo adaptado e personalizado. Cada grupo, conforme critérios como afinidade, conjuntura econômica, faixa etária e gostos, vai adaptando a brincadeira. Atualmente, são comuns os amigos secretos para a troca de chocolates, de bebidas alcoólicas, artigos religiosos, e, os tradicionais, que incluem na lista de presente, literalmente uma infinidade de opções. Também se tornou comum que uma lista com as preferências de cada um dos participantes circule entre o grupo durante o período da compra de presentes, para que a escolha seja mais acertada.

Para deixar a brincadeira mais divertida, também não pode faltar o tradicional discurso na hora da revelação. Nessa hora vale falar das características do amigo secreto, elogiar, fazer confidências, e deixar aquele ar de mistério no ar, dando a oportunidade de os outros participantes ‘adivinharem’ de quem se trata. Quase sempre funciona.

Mas, não é só entre amigos, família e colegas que a prática é um fenômeno nos finais de ano. Para o comércio essa brincadeira costuma ser bastante lucrativa, e é portanto, muito esperada. A reportagem conversou com alguns lojistas castrenses, que revelaram o quanto a demanda gerada pelos amigos secretos faz a diferença nas vendas de Natal. É responsável, segundo os empresários, por até 30% das vendas do mês de dezembro, nos estabelecimentos comerciais dos segmentos que mais ofertam opções de presente para a brincadeira.

A loja de cosméticos onde Camila Bavoso é gerente é um dos exemplos. No estabelecimento a venda dos presentes para os amigos secretos representa de 20 até 30% do movimento de todo o mês de dezembro, e segundo o que ela explicou, esse movimento positivo é tradicional já fazem alguns anos. “Há dez anos que eu estou na loca, e sempre vende muito para amigo-secreto nessa época do ano”, destacou.

O preço do presente é bastante variável. Em alguns casos, os participantes determinam o quanto irão gastar quando fazem a distribuição/sorteio dos nomes, em outros, fica a critério dos amigos. Camila relatou que este ano, no ramo que a loja representa, a média de preço dos presentes está na casa dos 50 reais. “Esse ano a faixa de preço dos presentes é de 50 reais, são raros os que são de 20 reais ou menos”, descreveu ela.

Origens

Algumas histórias relatam sobre a origem da tradicional brincadeira, no entanto, não se sabe ao certo qual descreve de fato a maneira como esse passatempo que integra a tradição natalina começou. Um dos registros mais conhecidos relata que os amigos secretos começaram na Grécia Antiga.

Segundo a história, a brincadeira começou com o hábito de o gregos escolherem, por meio de sorteios, pessoas que ocupavam cargos e funções consideradas importantes, e/ou pessoas que exerciam algum tipo de influência sobre a população, para serem presenteados. A dinâmica era semelhante a que se conhece nos dias de hoje, no entanto, os presenteados eram apenas esses indivíduos e não havia troca entre amigos, colegas e familiares.

Também existe uma versão, segundo a qual, a tradição do amigo secreto surgiu entre os povos nórdicos, também chamados de wikings, no século VIII. Neste caso a história relata que a troca de presentes teria sido começada quando estes povos celebravam pactos feitos com seus deuses. O ritual ocorria ao amanhecer, e simbolizava o fim das cerimônias. Os nórdicos viveram no norte da Europa, entre os séculos VII e XI.

Há também a narrativa que defende como local de origem do amigo secreto, os Estados Unidos, onde, segundo os relatos, a brincadeira passou a fazer parte das festas realizadas no final do ano das empresas. Por lá, a troca começou mesmo como uma forma de os colegas de trabalho se presentarem entre si, tudo muito semelhante ao que se conhece nos dias de hoje, e, a prática teria sido iniciada no século XX. Como nem todos os colegas tinham afinidade, e a ideia era que se conhecessem melhor, os norte-americanos teriam iniciado essa forma de troca de lembranças, possibilitando a todos os funcionários darem e receberem presente, e tendo ainda a oportunidade de conversarem e interagirem com colegas que ainda não conheciam.

Redação Página 1

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