“Foi uma coisa horrível”: moradora de Piraí do Sul relata medo durante passagem de tornado
Maria Luiza estava dentro de casa quando percebeu a força do vento; marido ficou ferido após ser atingido por estrutura que desabou durante o fenômeno
Emerson Teixeira*
Piraí do Sul – O barulho do vento foi o primeiro sinal de que algo fora do comum estava acontecendo. Moradora da zona rural de Piraí do Sul, Maria Luiza de Matos estava dentro de casa quando percebeu a aproximação do tornado que atingiu o município na tarde de sábado (8). Em poucos instantes, segundo ela, a situação mudou completamente.
“Começou a roncar aquele… que o vento… começou a entrar, a rachar”, contou a moradora ao relembrar os momentos vividos durante a passagem do fenômeno.
Na sequência, Maria Luiza viu estruturas sendo arrancadas pela força dos ventos. O cenário, segundo seu relato, mudou rapidamente, com objetos e partes da propriedade sendo levados de um lado para outro.
“Foi para cá… e foi para lá… Foi uma coisa horrível”, descreveu.
O episódio também deixou feridos dentro da propriedade. O marido de Maria Luiza precisou ser levado ao hospital depois de ficar preso sob uma estrutura de madeira. Conforme o relato da moradora, ele sofreu ferimentos na cabeça e na coluna.
Ela explicou que o homem estava no paiol, trabalhando com milho, quando a estrutura acabou desabando sobre ele. O fato de haver milho no local, segundo Maria Luiza, ajudou a impedir que a madeira o atingisse de maneira ainda mais grave.
“Ele ficou apertado debaixo do pau. Por Deus que não achatou ele lá, porque tinha milho.”
O episódio foi a primeira experiência de Maria Luiza com um fenômeno dessa intensidade. O medo permanece associado às imagens dos poucos minutos em que o tornado passou pela propriedade.
Questionada se já havia presenciado algo semelhante, ela respondeu que nunca.
“Não, nunca. Que, se Deus quiser, nunca mais eu queira ver.”
Estragos atingiram área rural
O tornado que passou por Piraí do Sul no sábado provocou danos em diferentes propriedades, principalmente na zona rural. Casas, barracões e outras estruturas foram atingidos, enquanto equipes trabalham no levantamento dos prejuízos e no atendimento às famílias afetadas.
A ocorrência deixou um rastro de destruição em propriedades rurais, mas não houve registro de mortes. O trabalho das equipes municipais também envolve a liberação de acessos e a identificação das perdas provocadas pelo fenômeno.
Para moradores como Maria Luiza, porém, o levantamento dos danos vai além de números e estruturas destruídas. O episódio deixou a lembrança de uma situação que, até então, parecia distante da realidade da família.
Confira o relato
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