Estoques de sangue O- e O+ entram em alerta no Paraná; Hemepar reforça pedido por doações

Período de inverno e férias escolares reduz o número de doadores, enquanto a demanda por transfusões permanece elevada em hospitais de todo o Estado.

Da Redação

Curitiba – Com a queda no número de doações registrada durante o inverno, o Centro de Hematologia e Hemoterapia do Paraná (Hemepar) voltou a chamar a atenção para a necessidade de reforçar os estoques de sangue, principalmente dos tipos O negativo (O-) e O positivo (O+). A preocupação envolve toda a Hemorrede Paranaense, responsável pelo abastecimento de centenas de hospitais que atendem pacientes pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

O tipo O negativo exige atenção especial por ser considerado o doador universal. Em situações de emergência, quando não há tempo para identificar o grupo sanguíneo do paciente, ele pode ser utilizado com segurança, tornando-se indispensável em acidentes graves, cirurgias de urgência e outras ocorrências que exigem transfusão imediata.

Já o sangue O positivo, embora seja o mais frequente entre os brasileiros, também apresenta consumo constante devido à grande quantidade de pessoas compatíveis com esse grupo sanguíneo.

A redução nas doações costuma ocorrer nesta época do ano. As baixas temperaturas e o período de férias escolares influenciam diretamente na procura pelos hemocentros, enquanto a necessidade de sangue permanece praticamente inalterada. O material coletado é utilizado diariamente em procedimentos cirúrgicos, tratamentos oncológicos, atendimentos de urgência e diversas outras terapias que dependem de transfusões.

Cada doação representa um importante reforço para a rede pública de saúde. Em média, são coletados entre 450 e 470 mililitros de sangue por doador. Depois do processamento, esse volume pode ser dividido em até quatro hemocomponentes — hemácias, plaquetas, plasma e crioprecipitado — permitindo que uma única doação beneficie até quatro pacientes.

A Secretaria de Estado da Saúde destaca que a Hemorrede trabalha de forma integrada, redistribuindo bolsas de sangue entre as unidades sempre que há necessidade. Mesmo com esse sistema de apoio entre os hemocentros, manter os estoques em níveis adequados é considerado essencial para garantir atendimento rápido em situações de emergência e evitar desabastecimento em qualquer região do Paraná.

Os números mais recentes mostram que a mobilização da população continua sendo fundamental. Em 2025, a Hemorrede Paranaense contabilizou 214.377 doações, média superior a 17,8 mil por mês. Neste ano, entre janeiro e 21 de julho, foram registradas 121.235 doações, volume 1,7% maior do que no mesmo período do ano anterior. Apesar do crescimento, o Hemepar ressalta que o aumento da demanda exige reposição contínua dos estoques.

As doações podem ser realizadas em qualquer uma das 23 unidades da Hemorrede Paranaense, que abastecem mais de 380 hospitais em todas as regiões do Estado. O agendamento prévio é recomendado para reduzir o tempo de espera e organizar o atendimento aos doadores.

Podem doar pessoas entre 16 e 69 anos de idade. Menores precisam estar acompanhados e autorizados pelo responsável legal. Também é necessário pesar pelo menos 50 quilos, estar em boas condições de saúde, alimentado, hidratado e apresentar documento oficial com foto. Homens podem doar até quatro vezes por ano, respeitando intervalo mínimo de dois meses. Para mulheres, o limite é de três doações anuais, com intervalo de três meses entre cada uma.

Na região, a referência é o Hemonúcleo de Ponta Grossa, localizado na Rua General Osório (esquina com a Rua Coronel Dulcídio).

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