Escola de Juízes estreia no Agroleite e aproxima jovens da avaliação da raça Holandesa; Torneio Leiteiro inicia disputas
Nova atividade colocou participantes na posição de jurados durante julgamento de bezerras, enquanto competição leiteira começou com 12 animais em busca dos melhores índices de produção.
Da Redação*
Castro – A programação do primeiro dia do Agroleite 2026 trouxe novidades para quem acompanha a pecuária leiteira. Além do início do tradicional Torneio Leiteiro, a feira realizou pela primeira vez a Escola de Juízes Agroleite, iniciativa voltada à formação de jovens interessados na avaliação técnica de bovinos da raça Holandesa.
A atividade aconteceu na segunda-feira (3), no Parque Tecnológico Agroleite, em Castro, reunindo integrantes do Clube de Bezerras, filhos de produtores rurais e visitantes da feira. A proposta foi proporcionar uma experiência semelhante à vivenciada por jurados em competições oficiais, permitindo que os participantes conhecessem, na prática, os critérios utilizados na classificação dos animais.
Seis bezerras da categoria Mirim participaram da prova. Após observarem cada exemplar em pista, os participantes organizaram um ranking do primeiro ao sexto colocado e apresentaram a justificativa técnica para suas escolhas. Em seguida, as classificações foram comparadas ao resultado oficial definido pelos jurados do Agroleite. A pontuação levou em consideração a proximidade entre as avaliações.
A iniciativa foi desenvolvida pelo Conselho Técnico da Associação Paranaense de Criadores de Bovinos da Raça Holandesa (APCBRH) como forma de estimular o interesse de novas gerações pelo julgamento de animais.
Representante da entidade e juiz do Agroleite, Pedro Guimarães Ribas Neto explicou que a atividade vai além da simples observação dos animais.
“É uma oportunidade para que jovens ligados à raça tenham contato com os critérios utilizados em um julgamento oficial. Além de classificar os animais, eles precisam justificar tecnicamente suas escolhas, exatamente como acontece com um jurado em pista.”
Antes do início da avaliação prática, os participantes receberam orientações sobre aspectos considerados decisivos durante os julgamentos. Estrutura corporal, conformação da garupa, qualidade das pernas, locomoção, comprimento do corpo, abertura de costelas e características raciais estiveram entre os itens analisados.
Integrante do Colégio Brasileiro de Jurados de Pista da Raça Holandesa, Hilton Silveira Ribeiro destacou que a formação de novos avaliadores também contribui para fortalecer a sucessão no meio rural.
“O julgamento é uma ferramenta importante para o desenvolvimento da pecuária leiteira e precisamos formar novas gerações de jurados. Ao mesmo tempo, despertamos nos jovens o interesse pelos animais, pela propriedade e pelo trabalho desenvolvido pelas famílias produtoras, contribuindo também para a sucessão no campo.”
Entre os participantes, Gustavo Salomons, filho de cooperado da Castrolanda, afirmou que a experiência amplia o conhecimento adquirido na propriedade.
“Aprendemos critérios que ajudam não apenas nas exposições, mas também no dia a dia da propriedade. Meu pai me incentivou a participar e acredito que sempre vale a pena aprender mais.”
O vencedor da primeira edição da Escola de Juízes foi Henrique Rabbers, participante do Clube de Bezerras desde a infância. Para ele, a atividade representa um passo importante para quem pretende atuar futuramente como jurado.
“Participo do Agroleite há muitos anos e essa foi uma oportunidade muito importante para seguir aprendendo. É uma experiência que aproxima ainda mais os jovens da atividade e incentiva quem deseja atuar na área.”
Torneio Leiteiro começa com 12 animais
Outra atração tradicional que teve início na segunda-feira foi o Torneio Leiteiro, competição que mede a produtividade dos animais e serve como vitrine dos avanços obtidos por produtores em genética, alimentação e manejo.
Nesta edição, disputam o torneio 12 vacas — seis jovens, de primeira cria, e seis adultas. A primeira ordenha oficial ocorreu na manhã de segunda-feira, no Pavilhão Agroleite.
Especialista técnico da Assistência Técnica Bovinos, Leonardo Damasceno explicou que a seleção dos animais começa ainda nas propriedades e que cada competidor passa por oito ordenhas oficiais durante a disputa.
“Para a classificação final, a maior e a menor produção são descartadas, e o resultado é obtido a partir da média das demais ordenhas. Durante toda a competição, não é permitido o uso de qualquer tipo de estimulante, garantindo que o desempenho seja resultado exclusivamente da genética, da nutrição e do manejo adotados nas fazendas.”
Além das ordenhas, o público pode acompanhar a pesagem do leite, considerada um dos momentos mais aguardados da programação. A expectativa dos organizadores é que a evolução genética dos rebanhos contribua para o estabelecimento de novos recordes de produção nesta edição.
Como parte da premiação, a Castrolanda fará a doação de leite UHT a entidades indicadas pelos vencedores. O volume corresponderá ao dobro da média de produção registrada pelos animais campeões. O resultado será conhecido após a conclusão das oito ordenhas e da apuração oficial.
*Com Assessoria