Cidades da região enfrentam fase árdua da pandemia

Cidades da região enfrentam fase árdua da pandemia

Luana Dias

Municípios da região estão enfrentando período difícil em razão do aumento no número de casos e de óbitos causados pela Covid-19. Em Castro, por exemplo, tanto o número de novos casos como o número de mortes vem aumentando desde o mês de abril. O registro de óbitos ocasionados pela doença passou a ser praticamente diário, e em quase todos os dias da semana mais de um castrense perde a vida devido a infecção pelo vírus, ou complicações da doença. De acordo com o último boletim da Secretaria de Saúde do Município, entre sábado (15) e segunda-feira (17), quatro pessoas, com idades entre 56 e 82 anos morreram em decorrência da Covid. O número total de óbitos no município já chegou a 164, além disso, 148 novos casos foram registrados, elevando o total para 8.673.

De acordo com Marielen Wieczorek Nocera, que é da Coordenação da Vigilância Epidemiológica de Castro, com o crescimento acelerado no número de novos casos e agravamento da pandemia na região, pacientes que necessitam de internamento acabam passando cada vez mais tempo na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do município, a espera de vagas, de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) ou leito clínico. “Está bem difícil, pacientes ficam até mais de uma semana na UPA esperando por vaga”, destacou ela, confirmando que só na segunda-feira (17), seis pessoas estavam à espera de leito de UTI, e uma pessoa aguardava vaga em leito clínico.

Outro fator preocupante é a presença de novas variantes da doença em cidades do Estado. No município de Castro ainda não há confirmação, mas segundo Marielen, os profissionais do setor epidemiológico acreditam que já foram registradas variantes no município, porém, ainda não foram selecionados pacientes castrenses para estudos de caso.

Tibagi

Já em Tibagi foi confirmada pela 21º Regional de Saúde a circulação da variante P2, que foi descoberta no Rio de Janeiro. O resultado do estudo de caso que confirmou a presença de uma variante da doença na cidade saiu na semana passada, mas conforme explicou a secretária de saúde, Natasha Dutko, a circulação pode estar ocorrendo há muito mais tempo, já que é possível que o paciente selecionado para análise tenha sido infectado até mesmo no final do ano passado. O que se sabe, no entanto, é que a taxa de transmissibilidade dessa variante é altamente maior, se comparada a casos de Covid-19 identificados, por exemplo, no início da pandemia, o que exige atenção e cuidados redobrados da população. “É importantíssimo que as pessoas mantenham as medidas de prevenção, como a utilização de álcool em gel, higienização das mãos, distanciamento social e que continuem evitando aglomerações, porque a taxa de transmissibilidade é maior, mas os sintomas são iguais. Não dá para esperar por sintomas mais fortes ou diferentes para se cuidar”, ressaltou.

A secretária de saúde também falou da importância de clínicas e laboratórios particulares que prestam atendimento a pessoas com sintomas, alertarem quando a necessidade do período de isolamento, para casos de pessoas que recém chegaram de viagens. “Eles podem ajudar a alertar sobre a importância de cumprir esse tempo de isolamento, de no mínimo 10 dias após a chegada de uma viagem, mas se for possível o ideal seriam 14 dias”, explica.

Em Tibagi a média móvel de casos de Covid diminuiu. De acordo com o boletim oficial da Secretaria de Saúde desta segunda-feira, a média é a menor desde o mês de março, e, o número de casos ativos também é baixo, 63 no total, o que corresponde a quantidade de pessoas em tratamento.

Na cidade de Carambeí também ainda não há confirmação da circulação de variantes da Covid, mas o número de novos casos voltou a crescer na última semana. A boa notícia, segundo informações da secretária de saúde, Juliane Dorosxi Stefanczak e da responsável técnica do Centro Municipal de Saúde, Patricia Manfre, é que os pacientes que testam positivo para a doença e necessitam de internação, têm ficado pouco tempo à espera de leito. “Nós realizamos o exame aqui e assim que temos o resultado de um paciente positivado, já inserimos o nome na central de leitos, e rapidamente têm surgido vaga, no Hospital do Rocio, em Campo Largo, ou no Regional de Ponta Grossa, que é para onde é encaminhada a maioria deles, mas quando não tem vaga nessas unidades, também são disponibilizadas vagas em outros municípios, ou seja, mesmo com as dificuldades da pandemia, estamos conseguindo transferir os pacientes”, destacou.

Como o número de novos casos diários voltou a crescer depois de ter passado tempo considerável em estabilidade, o município está em alerta. Juliane acredita que o aumento se deve aos encontros de famílias, ocorridos no dia das mães. “Podemos dizer que estamos aguardando a terceira onda. Estamos na bandeira verde há uns 15 dias, mas temos visto aumentar a procura dos pacientes na última semana. Isso sempre acontece cerca de 15 dias depois das datas comemorativas”, afirmou a secretária, ressaltando que o setor de saúde passa por reestruturação no município, e que isso vem dando ânimo aos profissionais do setor, para enfrentarem a pandemia.

Telêmaco Borba

No município de Telêmaco Borba, onde vem sendo registrada uma das situações mais difíceis em relação a pandemia nas últimas semanas, o problema vem sendo a superlotação das unidades que atendem pacientes de Covid. No Hospital de Campanha, aberto em julho de 2020, as 20 vagas de UTI estão cheias, assim como mais de 60% das 30 vagas de enfermaria. “Desde novembro está sempre lotado, não tivemos mais nenhuma época com leitos disponíveis, acaba de sair um paciente, já temos outros na fila aguardando leito”, descreveu Maria Raquel Ferrer, que é supervisora administrativa da unidade.

A reportagem também teve acesso à informações, segundo as quais, também têm pacientes internados no Hospital Regional da cidade, no Instituto Feitosa e na UPA, que teria sido destinada apenas para atendimento de pacientes com Covid. Porém, não foi possível confirmar tais dados.

Redação Página 1

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