Após interdição da UTI, Prefeitura de Castro cobra adequações do Instituto Moriah
Município afirma ter repassado mais de R$ 19,7 milhões à instituição desde janeiro de 2025 e aguarda cronograma para correção das irregularidades apontadas pela Vigilância Sanitária
Hurlan Jesus
Castro – A Prefeitura de Castro se manifestou nesta sexta-feira (7) sobre a interdição temporária da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Anna Fiorillo Menarim, administrado pelo Instituto Moriah. Em vídeo divulgado nas redes sociais, representantes do Município informaram que a instituição recebeu prazo de 15 dias para apresentar um cronograma de adequações e afirmaram que a administração municipal acompanha a situação para que os leitos voltem a funcionar.
Segundo Natalie Zahdi, responsável pela Vigilância Sanitária de Castro, a vistoria que resultou na interdição ocorreu a partir de uma demanda da Secretaria de Estado da Saúde. Durante a inspeção, foram identificadas inconformidades que, conforme explicou, levaram à suspensão temporária dos leitos de terapia intensiva.
O secretário municipal de Saúde, Matilvani Moreira, afirmou que foi proposto ao hospital um Termo de Ajuste de Conduta (TAC), por meio do qual o Instituto Moriah deverá apresentar um cronograma para solucionar as irregularidades apontadas.
Durante a manifestação, o secretário também destacou que o contrato de concessão do hospital foi firmado em 2022, antes do início da atual gestão municipal. Segundo ele, o documento estabelece que a concessionária é responsável pela integridade, conservação e manutenção preventiva e corretiva do imóvel.
Moreira afirmou ainda que, na interpretação da Prefeitura, cabe ao Instituto Moriah garantir o funcionamento do hospital, incluindo a UTI. Ele ressaltou que o Município deve respeitar os limites estabelecidos pelo contrato para qualquer intervenção na estrutura da unidade.
Repasse de recursos
Outro ponto destacado pela administração municipal foi o volume de recursos repassados ao Instituto Moriah. De acordo com o secretário, desde janeiro de 2025 a Prefeitura de Castro destinou mais de R$ 19,7 milhões à instituição.
Moreira também informou que o Município trabalha na contratação de uma empresa para refazer a rede elétrica do hospital. Conforme o secretário, a medida está sendo viabilizada com apoio jurídico e da Câmara Municipal, apesar de a Prefeitura considerar que a intervenção não é uma obrigação prevista no contrato de concessão.
Ainda segundo o secretário, o Governo do Estado destinou R$ 2 milhões ao Instituto Moriah para aquisição de equipamentos para o hospital. A Prefeitura afirma que a compra depende agora dos procedimentos a serem realizados pela instituição, com atenção especial às necessidades da UTI.
Prazo para adequações
Natalie Zahdi explicou que o Instituto Moriah permanece dentro do prazo estabelecido após a notificação. A instituição dispõe de 15 dias para apresentar o cronograma das adequações solicitadas pelos órgãos de fiscalização.
A responsável pela Vigilância Sanitária afirmou ainda que o trabalho de acompanhamento do hospital ocorre desde a instalação do Instituto Moriah em Castro e que as cobranças relacionadas às exigências sanitárias são realizadas sempre que necessário.
A Prefeitura informou que continuará acompanhando o processo e que pretende colaborar, dentro dos limites legais, para que a UTI volte a funcionar o mais rápido possível.
Enquanto os leitos permanecerem interditados, segundo o Município, pacientes que necessitarem de terapia intensiva continuarão sendo regulados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e encaminhados para hospitais da rede de referência.
Instituto Moriah
A reportagem entrou em contato com o Instituto Moriah nesta sexta-feira (7) para solicitar um posicionamento sobre a interdição da UTI e as declarações feitas pela Prefeitura. Por telefone, uma atendente informou que não havia responsável disponível para prestar esclarecimentos naquele momento e que um responsável estaria disponível apenas neste sábado (8).
O espaço permanece aberto para manifestação da instituição.