Greca não quer ser vice, quer ser candidato, reafirma MDB
Confira a coluna de Gleidson Carlos, jornalista e pós-graduado em Ciência Política, com análises e reflexões sobre os principais acontecimentos do cenário político
Gleidson Carlos
Coluna – O MDB do Paraná precisou vir a público para colocar um ponto final, ao menos temporariamente, nas especulações que ganharam força nos bastidores da política estadual. Em nota oficial, o partido reafirmou que o ex-prefeito de Curitiba, Rafael Greca, permanece como pré-candidato ao Governo do Estado e que a estratégia da legenda continua sendo a manutenção de uma candidatura própria ao Palácio Iguaçu em 2026.
O esclarecimento ocorreu após a divulgação de informações dando conta de uma possível composição entre Greca e Requião Filho, em uma chapa que ainda contaria com Gleisi Hoffmann na disputa pelo Senado. O cenário alimentou debates entre lideranças partidárias e observadores da política paranaense, principalmente pela possibilidade de unir diferentes campos políticos em torno de um mesmo projeto eleitoral.
A resposta do MDB, no entanto, foi direta. O partido descartou qualquer alteração na estratégia neste momento e reafirmou também o objetivo de lançar Álvaro Dias como candidato ao Senado Federal, mantendo a construção de uma chapa competitiva e independente para a eleição estadual.
Mais do que negar rumores, a nota do MDB revela um cálculo político importante: Rafael Greca continua sendo, entre os nomes colocados na disputa pelo governo, aquele que possui maior capacidade de influência sobre o eleitorado de Curitiba, o maior colégio eleitoral do Paraná. Depois de três mandatos à frente da capital, o ex-prefeito consolidou uma imagem política própria e um patrimônio eleitoral que desperta interesse de praticamente todos os grupos que disputam o comando do Estado.
As pesquisas divulgadas até aqui indicam que, em um cenário sem a presença de Greca na corrida eleitoral, seus votos tenderiam a migrar principalmente para Sergio Moro e Requião Filho. Isso ajuda a explicar por que o ex-prefeito não demonstra pressa em discutir uma eventual composição como vice ou abrir mão da cabeça de chapa.
Manter-se como pré-candidato oferece vantagens estratégicas ao MDB. A candidatura preserva o capital político de Greca, amplia o poder de negociação do partido e impede que a legenda seja reduzida a um papel secundário no processo eleitoral. Em um cenário ainda aberto e marcado por indefinições, permanecer na disputa significa continuar influenciando movimentos, alianças e decisões dos adversários.
Por isso, mais importante do que discutir se Greca chegará ou não ao fim da campanha como candidato ao governo é compreender o peso político de sua permanência no tabuleiro. Enquanto seu nome continuar disponível no mercado eleitoral, ele seguirá sendo uma das peças mais valiosas da sucessão estadual.
E, no fim das contas, a disputa pelo apoio de Rafael Greca pode se transformar em uma das batalhas decisivas da eleição de 2026 no Paraná.