Pesquisa arqueológica preventiva não identifica vestígios na área da futura Ponte São Bento, em Tibagi

Estudo exigido pelo Iphan foi realizado antes do início das obras e incluiu prospecções de campo, entrevistas com moradores e ações educativas junto à comunidade escolar

Da Assessoria

Tibagi – Uma pesquisa arqueológica preventiva realizada nos dias 15 e 16 de junho não identificou vestígios arqueológicos na área destinada à implantação da futura Ponte São Bento, em Tibagi. O trabalho foi conduzido pela empresa Fercant & Yahto Consultoria Científica e integra as exigências previstas na legislação federal para empreendimentos sujeitos ao licenciamento ambiental.

A avaliação faz parte do Projeto de Avaliação de Impacto ao Patrimônio Arqueológico (PAIPA), autorizado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) por meio da Portaria de Pesquisa nº 55, publicada no Diário Oficial da União em 12 de junho deste ano.

Durante os trabalhos, os pesquisadores realizaram atividades de prospecção arqueológica intensiva tanto na Área Diretamente Afetada (ADA) quanto na Área de Influência Direta (AID) do empreendimento. As equipes executaram abertura de poços-teste, vistorias de superfície e análises de possíveis evidências arqueológicas.

De acordo com o relatório preliminar, não foram encontrados sítios arqueológicos nem ocorrências isoladas de bens arqueológicos na área pesquisada.

Ações educativas

Além das atividades de campo, a equipe promoveu ações de divulgação científica junto à comunidade local. Materiais informativos foram distribuídos para moradores da região e para estudantes do Colégio Estadual do Campo Baldomero Bittencourt Taques, localizado próximo à área da futura ponte.

A instituição recebeu a doação de quatro livros voltados à divulgação científica, abordando temas relacionados à arqueologia, aos povos pré-coloniais e à história indígena no Brasil. Também foram entregues 150 marcadores de página com informações sobre arqueologia e paleontologia.

Entrevistas com moradores

Como parte do estudo, os pesquisadores realizaram entrevistas com moradores mais antigos da região. Os relatos não apontaram a existência de sítios arqueológicos ou descobertas anteriores na área diretamente relacionada ao empreendimento.

No entanto, alguns entrevistados apresentaram artefatos arqueológicos que mantêm sob sua guarda, principalmente pontas de projétil encontradas em outras regiões do município ao longo dos anos. Embora os objetos não estejam vinculados ao local da obra, os registros reforçam a presença histórica de ocupações humanas no território tibagiano.

Patrimônio arqueológico de Tibagi

Segundo levantamento citado na pesquisa, Tibagi possui atualmente 45 sítios arqueológicos cadastrados, abrangendo períodos pré-coloniais e coloniais.

Entre os vestígios já identificados no município estão fragmentos cerâmicos, materiais líticos lascados e polidos, pinturas rupestres associadas a grupos de caçadores-coletores e horticultores ceramistas, além de artefatos históricos relacionados ao período do Tropeirismo.

Do total de sítios catalogados, 31 são formados por registros de pinturas rupestres, evidenciando a relevância do patrimônio arqueológico existente no município.

A pesquisa integra os procedimentos previstos pela legislação brasileira para proteção do patrimônio cultural e busca garantir que obras de infraestrutura sejam executadas sem impactos a possíveis vestígios históricos e arqueológicos.

Foto: Divulgação

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