Homem é condenado a 20 anos por feminicídio em 2019

Homem é condenado a 20 anos por feminicídio em 2019

Matheus de Lara

Foi realizado na quarta-feira (15), no Tribunal do Júri do Fórum da Comarca de Castro, o julgamento de Anderson Carneiro Mainardes, 36 anos, acusado de matar sua esposa Cristiane Tereza Carneiro, de 32 anos, natural de Piraí do Sul. Ela foi morta a facadas no final da tarde de 9 de janeiro de 2019, no Jardim dos Bancários, em Castro. Anderson foi julgado e condenado por sete jurados a 20 anos de prisão em regime fechado. Ele vai cumprir pena por feminicídio. Desde abril de 2019, Anderson estava preso na Cadeia Pública de Castro.

O trabalho de investigação da Polícia Civil apontou que Anderson “durante o relacionamento com Cristiane, demonstrou seu caráter ciumento, possessivo, controlador e violento, pois não permitia Cristiane ter amigos do sexo masculino. Seu celular e suas redes sociais eram vigiados, e não era permitido nem mesmo visitar seus parentes desacompanhada. Com isso, ela resolveu que o melhor seria se separar, mas ele não aceitava o término, e tornou o local de moradia palco de discussões e agressões. Com medo de ela não ir para o trabalho ou do trabalho não retornar para o apartamento, Anderson a levava até o ponto de ônibus e só saía do local quando de fato Cristiane embarcava, e depois a buscava na porta de seu trabalho”.

O relatório também aponta que nos dias que antecederam o feminicídio, Cristiane avisou ele que no dia 12 de janeiro de 2019 sairia do apartamento para morar com a mãe em Piraí do Sul, e que tinha a intenção de ir embora no dia que aconteceu o crime. “Os dois haviam discutido de forma mais contundente na noite anterior. Na manhã do dia 9, Anderson estava muito agressivo e proferindo ameaças se ela fosse embora. Com medo que ela não voltasse após expediente e consulta médica, decidiu vigiá-la nas proximidades de uma clínica”.

Câmeras de monitoramento flagraram os dois, desde o entorno da clínica até a residência, antes e depois do assassinato. “Na data dos fatos, usando calçado escuro com detalhe em branco na lateral esquerda e também inferior do solado, calça cinza e camiseta verde, sem boné, ele esteve presente na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Castro, de onde saiu às 13h24, retornou ao apartamento e trocou de roupa. Ele colocou uma calça escura com listas brancas nas laterais, camiseta cinza com detalhe em branco na frente e boné escuro, com detalhe de cor clara na frente, e manteve o mesmo calçado, quando seguiu para a clínica e chegou na esquina por volta das 16h20”.

Conforme relatório, após Cristiane sair do local, ele a seguiu pela Rua do Rosário, e caminharam lado a lado fazendo o trajeto até o apartamento. “No caminho Anderson teria suspeitado que ela iria embora naquele dia, o que teria deixado ele ainda mais irritado. Por volta das 17h45, passaram pela Rua Francisco de Assis Andrade e às 17h49 na Rua Major Cândido Cruz. Já no Jardim dos Bancários quando passavam pela Rua Guilherme Alfredo Kiel, poucas quadras de onde moravam, Anderson aproveitou a pouca movimentação, além de um muro alto e de um terreno baldio do outro lado, assassinou a facadas Cristiane, deixando no local pegadas com o sangue da vítima e de seu cassaco marrom. Em seguida, fugiu do local com o instrumento do crime e a bolsa da vítima (para simular um latrocínio), correndo, por volta das 17h53, duas quadras da Rua Santa Cruz, quando desceu a Rua Renato Menarim por mais dois quarteirões”. No apartamento ele entrou de forma apressada às 18h01.

Depois de cometer o crime, ele trocou de roupa e saiu do apartamento com sua filha às 18h23. Eles caminharam até um mercado. Após voltaram ao residencial e saíram novamente, quando o setor investigativo localizou os dois, nas esquinas da Rua Guilherme com a Francisco de Assis. Disse que estava indo até a polícia para dar queixa do desaparecimento de Cristiane. Em oitiva na delegacia, negou que caminhava com a vítima durante o percurso da clínica até o local da morte, e relatou apenas ter ido na UPA e ao mercado.

“Muito embora algumas câmeras tenham capturado imagens de Anderson a longa distância, ainda assim é possível concluir tratar-se da mesma pessoa em razão do confronto e encaixe com os horários dos lugares por onde passou, sem deixar de mencionar a antena de telefonia que captou o sinal do aparelho de Anderson. Outro indício de autoria é o calçado usado por Anderson, qual foi identificar o solado do calçado em um vídeo da unidade de saúde”, destaca o relatório.

Além dos pontos principais apresentados no julgamento, foi a localização de uma pequena pedra manchada com substância aparentado ser sangue, encontrada na lateral da porta de entrada do bloco residencial, além de uma macha aparentando ser de sangue humano, identificado em um dos rejuntes da escada situada em frente ao apartamento. “Sobre uma mangueira do hidrante, localizado em frente ao apartamento de Anderson, estava uma munição compatível com calibre 32”.

É destacado no relatório de conclusão, que Cristiane não tinha desavença ou inimizade com qualquer pessoa, e que nunca denunciou o convivente por medo ou porque queria resolver a situação sozinha, não avisando seus familiares.

Assim foi descartada a hipótese de latrocínio, e a investigação concluiu que o autor foi Anderson, que perseguiu e de forma intencional matou sua esposa, que estava tentando terminar o relacionamento.

O crime

Cristiane foi morta com vinte facadas que atingiram a barriga, braço, nuca e costas. Ambulâncias foram enviadas até o local, mas ela já estava sem vida quando os socorristas chegaram. No dia seguinte, aconteceu o sepultamento às 18h30 de quinta-feira (10), no Cemitério Municipal de Piraí do Sul. Com as investigações em andamento, o próprio autor do crime foi ao velório da vítima. Pelas redes sociais disse “descanse em paz meu amor, tá doendo muito”.

Depois de quase três meses de trabalhos, Polícia Civil prendeu Anderson na madrugada de 8 de abril de 2019, no bairro Capinzal II, em Piraí do Sul. Na época, o delegado Lucas Mariano Mendes disse que “hoje encerra-se um ciclo de violência ocorrido no início do ano em Castro. Todos os casos de feminicídio foram solucionados e os respectivos autores presos”.

Redação Página 1

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