Festa da Colheita reúne mais de 500 pessoas e celebra tradição alemã em Terra Nova, em Castro

Erntedankfest contou com desfile típico, missa em alemão e português, almoço tradicional, apresentações culturais e homenagens à comunidade local

Hurlan Jesus

Castro – A comunidade de Terra Nova, no interior de Castro, viveu neste domingo (17) mais uma edição da tradicional Festa da Colheita — o Erntedankfest —, evento que reuniu fé, cultura, gastronomia típica alemã e celebração das tradições herdadas pelos imigrantes que ajudaram a construir a história da região.

Mesmo com a previsão de chuva durante todo o dia e com o temporal registrado na noite de sábado (16), a festa aconteceu normalmente e reuniu mais de 500 pessoas entre moradores, visitantes e descendentes de imigrantes vindos de diversas cidades da região e também de outros estados.

“A festa de Ação de Graças de hoje, o nosso querido Erntedankfest, foi um dia marcado pela gratidão, pela alegria e pelo reconhecimento de tudo o que recebemos de Deus. Mesmo com a previsão de 100% para chuva, encaramos o desafio”, destacou Alexandre Hubert, um dos organizadores do evento.

A programação começou ainda pela manhã, quando moradores e visitantes se reuniram no portal de entrada da Igreja de Terra Nova para o tradicional desfile festivo. Crianças com trajes típicos alemães seguiram à frente carregando a Coroa da Colheita, ornamentada com frutos da terra, ramos de trigo, flores feitas de palha e folhas de alho e cebola, em referência ao período do outono e à abundância da colheita.

Na sequência, moradores vestidos com roupas típicas e tratores antigos acompanharam o desfile até a igreja, onde todos participaram de uma foto coletiva antes do início da celebração religiosa. Ao som dos sinos, a Coroa da Colheita foi conduzida até o altar da igreja.

A missa festiva em ação de graças foi celebrada pelo Frei Heliodoro, dos Religiosos do Sion, de Castro, e reuniu a igreja lotada com cantos em português e alemão. Durante a celebração, o religioso destacou a importância da união da comunidade e da preservação das tradições culturais.

A cerimônia também homenageou a professora Alice Hoffmann, primeira professora da Colônia Terra Nova, falecida há seis meses, aos 87 anos. Reconhecida pelo trabalho dedicado à educação local, ela foi lembrada com emoção pela comunidade. “Dona Alice nos ensinou a ler e pensar”, destacou Felizitas Maus durante a homenagem.

Ao final da missa, a professora Clara Moers recitou, em alemão e português, uma poesia do escritor alemão Matthias Claudius sobre fé, trabalho e gratidão pela colheita. Em seguida, os participantes cantaram a tradicional canção “Danke”, que significa “muito obrigado” em alemão.

Após a celebração religiosa, os participantes seguiram em carreata até o Museu do Imigrante Alemão de Terra Nova, onde foi servido o tradicional almoço típico alemão. Antes do início do almoço, Alexandre Hubert agradeceu a presença do público e destacou a importância da festa para a preservação cultural e manutenção do museu.

O evento também contou com um momento de silêncio em memória de Agatha Schüller, uma das idealizadoras do Museu de Terra Nova, falecida no último ano aos 78 anos.

Na cozinha, Angelita Schüller e um grupo de voluntários da comunidade prepararam pratos tradicionais como Spätzle, Gulasch e Sauerkraut, além de arroz, mandioca e saladas. Segundo a organização, foram vendidos 430 almoços durante a festa. A fila para o almoço chegou a durar cerca de 1h40, mas todos os visitantes conseguiram se servir e repetir os pratos.

“As pessoas tiveram paciência, aproveitaram o momento de encontro e convivência. Foi emocionante ver a união da comunidade em cada detalhe da festa”, afirmou Alexandre Hubert.

Outro destaque do evento foi a venda de bolos, tortas e cucas, organizada por Elisabeth Brandes e um grupo de voluntárias da comunidade. Aproximadamente 60 bolos e tortas foram doados para a festa.

O tradicional waffle alemão também atraiu a atenção do público. Preparado em formas de ferro aquecidas sobre o fogo, o doce foi produzido por um grupo de senhoras da comunidade coordenadas por Clara Moers e Sofia Maus. Segundo a organização, aproximadamente 500 waffles foram assados ao longo da tarde.

“Entre as muitas tradições trazidas pelos imigrantes à Terra Nova, a culinária ocupa um lugar especial na memória e na cultura dos descendentes. O waffle é uma dessas receitas que atravessam gerações e ajudam a manter viva nossa identidade cultural”, destacou Alexandre Hubert.

A programação cultural contou ainda com apresentações do Coral Boerenkoor, de Castrolanda, do grupo folclórico Sonnenstrahl e da banda Vox Tureck, de Ponta Grossa. Já a tradicional disputa do “Chopp em Metro” garantiu momentos de descontração e diversão entre os participantes.

Segundo a organização, a festa recebeu visitantes de cidades como Castro, Carambeí, Ponta Grossa, Piraí do Sul, Curitiba, Witmarsum, além de turistas vindos de Santa Catarina, Sorocaba e Guarulhos.

“Mais uma vez, a comunidade demonstrou sua união, dedicação e espírito de solidariedade. Cada detalhe da festa carregava o esforço e o carinho de muitas pessoas. Tudo isso é expressão da força da nossa comunidade e da preservação da nossa cultura”, finalizou Alexandre Hubert.

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