APAE de Castro completa 50 anos

APAE de Castro completa 50 anos

Matheus de Lara

Com o propósito de atuar em prol das pessoas com deficiência, a Associação de Pais e Amigos Excepcionais (APAE) de Castro completa 50 anos nesta sexta-feira (10). Ela foi fundada em 1971 por um grupo de pais (Albino Schultz, Osvaldo de Biassio e Janete de Macedo) que tinham o intuito de atender crianças com deficiência intelectual. O lema da edição comemorativa é ‘Apaixonados 50 anos fazendo a inclusão na cidade de Castro’.

A reportagem do Página Um News conversou com a presidente da instituição, Eleoni Aparecida Carneiro. Ela disse que o município havendo a necessidade de ter uma escola especializada, e devido à dificuldade desses pais para receber os atendimentos para seus filhos, Osvaldo de Biassio fundou a APAE. “Tendo um filho portador de deficiência, o mesmo o levava até a APAE de Ponta Grossa, para receber atendimento. Devido à dificuldade de transporte de ida e vinda, ele se propôs e juntou os amigos e fundou a instituição aqui em Castro”.


Para Eleoni, enquanto a APAE se organizava no ano de 1971, foi cedida em comodato com a Prefeitura Municipal, uma casa de madeira que ficava situada na Rua Benjamin Constant. “Em setembro de 1972, começou o funcionamento, os trabalhos e atividades para atendimento aos alunos”. Nessa ocasião, eram atendidos 12 alunos sobre a orientação de duas professoras, e no ano seguinte contava com 27 estudantes distribuídos em dois turnos.

Eleoni também destaca que no período de organização da associação foi constituído a diretoria da APAE, e também nomeada uma professora que era especializada na área da deficiência mental. “Com a organização da escola, foi possível conseguir convênio com a Secretaria do Estado da Educação para pagamento do pessoal doméstico e de serviços gerais. Na sequência trabalhou-se muito para que a diretoria conseguisse junto a prefeitura, a doação de área para que fosse uma sede da APAE. No decorrer dos anos, a instituição adquiriu outras propriedades que estavam em volta da escola, proporcionando aos seus alunos uma área maior para dar atendimento de melhor qualidade”, disse.

Ao longo dos anos, a escola conseguiu vários convênios. “Os mesmo fizeram com que ela prestasse um bom atendimento ao público, e as crianças com portadores de deficiência, conseguiram convênios com o SUS, MEC e SEED, órgãos do estado e federal que proporcionam aos alunos um melhor atendimento e também a sustentação da própria APAE”, conta Eleoni.

Conforme a diretora da APAE, Maria Alice Bourguignon, após a oficialização do estatuto ainda em 1972, o local passou a ter sala de Educação Física, música, oficina de trabalhos manuais e pedagógicas. “Em 1981 foi montado o pavilhão de alvenaria, com instalações melhores, com sala de aulas.

Surgiu nesse mesmo tempo uma oficina que incluía marcenaria e se chamava ‘trabalho protegido’, onde os funcionários começavam a dar iniciação para os alunos, orientando eles com um objetivo. Com isso, a partir de 1981 o local passou a ser chamar Escola ‘Arco-Íris’. Foi certificada já dentro das esferas, municipal e estadual, começaram vir as parcerias, os convênios, os primeiros professores já contratados, e pessoas que adotaram essa causa”.

Maria Alice conta que em 1996, quando completou 25 anos, aumentaram o número de alunos e professores com os primeiros concursados que cedidos pelo Estado.

Atualmente

Hoje a Escola Osvaldo de Biassio conta com 126 alunos, divididos em educação infantil até sem limites de idade, que é o EJA na parte de escolaridade; além do projeto social que são atendidos 70 alunos. Contam com 40 funcionários, entre professores, atendentes e motoristas. As turmas são divididas em 15 e na social em três.

“O nível de escolaridade é até os 15 anos. Os alunos passam por classes para a segunda série, e após vaão para o EJA. Dentro do trabalho de escolaridade, tem também as terapias. Aqueles que tem a necessidade são avaliados e tem mensalmente seus atendimentos de fonoaudiologia, psicologia, terapia ocupacional, assistente social e médico neurologista, que acompanham as crianças uma vez por mês”, disse a diretora Maria Alice.

A instituição funciona no período da tarde e manhã, e as turmas seguem o calendário escolar como das escolas estaduais. “O currículo é de educação especial, mas segue currículo das disciplinas e de conteúdos como do ensino regular do estado. É um currículo baseado dentro de suas adequações, para que o aluno possa ser trabalhado no seu conteúdo, e dentro de algum momento, se possível for, ele ser novamente colocado no ensino regular”, explica Maria.

A diretora também disse que doações da comunidade ocorrem através de carnê, ou espontâneas, não somente em dinheiro, mas de equipamentos, cadeira de rodas e outros materiais. Sobre as ações, Maria disse que é realizado bazar para a comunidade, mas que antes da pandemia era feito feijoada, feijão mexicano.

A reportagem também conversou com Joseane Aparecida Carneiro Almeida, que há 20 anos está na APAE. Segundo ela, era o único lugar que não queria trabalhar quando se formou. “Na época, a diretora que estava aqui ficou sabendo que terminei o magistério, e foi atrás de mim para eu trabalhar na Apae. A princípio fiquei com receio, porque quando fiz estágio aqui não era aquilo que queria. Como a gente precisava trabalhar, eu vim e no início você se assusta com toda essa realidade, mas depois que a gente vai conhecendo, pegamos amor e ficamos”.

Programação

Para comemorar os 50 anos de fundação, a entidade preparou programação especial para estudantes, pais e comunidade.
Nesta sexta-feira (10), das 9 horas às 11h30, será realizado exposição de fotos, apresentação artística, ou seja, uma pequena homenagem interna. Já na segunda-feira (13) será aberto para a comunidade. No dia 14 (terça-feira), a partir das 19h15, ocorre a apreciação do coral de alunos, professores e funcionários da instituição no Parque Lacustre. Para fechar a comemoração dos 50 anos, na quarta-feira (15), às 19 horas, acontece o desfile comemorativo pela Rua Doutor Jorge Xavier da Silva. A concentração será em frente a Caixa Econômica (Agência Nova).

Fotos: Matheus de Lara / Acervo APAE Castro

Redação Página 1

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