Acolhimento São Vicente de Paulo completa cem anos de serviços em Castro

Acolhimento São Vicente de Paulo completa cem anos de serviços em Castro

Luana Dias

Há exatos cem anos era inaugurado em Castro o Asilo São Vicente de Paulo, uma instituição que já atendeu e acolheu a cerca de oito mil pessoas, e que ao longo do centenário, consolidou-se como entidade de caráter civil e filantrópico. Por cerca de 90 anos o trabalho na instituição foi conduzido por freiras voluntárias, que abrigavam caridosamente não somente idosos, mas também pessoas em situação de vulnerabilidade social ou que necessitassem de suporte. O termo ‘asilo’, durante essas mais de nove décadas caracterizou a instituição, reforçando a ideia de um local destinado aos vulneráveis e improdutivos, que necessitavam de acolhimento a partir da ótica da caridade.

No ano de 2014, a entidade deu início a uma reestruturação dos serviços que eram ofertados pelas freiras, e começou a contratar, gradativamente, uma equipe técnica formada por profissionais como assistente social, enfermeiro, psicólogo, nutricionista e fisioterapeuta. Atualmente, 35 colaboradores trabalham no local, que acolhe a 53 idosos no total. A partir dessa reestruturação, foi necessário buscar novas formas de recursos, e parcerias que viabilizassem a manutenção dos serviços, e atendessem a todas as normativas vigentes. O Asilo então passou a ser uma Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPI), ou Instituição de Acolhimento. Esse conceito agrega noção técnica sobre os serviços e pauta as ações da entidade na reafirmação da dignidade humana, seja em qualquer fase da vida.

“Atualmente o acolhimento realizado pela instituição é em regime residencial integral, de acordo com a Tipificação Nacional dos Serviços Socioassistenciais. Ou seja, é um serviço de Proteção Social Especial de Alta Complexidade, que oferece atendimentos básicos adequados, e atividades fundamentais como serviços de fortalecimento de vínculos, garantia da autonomia, independência, convívio familiar e comunitário, desenvolvimento de oportunidades para o fortalecimento ou restauração de vínculos familiares, atividades culturais, participação dos idosos nos espaços de vida pública, capacidades adaptativas para a vida diária, além de atuar na proteção, cuidados e manutenção em saúde dos idosos acolhidos, o que melhora autoestima dos indivíduos e oferece oportunidade de uma vida mais ativa, e que respeita todos os direitos fundamentais previsto na Lei, Estatuto do Idoso e demais políticas de atendimento a pessoa idosa”, explica a coordenadora administrativa e assistente social da entidade, Tania Ramos Bartmeyer.

Apesar da reestruturação dos serviços, permaneceu o caráter filantrópico, o que permite a recepção de doações e o voluntariado, que segundo Tania, auxiliam de modo significativo nas atividades. “As ações filantrópicas demonstram que a compreensão social do que representa uma instituição de acolhimento e, principalmente, a condição de idoso, está se alterando, partindo do princípio de que a atenção a esta população não deve ser restrita à caridade religiosa, mas sim a uma consciência de responsabilidade social além obviamente, da responsabilidade do Estado perante os direitos de todos”, destaca.

Lar

Todo o esforço para adequações e atendimento rigoroso a legislações vigentes se justificam na necessidade de proporcionar bem-estar aos idosos que em alguns casos, vivem por décadas no local. É o caso, por exemplo, de Luzia Lúcia de Lara, de 70 anos. Ela, que mora na instituição desde março de 1995, quando o local ainda estava sob cuidados das freiras, relata nos dias de hoje, o quanto gosta de viver na instituição. Entre as atividades preferidas estão a leitura, pintura e algumas das desenvolvidas em grupo.

Ao utilizar de áudio para gravar a entrevista, já que não foi possível uma visita devido a pandemia, a acolhida explica que uma das atividades da qual mais sente falta, durante este período de restrições, é o baile. Luzia Lúcia contou também que se dá muito bem com suas colegas e que divide o quarto com mais três idosas. “Eu gosto de morar aqui, as cuidadoras cuidam muito bem de nós”, finalizou.

O que a instituição oferece

Hoje o Serviço de Acolhimento São Vicente de Paulo oferece atividades planejadas voltadas a manutenção da saúde que abrangem aspectos de bem-estar físico, mental e social do idoso. Como explica Tania, o objetivo é proporcionar uma longevidade saudável. O atendimento primário em saúde inclui estímulo a autonomia, independência, hábitos alimentares saudáveis, prevenção de acidentes, redução do nível de ansiedade, e atividades que incentivem diferentes funções psíquicas. Já o atendimento secundário é baseado em ações executadas através do acompanhamento, atendimento e encaminhamento relacionados aos quadros de saúde já instalados nos idosos acolhidos, como por exemplo, tratamento de doenças crônicas não transmissíveis, transtornos mentais e déficit cognitivo.

Adaptação em tempos de pandemia

O tradicional serviço de Acolhimento do Município, assim como instituições de todo Brasil, também teve sua rotina afetada pela presença da Covid-19, cuja pandemia já tem mais de um ano de ocorrência. Para preservar ao máximo a vida dos acolhidos, já que todos pertencem ao grupo de risco, foi necessário que todos os envolvidos nos processos diários da instituição passassem por adaptações. Faz parte dessa realidade inclusive, uma espécie de quarentena, pelo qual os novos acolhidos passam, antes de passarem a conviver com os demais moradores. A medida visa a certificação, por parte dos profissionais, de que não haverá contaminação.

A coordenadora administrativa lembra que a convivência comunitária e familiar é um dos aspectos mais sensíveis, quando o assunto é a probabilidade de contaminação pelo coronavírus, e, essa rotina também precisou ser adaptada. Os encontros estão ocorrendo todos de forma virtual. “De modo remoto, com a utilização de tecnologias como vídeo-chamada, WhatsApp, ligações comuns, Facebook, Instagram, além de cartas, presentes e lembranças as quais foram recebidas por meio de atividades alusivas, dos vínculos comunitários e familiares. Por estarmos num período pandêmico, mesmo vacinados contra a Covid-19, não há possibilidades de uma participação social ativa na comunidade, assim, ela tem ocorrido através das atividades alusivas que incentivaram a reflexão e o posicionamento do acolhido, assim como, a avaliação de satisfação do mesmo, mediante as rotinas institucionais e o direito em ser consultado sobre o que lhe é oferecido”, finaliza.

No início das atividades, o local era administrado por freiras voluntárias

Redação Página 1

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