Castro Basquete em Cadeira de Rodas: de falcões a leões e leoas em 10 anos

Castro Basquete em Cadeira de Rodas: de falcões a leões e leoas em 10 anos

Da Assessoria

O Castro Basquete em Cadeira de Rodas, projeto da Prefeitura de Castro, completa dez anos de atividades em setembro com uma trajetória de sucesso e superação. Criado em 2011, começou apenas com dois atletas que fizeram o primeiro treino com cadeiras de rodas emprestadas. Em pouco tempo, a equipe cresceu e mais três pessoas se juntaram ao time que levava o nome de Castro Falcões. Ao final do primeiro ano, a equipe já tinha suas próprias cadeiras para treinar.

Em 2012, já com sete atletas, o time participou do primeiro campeonato em Ponta Grossa. Em poucos anos, o empenho da equipe levou Castro a sediar a primeira etapa do Campeonato Paranaense de Basquete em Cadeira de Rodas no ano de 2016 e a equipe castrense teve duas vitórias importantes, sagrando-se vice-campeã da Divisão B.

Em 2017 a equipe se filiou Confederação Brasileira de Basquetebol em Cadeira de Rodas (CBBC), entidade máxima do basquete nesta modalidade. Neste mesmo ano, outra importante conquista foi obtida como o terceiro lugar nos Jogos Paralímpicos do Paraná (Parajaps), realizado em Londrina. Em 2018 o time deu mais um grande passo e foi campeão paranaense da Divisão B. Em 2019 foi vice-campeã da Copa Centro Sul Sudeste. Em 2020 como vice-campeão na Divisão de Acesso ao Nacional, conseguiu a vaga para a terceira divisão do campeonato brasileiro.

Atualmente o projeto conta 61 participantes divididos em 21 atletas de rendimento, que disputam as competições, 4 reforços de outras cidades, 17 inclusão, que não jogam oficialmente, e 19 de participação, que treinam para melhorar a qualidade de vida. A equipe recebe, inclusive, atletas de outras cidades, pois apenas 4% dos municípios paranaenses têm equipes de basquete em cadeira de rodas.

A equipe que desde 2018 passou a se chamar Castro Basquetebol em Cadeira de Rodas Leões e Leoas do Iapó, treina no Ginásio de Esportes Plinio Menarin, no Jardim Primavera, que foi reformado e hoje é a casa do CBCR. Com a pandemia do Coronavírus, a equipe parou de treinar o ano passado, mas deve retornar em breve com exercícios individuais para os atletas.

Experiências

O armador José Adão Martins dos Santos, um dos primeiros a entrar para a equipe, conta que nada entendia de basquete e achava que não era possível formar um time com cadeirantes, mas logo que começou, gostou muito e não parou mais. “É bom pra saúde e um incentivo aos deficientes para praticarem esporte”, diz.

Josemar Marcondes, outro armador da equipe e o segundo a entrar para o time, destaca que o basquete levou autonomia para a vida de muitas pessoas. “Mudou a autoestima de muitos que não saíam de suas casas. Entrar para o basquete significou superação. Agradecemos a Prefeitura por todo apoio e respaldo que sempre tivemos”, disse.

A capitã do time e única mulher na equipe, Franciele Aparecida Costa, se apaixonou pelo basquete em rodas no primeiro contato, há três anos e conta que a convivência com os atletas a fez ver o mundo de outra maneira. “O BCR faz parte da minha vida. Fico contando as horas para os treinos. O basquete me liberta, me motiva, me instiga a ter vontade de continuar e não desistir. Gratidão define todos os momentos vividos. Comemorar os dez anos de existência do time é maravilhoso”, relata.

Evolução

O técnico Josias Machado, pós-graduado em esportes para pessoa com deficiência e surdos, e que está à frente do projeto desde 2016, disse que tem orgulho da equipe que evoluiu muito e é reconhecida internacionalmente. Para ele, o maior legado do projeto é a sociedade olhar diferente a pessoa deficiente, com muito mais carinho e respeito. “Essas pessoas me fizeram olhar a vida por um prisma com muito mais amor. Minhas atividades com eles fazem a diferença na vida de cada um e na minha. Eu ensino, mas aprendo muito com eles que se realizam através do basquetebol”, disse.

O secretário municipal de Esporte e Juventude, Marcos Vinicios de Rocco, destaca a importância da criação do basquete em rodas. “Foi muito importante o início deste trabalho com os deficientes pela inclusão deles no esporte. Na sequência, criamos na secretaria uma assessoria de paradesporto e o Parajeca que começou em 2017 com a inclusão de crianças, jovens e adolescentes com deficiência nas competições esportivas. Tudo isso ocorreu pela formação do Castro Falcões que hoje é o Castro Leões e Leoas do Iapó”, disse.

De falcões a leões e leoas

A equipe associou inicialmente a figura do falcão como mascote do time, sem qualquer alusão a Castro ou ao basquete. Mais tarde, a equipe passou a se chamar Castro Basquete em Cadeira de Rodas (CBCR).

Em 2018 fizeram uma enquete para escolher o novo símbolo do time e que representasse a história do município como os tropeiros, os índios e ainda o leão, símbolo do Caramuru, equipe de futebol que atuou pelo município e apelidada carinhosamente de “Leão do Iapó”. Venceu o leão e a partir daí o time de basquete de Castro passou a ser conhecido como Castro Leões e Leoas do Iapó, em homenagem ao Caramuru.

Redação Página 1

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