Enem 2020 será realizado neste domingo

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Matheus de Lara

Em meio às incertezas e preocupações de instituições, por conta do aumento de casos e mortes provocadas pela pandemia do coronavírus, o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), prova impressa válida para o ano de 2020, será aplicada neste domingo (17) e no próximo dia 24. Nesta edição 5.783.357 candidatos estão confirmados e são aguardados nos locais de prova. Em relação a 2019, houve aumento de 13,5% de participação.

Deste número, 96.086 candidatos escolheram a versão digital, média de 1,66%. Essa nova modalidade ofertada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), deverá ser toda digital até 2026. As provas serão aplicadas em 31 de janeiro e 7 de fevereiro.

Na região Sul o número de pessoas que irão participar da prova somam 597.338, e os que escolheram a prova digital são 12.658. No Paraná, segundo a Secretaria de Estado da Educação (SEED) são 239.676 participantes, apresentando alta de 38,97% em relação a 2019. Do total, 6.429 farão a versão digital.

Ensino público e particular

Os estudantes foram demasiadamente prejudicados em 2020, especialmente os que estavam no último ano, que vão realizar os vestibulares e o Enem adiados para 2021. Em entrevista à reportagem do Página Um News, dois deles que terminaram o ensino médio em um ano atípico, retrataram como foi se preparar e fixar os estudos sem as aulas presenciais, por meio das aulas remotas por vídeo.

Para a candidata Gabriela Camargo, de 17 anos, que se formou pelo ensino particular, e conncorre para uma vaga em Medicina pela UEPG e UFPR, disse que na preparação para o Enem conseguiu adaptar-se bem em realizar os exercícios, e que a rotina de estudos foi bem complexa. “Por incrível que pareça, consegui me adaptar bem e fazer tudo o que podia, através da resolução de exercícios e simulados do Enem. Tinham dias cansativos e outros também muito produtivos. No primeiro mês foi algo um tanto quanto difícil, mas depois as coisas caminharam bem. Acorda todos os dias entre 6h30 e 6h45 e acompanhava as aulas ofertadas pelo colégio das 7 horas às 12h35. Além do mais, resolvia de 15 a 20 questões de cada matéria no período da tarde, e pelo menos uma redação por semana”.

O candidato João Vitor, também de 17 anos, formado em escola pública, pretende disputar vaga para Engenharia Civil. Segundo ele, preparar-se para o Enem foi um grande desafio, e que a rotina de estudos através de cursinho o ajudou. “Foi um grande desafio. As aulas ofertadas pelo Estado estavam em um nível abaixo do necessário para poder se preparar para o Enem. Com isso, tive que procurar outras formas de estudar. Nesse momento comecei a fazer um cursinho integral, também on-line. Minha rotina de estudos foi aula pela manhã no cursinho, a tarde fazia listas de exercícios e no período da noite mais algumas aulas”, descreve.

De acordo com Gabriela, as aulas virtuais ofertadas pela escola ajudaram bastante. “Tive acesso a bons professores e eles conseguiram me passar todo o conhecimento necessário para o ENEM e os vestibulares”, detalha. Para João, as aulas do cursinho ajudaram “a permanecer estudando, pois eram ao vivo, com o professor, então não ficou algo tão distante assim. No fim do ano, tive aulas ao vivo com os professores do meu colégio, tirei bom proveito disso, já que, eles eram ótimos professores. Infelizmente, na maior parte do ano, as aulas do Estado foram gravadas e pela TV. Então, o que me preparou mesmo para o Enem foi o cursinho online”, conta.

Medidas contra a Covid

Umas das medidas do Enem foi aumentar os locais de aplicação da prova em todo o país. O uso de máscaras de proteção e a utilização de álcool em gel será obrigatório em toda a realização da prova. INEP informou que, quem estiver com a covid-19 ou outras doenças infectocontagiosas, pode pedir a reaplicação das provas em 23 e 24 de fevereiro, mas para isso os candidatos deverão comunicar a condição de saúde por meio da ‘Página do Participante’. Outra medida é o distanciamento social. As salas estarão seguras com a distância entre os participantes.

No cartão de verificação do local da prova é possível observar na ficha do candidato as recomendações, como levar a garrafinha de água para evitar o uso do bebedouro, bem como seu próprio álcool em gel para higienização das mãos, além da obrigatoriedade do uso de máscara.

Também informa que o local foi higienizado e os procedimentos de aplicação adaptados para a segurança na realização do exame, além de regras de documentação e outras.

Perfil

De acordo com o INEP, a maioria dos inscritos são mulheres apresentando 59,68%, e os homens 40,02%. Da prova, 82,91% são isentos do pagamento de inscrição e 17,09% pagou a taxa de R$ 85. O nível de escolaridade de cada participante na prova impressa é de 65,41% para quem concluiu o ensino médio, 24,16% cursam o último ano do ensino médio, 9,8% não vão concluir o ensino médio e 0,63% não cursam ou não concluiram. Dos que optaram pela versão digital, 77,33% já concluiram o ensino médio e 22,67% cursaram o último ano.

Sobre as idades de cada participante da prova impressa, a maioria tem entre 21 a 30 anos e conta com 1.635.520 inscritos. Na versão digital, também é a mesma faixa etária, totalizando 34.870 inscritos. A participação do Enem pode ser a partir dos 16 anos.

Prova

Para realização da prova, com a obrigatoriedade do uso de máscara, o candidato precisa apresentar documento oficial original com foto e levar uma caneta esferográfica de tinta preta, fabricada em material transparente. Linguagens, Códigos e suas Tecnologias, Redação e Ciências Humanas e suas Tecnologias, serão aplicadas no primeiro dia de provas; no segundo dia a aplicação será de Ciências da Natureza e suas Tecnologias, e Matemática e suas Tecnologias.

O portão vai abrir meia hora mais cedo em relação a outras edições anteriores – 11h30 e fecha às 13 horas -, para evitar aglomeração na frente dos locais de provas. O exame tem início às 13h30 e segue até às 19 horas, mas no segundo dia se estende até 18h30. Esta semana o INEP afirmou que não vai adiar o exame, mas disse que os estados e municípios que não aceitarem a aplicação esse mês, terá uma nova data. No resto do país, a prova permanece na mesma data.

Para Gabriela, a prova que seria em novembro, e que foi adiada para esse mês, defende novo adiamento. “Acredito que sim, por questões de segurança em relação a nossa saúde em meio a uma pandemia e a segunda onda do covid-19, sendo que nem todas as escolas terão infraestrutura adequada para realização da prova”, aponta.

Já o candidato João defende o adiamento por dois motivos. “Eu defendo um novo adiamento do Enem por dois motivos. O primeiro é a questão de saúde. Se em novembro não havia segurança, agora não parece ter também. O segundo ponto é em relação aos alunos da escola pública que não tiveram condições de se preparar adequadamente para o Enem. Eu, como estudante do ensino público, pude ver amigos e colegas que infelizmente não tinham condições de bancar um cursinho ou algo assim”, finaliza.

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