Tragédia na BR-373 está entre os acidentes rodoviários mais graves da história recente do Paraná

Com 23 mortes confirmadas, colisão em Ipiranga supera o número de vítimas do desastre de Guaratuba, em 2021, e reabre a memória de outras grandes tragédias nas rodovias paranaenses

Emerson Teixeira

Ipiranga – O número de mortos na tragédia da BR-373, em Ipiranga, dá ao acidente desta quarta-feira (19) uma dimensão que ultrapassa a rotina das estatísticas rodoviárias. Com 23 vidas perdidas, a colisão entre o micro-ônibus da Secretaria Municipal de Saúde de Imbituva e uma carreta se tornou o acidente com maior número de mortes registrado pela Polícia Rodoviária Federal no Paraná desde janeiro de 2021.

O último episódio a superar a marca de 20 vítimas fatais havia ocorrido na BR-376, em Guaratuba, no Litoral do Estado. Em 25 de janeiro de 2021, um ônibus de turismo tombou na região conhecida como Curva da Santa, durante a descida da Serra do Mar. Dezenove pessoas morreram.

Cinco anos depois, a ocorrência registrada nos Campos Gerais eleva novamente o número de vítimas de uma única ocorrência rodoviária a um patamar que não era alcançado no Paraná desde então.

Uma marca que chama atenção

A comparação com Guaratuba ajuda a dimensionar a gravidade do desastre desta quarta-feira. Naquele acidente, o ônibus transportava dezenas de passageiros e saiu da pista no km 668 da BR-376, despencando às margens da rodovia. O balanço oficial consolidado apontou 19 mortos.

Em Ipiranga, a dinâmica foi diferente. O micro-ônibus municipal seguia pela BR-373 transportando pacientes e acompanhantes de Imbituva para atendimento médico quando ocorreu a colisão frontal com uma carreta. As informações preliminares apontam que o veículo de carga teria invadido a pista contrária, mas a causa e a dinâmica exata ainda dependem da perícia.

O saldo conhecido até o momento é de 23 mortos e cinco feridos. Entre os mortos estão os ocupantes do micro-ônibus e o motorista da carreta.

Outras tragédias permanecem na memória

Embora seja a ocorrência mais letal registrada pela PRF no Paraná desde 2021, o acidente da BR-373 não supera algumas das maiores tragédias rodoviárias já vividas pelo Estado.

Uma delas aconteceu em outubro de 1992, na BR-277, na Serra de São Luiz do Purunã. Um ônibus que havia saído de Tupã, no interior de São Paulo, com destino a Blumenau, caiu em uma ribanceira durante a madrugada. O coletivo levava 51 pessoas.

O desastre matou 37 pessoas — 35 moradores de Tupã e os dois motoristas do ônibus — e ficou marcado como a maior tragédia da história daquela cidade paulista.

A dimensão daquele episódio pode ser compreendida também pelo contexto da época. O acidente ocorreu antes da popularização dos telefones celulares e, por causa das características do terreno, o ônibus só foi localizado horas depois da queda. A notícia provocou uma comoção que paralisou Tupã.

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