Tibagi encerra Agosto Lilás com palestra e reforça que combate à violência contra a mulher deve continuar
Programação reuniu estudantes, representantes de colégios e moradores em atividade voltada à prevenção, denúncia e mudança de comportamento
Da Redação*
Tibagi – O municipio encerrou nesta segunda-feira (31) as atividades do Agosto Lilás, campanha nacional voltada à conscientização e ao enfrentamento da violência contra a mulher. O encerramento ocorreu com uma palestra de Larissa Hack, que reuniu estudantes, representantes de instituições de ensino e outros participantes para discutir prevenção, formas de violência, canais de denúncia e responsabilidade coletiva.
Realizado com o tema “Agosto Lilás: sensibilização, prevenção e roda de conversa”, o encontro buscou ampliar o debate para além das situações vivenciadas pelas vítimas. A participação dos homens e o papel da sociedade na prevenção também estiveram entre os assuntos abordados.
Durante a palestra, Larissa Hack chamou atenção para a necessidade de manter o tema em discussão durante todo o ano. Para ela, o Agosto Lilás contribui para tornar mais conhecidos os diferentes tipos de violência, os mecanismos disponíveis para denúncia e as formas de prevenção, mas a mudança de comportamento depende de uma discussão permanente.
“O Agosto Lilás foi instituído por lei federal justamente para que fosse lembrado, para que se conscientizasse sobre os tipos de violência, canais de denúncia e para a construção da mudança de cultura, que é o que realmente vai conseguir vencer essa cultura de violência contra as mulheres”, explicou.
A palestrante também defendeu que o debate não fique restrito às mulheres. Na avaliação dela, envolver homens e a comunidade é fundamental para questionar comportamentos e padrões que contribuem para a permanência da violência.
“O diálogo também aborda o comportamento dos homens e o posicionamento da sociedade como um todo. A gente espera encerrar hoje não só trazendo respostas, mas deixando muitas perguntas, porque essa pauta não se fala só em agosto. É uma pauta para se falar todos os dias”, afirmou.

Atividades alcançaram diferentes públicos
A programação desenvolvida durante o mês pela Secretaria Municipal de Assistência Social incluiu ações direcionadas a diferentes faixas etárias e localidades de Tibagi. O calendário teve palestras, rodas de conversa, atividades com moradores do interior e iniciativas educativas voltadas aos adolescentes.
Uma das atividades contou com a participação da doutora Ana Berck. A Patrulha Maria da Penha também esteve presente em encontros realizados com grupos do interior e participantes do Serviço de Convivência.
Nas escolas, o assunto foi trabalhado por meio de gincanas e outras atividades educativas. A proposta, conforme explicou a secretária municipal de Assistência Social, Raquel Krüger, foi utilizar diferentes formatos para aproximar o tema dos estudantes.
“Este Agosto Lilás teve muitas programações. Também realizamos gincanas nas escolas para levar essa informação aos adolescentes de uma forma mais lúdica”, afirmou.
Para Raquel, o encerramento das atividades não representa o fim das discussões sobre violência contra a mulher. A secretária destacou que o tema precisa permanecer presente nas ações de conscientização desenvolvidas ao longo do ano.
“Hoje encerramos a campanha com essa palestra maravilhosa da Larissa Hack, que traz mais informações e conscientização para nós. Mas a gente fala do Agosto Lilás e não é só este mês. É durante todos os meses”, declarou.
Denúncia pode interromper ciclo de violência
Outro ponto reforçado durante a programação foi a importância de procurar ajuda diante de situações de violência. A orientação vale tanto para mulheres que estejam sofrendo agressões quanto para pessoas que presenciem ou tenham conhecimento de casos.
O Ligue 180 oferece orientação e atendimento relacionados à violência contra a mulher. Em situações de emergência, a Polícia Militar pode ser acionada pelo 190. No município, a rede de proteção também pode ser procurada, incluindo o CREAS, que realiza orientações e encaminhamentos conforme cada caso.
Raquel Krüger ressaltou que o enfrentamento não depende apenas da vítima. Para a secretária, familiares, vizinhos, amigos e demais integrantes da comunidade também podem exercer papel importante ao não ignorar sinais de violência.
“Não fique quieta, denuncie. Não se omita. Em briga de marido e mulher, a gente põe a colher, sim”, afirmou.
O encerramento do Agosto Lilás, em Tibagi, colocou novamente em pauta uma questão que ultrapassa o calendário da campanha: a necessidade de reconhecer situações de violência, buscar orientação e fortalecer a rede de proteção. A continuidade dessas discussões, envolvendo mulheres, homens, estudantes e comunidade, permanece como parte do enfrentamento ao problema.