Setor do agro articula nome de Aline Sleutjes para Secretaria da Agricultura do Paraná
Castrense e segunda suplente de deputada federal pelo PL nessas eleições, Aline afirma que movimento reúne sindicatos rurais, cooperativas, sociedades rurais, entidades e federações de diferentes regiões do Estado; escolha, porém, caberá ao governador eleito
Da Redação
Castro – Um movimento que começou no domingo (4) à noite passou a colocar o nome da castrense Aline Sleutjes entre as possibilidades para ocupar a Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento em um eventual governo de Sérgio Moro.
Segunda suplente de deputada federal pelo PL nas eleições deste ano, Aline revelou ao Página Um News, em entrevista realizada na quarta-feira (7), que passou a receber manifestações de integrantes de sindicatos rurais, sociedades rurais, cooperativas, entidades e federações defendendo sua indicação para o comando da pasta.
Segundo ela, a mobilização não está restrita aos Campos Gerais. “É um movimento espontâneo, vindo de todos os segmentos, das cooperativas, e não só dos Campos Gerais, mas tem pessoas envolvidas em todos os cantos do Estado”, afirmou.
Aline ressalta, entretanto, que a eventual indicação não depende dela. “Isso não depende de mim, isso depende do governador eleito”, disse.
Carta de intenção
De acordo com a ex-deputada, diante da mobilização, representantes do setor iniciaram a elaboração de uma carta de intenção, acompanhada de uma minuta de indicação de seu nome. O documento reúne sua trajetória e experiência no setor agropecuário.
Entre os argumentos apresentados estão sua atuação como presidente da Comissão de Agricultura, a participação em missões internacionais voltadas à abertura de mercados para a agropecuária brasileira e a autoria e relatoria de projetos de lei relacionados ao agronegócio.
Aline afirma ter recebido o movimento com satisfação, principalmente por entender que ele representa uma manifestação de reconhecimento à sua trajetória.
“Isso demonstra a gratidão e a valorização do meu trabalho no agro e em todo o tempo que já estive na política”, afirmou.
Desejo é voltar à Câmara
Apesar da possibilidade de assumir a Secretaria da Agricultura, Aline deixa claro que seu primeiro desejo é outro: retornar à Câmara dos Deputados.
Ela ficou como segunda suplente na disputa pela Câmara e explica que gostaria de reassumir uma cadeira em Brasília para retomar os trabalhos que desenvolveu durante seu primeiro mandato.
“Eu gostaria muito de assumir a minha cadeira como deputada federal para retomar os meus trabalhos em Brasília e voltar a cuidar de praticamente todo o Estado do Paraná”, afirmou.
Aline cita ainda projetos de sua autoria que permanecem em tramitação e que pretende acompanhar, além da intenção de voltar a atuar diretamente na representação política do Estado.
Mas existe uma condição que pode alterar esse cenário. “Se não houver possibilidade do segundo suplente, de mais um deputado assumir uma secretaria para eu poder assumir minha cadeira, eu ficarei muito honrada com a indicação para a Secretaria de Agricultura”, explicou.
Para ela, a pasta também permitiria uma atuação diretamente relacionada à sua experiência.
“É um setor que eu entendo bastante, que eu domino o assunto, que eu poderei fazer um trabalho bem técnico e também com o apoio político”, afirmou.
Aline acrescenta que sua experiência política e o relacionamento construído ao longo dos anos com prefeitos paranaenses poderiam contribuir para aproximar os municípios do governo estadual.
Ainda assim, ao ser colocada diante da possibilidade de escolher entre a Câmara e a Secretaria, ela não esconde a preferência. “Se eu pudesse escolher hoje, o meu desejo, o meu esforço maior seria para ocupar a minha cadeira como deputada federal”, declarou.

Conversa com Filipe Barros
A mobilização em torno do nome de Aline ocorre paralelamente às articulações políticas para o segundo turno da eleição presidencial.
Na terça-feira (6), Aline esteve com Filipe Barros, eleito senador da República, inicialmente para parabenizá-lo pelo resultado eleitoral e se colocar à disposição para o trabalho em favor da candidatura de Flávio Bolsonaro no segundo turno.
Segundo Aline, Filipe Barros estava em Brasília em conversas com Valdemar Costa Neto e Sérgio Moro sobre a campanha e a estrutura necessária para a nova etapa eleitoral.
Ela afirma que também deverá participar diretamente da mobilização nos Campos Gerais, ajudando não apenas na busca por votos, mas na organização e ampliação da votação de Flávio Bolsonaro. “Ele me convidou para estar nessas caravanas”, contou.
A estratégia deverá incluir ações nos municípios em que Flávio teve desempenho inferior no primeiro turno.
“Vamos fazer um trabalho muito grande nos municípios que nós perdemos”, disse Aline, acrescentando que a intenção é realizar caravanas e ampliar a presença da campanha nessas localidades.
Em Castro, segundo ela, grupos que participaram da mobilização anterior já começaram a se organizar novamente. Aline também informou que existe a possibilidade de uma nova carreata em Castro no dia 24.
Campos Gerais perderam representação
Na avaliação de Aline, o resultado das eleições também trouxe uma consequência negativa para os Campos Gerais no que diz respeito à representação política.
“A constatação dos Campos Gerais em questão política é muito ruim, porque já tínhamos poucos representantes, dois federais, caiu para um, e um de centro-esquerda”, afirmou.
Para ela, a região terminou a eleição com uma representação menor em Brasília, o que aumenta a preocupação sobre sua capacidade de defender interesses regionais junto ao governo federal.
Segundo turno
Aline também confirmou que os grupos que participaram de sua campanha no primeiro turno continuam mobilizados.
“Os grupos que nos ajudaram no primeiro turno continuam fortes”, afirmou, explicando que, até o momento da entrevista, ainda não havia ocorrido uma busca mais ampla por novos grupos políticos para a segunda etapa da eleição.
Ela aguarda novas orientações de Filipe Barros sobre a estratégia da campanha, especialmente em relação à estrutura e aos materiais que estarão disponíveis.
Transição para o governo Moro
Outro assunto tratado por Aline foi a transição entre os governos. Segundo ela, Filipe Barros informou que o processo deverá começar na próxima semana, com a abertura das conversas entre a equipe do governador Ratinho Junior e a equipe do governador eleito Sérgio Moro.
“Acho importante essa transição. Já começar para ser devagar, para ter bastante qualidade e para realmente a gente poder obter um sucesso e iniciar já um governo ativo, bem estruturado, montado”, afirmou.
A possibilidade de ocupação de cargos no futuro governo, contudo, segundo Aline, deverá ser tratada com cautela.
Ela fez questão de afirmar que nunca houve compromisso ou exigência de uma secretaria em troca do apoio político.
“Não existe nenhuma obrigatoriedade por parte do Moro, nunca tratamos sobre isso, nunca exigi uma cadeira caso não viesse a ser eleita”, afirmou.