Represa de Alagados volta a sangrar após chuvas e recupera nível em Ponta Grossa e Carambeí

Água voltou a passar pelo vertedouro da barragem nesta semana após meses de estiagem e preocupação com o abastecimento

Emerson Teixeira

Carambeí – Depois de meses marcados por estiagem, redução no volume de água e preocupação com o abastecimento, a Represa de Alagados voltou a registrar sangramento nesta quinta-feira (14), nos Campos Gerais. Vídeos divulgados por moradores e pescadores mostram a água passando novamente sobre o ladrão da barragem, cenário que não era visto há um longo período.

Um dos vídeos foi compartilhado pela página “Alagados PG Fishing”, em publicação feita nas redes sociais com vídeo enviado por um seguidor. A recuperação do nível da represa também chamou atenção em outros pontos do manancial, especialmente na região do “Tubo”, em Carambeí, onde a água voltou a cobrir áreas que estavam tomadas pela vegetação durante a seca.

A Represa de Alagados é uma das principais fontes de abastecimento de água de Ponta Grossa e vinha sendo monitorada de perto desde o início de 2026. No começo do ano, o reservatório chegou a operar em níveis considerados preocupantes pela Sanepar.

Histórico

Em fevereiro, o nível da represa atingiu 7,45 metros em uma escala que vai até 10 metros. Segundo a companhia de saneamento, a situação entra em estado crítico quando o indicador fica abaixo dos 7 metros. A combinação entre chuvas abaixo da média histórica, altas temperaturas e aumento no consumo de água contribuiu para a redução do volume armazenado.

Além da baixa no nível, moradores de Ponta Grossa também enfrentaram problemas relacionados à qualidade da água nos primeiros meses do ano. Em março, consumidores relataram gosto e cheiro alterados na água distribuída. Na época, a Sanepar informou que o fenômeno estava associado à proliferação atípica de algas na represa, situação favorecida pela estiagem prolongada e pelo calor intenso.

A preocupação com a situação hídrica levou o Governo do Paraná a decretar emergência hídrica em todo o estado no início de maio, medida válida por seis meses. O decreto estabeleceu ações prioritárias para preservação dos recursos hídricos diante do cenário de seca registrado em diversas regiões paranaenses.

A mudança no cenário começou após as chuvas intensas registradas entre os dias 13 e 14 de maio. O volume elevado de precipitação provocou rápida recuperação da represa, levando novamente o reservatório à capacidade máxima em alguns pontos.

Atualmente, cerca de 70% da água consumida em Ponta Grossa é captada do Rio Pitangui, enquanto aproximadamente 30% vêm da Represa de Alagados. O reservatório tem papel estratégico para o abastecimento da cidade e também influencia comunidades rurais e áreas próximas de municípios como Carambeí.

Historicamente, a represa já passou por períodos críticos. Em 2020, durante outra crise hídrica, a baixa no nível da água chegou a revelar trechos da antiga Estrada Velha, normalmente submersa.

Para reduzir os impactos de futuras estiagens, a Sanepar também prevê ampliar as fontes de abastecimento da região, incluindo um projeto de captação no Rio Tibagi. A proposta inclui construção de estação de tratamento, reservatórios e adutoras.

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