Polícia apura se houve demora no socorro após queda que matou menino de 12 anos em Castro

Luigi Gabriel da Cruz Sales morreu após mais de uma semana internado; investigação analisa acidente ocorrido durante brincadeira em escola estadual e o atendimento prestado após a queda

Da Redação

Castro – Luigi Gabriel da Cruz Sales foi sepultado na segunda-feira (5), a dor da despedida precoce ficou para familiares e amigos e o caso ganhou projeção nacional, com a morte do menino de 12 anos sendo repercutida em veículos de comunicação de todo o país. Agora, além das circunstâncias da queda que provocou uma grave lesão no rim, a Polícia Civil do Paraná (PCPR) investiga se houve demora ou eventual omissão na prestação de socorro após o acidente ocorrido no Colégio Estadual Professor Basílio Chrum, em Castro.

O menino caiu no dia 25 de setembro, durante uma brincadeira com colegas no pátio da instituição. Ele permaneceu internado por mais de uma semana em estado grave e morreu no sábado (4), em decorrência das complicações provocadas pelo ferimento.

Como aconteceu a queda

A investigação busca reconstruir em detalhes a brincadeira que antecedeu o acidente. Conforme os relatos reunidos pela polícia, uma das crianças se sentava no chão enquanto dois colegas seguravam seus braços, um de cada lado. Os dois então levantavam a criança, que dava um impulso para tentar ficar de pé.

Foi durante essa sequência que Luigi perdeu o equilíbrio. Ao ser erguido pelos colegas e tentar se colocar de pé, ele caiu de frente e bateu o tórax contra o chão. O impacto provocou a lesão que atingiu o rim.

Em entrevista, o delegado Marcondes Ribeiro explicou que, logo após a queda, Luigi passou a sentir dores e deixou o local da brincadeira em busca de ajuda.

Câmeras de segurança da escola registraram o momento do acidente. As imagens estão sendo analisadas pela Polícia Civil e não foram divulgadas.

Atendimento após a queda é um dos pontos investigados

De acordo com a investigação, Luigi começou a sentir fortes dores logo depois do acidente e procurou ajuda dentro da escola.

O intervalo entre a queda e o encaminhamento para atendimento médico passou a fazer parte da apuração. A queda teria ocorrido por volta das 13h40. O menino foi levado à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) às 16h25 pela equipe da escola.

O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) também chegou a ser acionado. Conforme informado à investigação, a equipe avaliou que, naquele momento, não se tratava de uma situação grave e o atendimento não foi realizado.

A Polícia Civil pretende esclarecer o que ocorreu durante esse período, quais providências foram adotadas pela escola e se houve alguma conduta que possa ter contribuído para o agravamento do quadro.

Polícia trata queda como acidente

Até o momento, a investigação não aponta que os colegas tenham provocado a queda com a intenção de ferir Luigi. A principal linha trabalhada pela polícia é de que o menino se machucou durante uma brincadeira entre estudantes.

Em entrevista ao G1 Paraná, o delegado Marcondes Ribeiro afirmou que, numa avaliação preliminar, não identifica intenção dos adolescentes de provocar o resultado que acabou ocorrendo.

“Não acredito, de forma preliminar, que houve uma intenção ou que algum adolescente assumiu risco de produzir resultado morte.”

O delegado ressaltou, porém, que a circunstância da morte exige uma investigação detalhada. “Como não é uma morte natural, é uma morte completamente extraordinária, nós vamos fazer a apuração bem a fundo”, afirmou.

A investigação deverá considerar tanto a dinâmica da brincadeira quanto as providências adotadas imediatamente após a queda.

Após o acidente, Luigi sofreu um rompimento no rim e precisou permanecer hospitalizado por mais de uma semana. O quadro se agravou até a morte, registrada no sábado (3).

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