Imigração japonesa completa 118 anos e deixa legado na agricultura e na cultura de Castro e do Paraná
Data celebra a chegada do navio Kasato Maru ao Brasil e relembra a contribuição da comunidade nipo-brasileira para o desenvolvimento dos Campos Gerais.
Emerson Teixeira
Castro – Há exatos 118 anos, a chegada do navio Kasato Maru ao Porto de Santos mudava o rumo da história brasileira. Em 18 de junho de 1908, os primeiros imigrantes japoneses desembarcaram no país para trabalhar nas lavouras de café. Mais de um século depois, a presença da comunidade nipo-brasileira continua marcando a economia, a agricultura e a cultura nacional — e também faz parte da trajetória de municípios dos Campos Gerais, como Castro.
O Brasil abriga atualmente a maior população de descendentes de japoneses fora do Japão, com mais de dois milhões de pessoas. Ao longo das décadas, famílias que chegaram ao país enfrentaram dificuldades relacionadas ao idioma, ao clima e à adaptação a uma nova realidade, mas ajudaram a transformar diferentes regiões por meio do trabalho agrícola, da organização comunitária e da preservação de suas tradições.
No Paraná, a imigração japonesa começou ainda nos primeiros anos do século XX e se expandiu para diversas regiões. Em Castro, a presença da comunidade ganhou força com o desenvolvimento da agricultura e da atuação da antiga Cooperativa Agrícola de Cotia (CAC), que teve papel relevante na organização dos produtores rurais e na difusão de novas técnicas de cultivo.
A cidade também consolidou sua identidade cultural com a criação, em 1984, da Associação Cultural e Esportiva de Castro (ACEC), entidade que reúne descendentes e simpatizantes da cultura japonesa. Desde então, o espaço promove atividades esportivas, culturais e sociais voltadas à preservação das tradições e ao fortalecimento dos laços entre as famílias da comunidade.

Embora Castro seja amplamente reconhecida pela colonização holandesa de Castrolanda, a contribuição dos imigrantes japoneses também integra a formação econômica e social do município. Ao longo das décadas, agricultores de origem japonesa participaram da diversificação da produção agrícola e do desenvolvimento de culturas que fortaleceram o setor rural da região.
A influência japonesa ultrapassa o campo. Costumes, gastronomia, artes marciais, festivais culturais e valores ligados à disciplina e ao trabalho passaram a fazer parte do cotidiano brasileiro, tornando-se elementos presentes em diferentes comunidades espalhadas pelo país.
No cenário econômico, Brasil e Japão mantêm uma parceria consolidada. As relações diplomáticas entre os dois países completaram 130 anos em 2025, enquanto o intercâmbio comercial segue em expansão, com cooperação nas áreas de tecnologia, pesquisa agropecuária, inovação e sustentabilidade. Projetos desenvolvidos entre instituições brasileiras e japonesas buscam ampliar o uso de ferramentas digitais e inteligência artificial no agronegócio, setor que continua sendo um dos principais pontos de aproximação entre as duas nações.
Homenagem na Alep
A passagem dos 118 anos da imigração japonesa foi lembrada nesta semana em uma sessão solene realizada pela Assembleia Legislativa do Paraná. A iniciativa reuniu representantes da comunidade nikkei, autoridades e entidades culturais para destacar a contribuição dos imigrantes ao desenvolvimento do estado.
Durante a cerimônia, o deputado estadual Jairo Tamura (PL), autor da homenagem, ressaltou a importância do reconhecimento à comunidade. “É muito importante comemorarmos essa data, principalmente por nós que representamos a comunidade Nikkei. Estamos aí para agradecer e reconhecer toda a contribuição e legado que eles trouxeram e continuam trazendo para nós no Paraná.”
O presidente da Associação Cultural e Beneficente Nipo-Brasileira de Curitiba (Nikkei Curitiba), Everson Takayama, também lembrou os desafios enfrentados pelos pioneiros. “Eles não falavam a língua, não conheciam o clima e enfrentaram desafios inimagináveis, mas trouxeram consigo valores milenares, que se tornaram a base da nossa identidade.”