HÁ 30 ANOS: morador de Carambeí estava entre as 99 vítimas da queda do Fokker 100 da TAM
Louwerinus Hoogerheide, o Rino, tinha 48 anos e era diretor de Vendas da Parmalat Brasil. Na época, Carambeí ainda era distrito de Castro.
Da Redação*
Carambeí – Na manhã de 31 de outubro de 1996, um avião caiu poucos segundos depois de decolar do Aeroporto de Congonhas, em São Paulo. A aeronave, um Fokker 100 da TAM, despencou sobre uma área residencial do bairro Jabaquara. O acidente matou 99 pessoas e entrou para a história da aviação brasileira como uma das maiores tragédias envolvendo uma companhia aérea no país.
Três décadas depois, a história daquela queda também encontra um vínculo direto com os Campos Gerais. Entre os passageiros que morreram estava Louwerinus Hoogerheide, conhecido como Rino, de 48 anos. Diretor de Vendas da Parmalat Brasil, ele morava em Carambeí, que naquele período ainda era distrito de Castro.
Uma trajetória entre a Holanda e Carambeí
Nascido em Kortgene, na Holanda, Louwerinus Hoogerheide veio ainda menino para o Brasil e estabeleceu residência em Carambeí. Era conhecido profissionalmente como Rino.
Sua trajetória na Parmalat havia começado em abril de 1994, quando assumiu a responsabilidade pela regional do Rio de Janeiro. Posteriormente, passou a responder pela regional de São Paulo.
Em março de 1995, chegou à diretoria da holding Parmalat, assumindo a coordenação das vendas da companhia na América Latina e na China. Na época de sua morte, ocupava o cargo de diretor de Vendas da Parmalat Brasil.
A dimensão de sua posição na empresa também ficou evidente após o acidente. Temporariamente, as funções desempenhadas por Rino foram atribuídas ao próprio presidente da holding, Gianni Grisendi.
Apenas 24 segundos no ar
O voo 402, operado pelo Fokker 100 de matrícula PT-MRK, tinha como destino o Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro.
Segundo o relatório final do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA), logo depois da decolagem, o reversor de empuxo do motor direito abriu inadvertidamente.
O equipamento, projetado para auxiliar na redução da velocidade da aeronave durante o pouso, acabou comprometendo o desempenho do avião ainda durante a subida. O Fokker 100 permaneceu no ar por aproximadamente 24 segundos antes de perder o controle e atingir uma área residencial do Jabaquara.
A investigação identificou uma combinação de problemas técnicos e operacionais. Falhas nos sistemas de reversão e indicação impediram que a tripulação recebesse o aviso específico de que o reversor estava destravado.
O relatório também apontou fatores humanos e organizacionais, entre eles a falta de informações e de treinamento prático para lidar com aquela situação de emergência.
O documento do CENIPA ressalta que investigações de segurança aeronáutica têm finalidade preventiva: identificar fatores que contribuíram para um acidente e evitar novas ocorrências, não estabelecer culpa ou responsabilidade.
A tentativa de evitar uma tragédia ainda maior
Os últimos instantes do voo também ficaram registrados na memória de testemunhas e na cobertura jornalística da época.
Uma retrospectiva da Memória Globo recuperou relatos de pessoas que presenciaram a queda e descreveram a tentativa do comandante de desviar a aeronave de uma escola.
Segundo a reconstrução apresentada pela publicação, uma das frases atribuídas ao piloto nos momentos finais foi: “Estou livrando a escola”.
O episódio integra os relatos históricos sobre a tragédia. Já a explicação técnica das circunstâncias que levaram à queda está documentada no relatório final do CENIPA.
99 vidas perdidas
O balanço oficial do acidente, apresentado pelo CENIPA, contabiliza 99 mortos: 89 passageiros, seis tripulantes e quatro pessoas que estavam em terra.