Flávio Bolsonaro diz que deixou o Brasil para manter atuação política e critica instituições
Em transmissão no Instagram, senador afirmou que continuará exercendo liderança política nos Estados Unidos, defendeu Rogério Marinho para a presidência do Senado e admitiu disputar novamente a Presidência da República.
Emerson Teixeira
Castro – O senador Flávio Bolsonaro (PL) falou publicamente pela primeira vez após viajar para os Estados Unidos. Em uma transmissão ao vivo no Instagram, na noite de sexta-feira (30), ele afirmou que decidiu deixar o Brasil com a família para continuar atuando politicamente e manifestar suas posições com maior liberdade.
Durante a transmissão, Flávio relatou que a decisão foi tomada após uma visita ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que está em prisão domiciliar. Segundo o senador, o encontro ocorreu na segunda-feira seguinte às eleições e teve duração autorizada de 30 minutos.
Ele afirmou que, ao término da visita, foi informado de que havia agentes da Polícia Federal na entrada da residência e, ao sair, recebeu uma intimação sobre uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinava a apreensão de seus passaportes e o proibia de deixar o país.
Flávio também relatou uma conversa reservada com o pai. Segundo sua versão, Jair Bolsonaro teria demonstrado preocupação com os desdobramentos da decisão e perguntado: “Já sabe onde eles querem chegar com isso, né?”. O senador afirmou que respondeu que enfrentaria a situação e que Deus estava no comando.
Na transmissão, ele classificou o cenário político e institucional brasileiro como um “regime de exceção” e criticou a atuação do STF. Também questionou a decisão judicial que, segundo afirmou, foi tomada sem manifestação prévia da Procuradoria da República. Flávio ainda contestou uma acusação que relacionou seu nome a contas bancárias de um amigo e declarou que o Banco Santander teria encaminhado um ofício comprovando que ele não tinha relação com a empresa mencionada.
O senador afirmou que a saída do país foi uma decisão pessoal e familiar. “Digo que não saí do Brasil; eu saí pelo Brasil”, declarou. Ele disse que os advogados adotarão as medidas jurídicas cabíveis, mas afirmou não confiar na possibilidade de recorrer às instituições brasileiras diante do que considera uma atuação político-partidária da mais alta corte.
Atuação no Congresso
Flávio indicou que pretende manter sua atuação política a partir dos Estados Unidos e apontou o Congresso Nacional, especialmente o Senado Federal, como principal espaço de articulação. Ele declarou apoio à candidatura de Rogério Marinho à presidência do Senado e pediu que parlamentares cobrem apoio à candidatura.
O senador também criticou a possibilidade de a liberdade do pai ser utilizada em negociações políticas. Durante a live, classificou essa estratégia como “nojenta” e pediu que deputados e senadores continuem exercendo seus mandatos sem medo.
Ao falar sobre o futuro político, Flávio afirmou que se sente preparado para novos desafios e não descartou disputar novamente a Presidência da República. “Com quase 60 milhões de votos recebidos, me sinto honrado e preparado para qualquer desafio futuro, inclusive disputar a presidência da República novamente se necessário, antes mesmo de 2030”, afirmou.
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