Esmagadora Campos Gerais: maior intercooperação da história do Paraná inicia suas operações
Com capacidade diária para 3,4 mil toneladas de soja, complexo industrial tem como sócias as cooperativas Frísia, Agrária, Capal, Coasul, Integrada, Castrolanda e Bom Jesus
Da Redação
Ponta Grossa – A antiga unidade da Louis Dreyfus Company (LDC) em Ponta Grossa passou a operar sob o comando de sete cooperativas paranaenses neste mês. O complexo industrial, batizado de Esmagadora Campos Gerais, iniciou a produção em 3 de agosto, dois dias depois de ser oficialmente assumido pelas novas sócias.
A operação reúne Frísia, Agrária, Capal, Coasul, Integrada, Castrolanda e Bom Jesus. O grupo considera o empreendimento o maior projeto de intercooperação já desenvolvido no Paraná e pretende ampliar a participação das cooperativas na industrialização da soja, etapa que permite agregar valor à produção entregue pelos cooperados.
A apresentação oficial da parceria ocorreu nesta segunda-feira (17), em um almoço com o governador Ratinho Junior e representantes das sete cooperativas. O encontro marcou a divulgação conjunta da nova estrutura empresarial.
A Frísia ficará responsável pela gestão do complexo. A cooperativa já possui histórico de participação em iniciativas envolvendo diferentes organizações do sistema cooperativista paranaense.
Para o superintendente da Frísia, Mario Dykstra, a operação representa uma mudança de escala na atuação conjunta das cooperativas.
“Esse empreendimento demonstra a maturidade do cooperativismo paranaense”, afirmou Dykstra, ao destacar que a proposta busca ampliar a industrialização da soja e a geração de valor para os produtores.
Estrutura e capacidade
Instalada em uma área de 58,08 hectares, a indústria possui estrutura para receber, processar e armazenar grãos. A capacidade estática de armazenamento chega a 300 mil toneladas.
O complexo conta também com instalações para preparação da soja, extração de óleo e farelo, produção e envase de lecitina e refino. Aproximadamente 200 trabalhadores atuam na unidade.
A produção começou poucos dias depois da transferência oficial de gestão. A operação foi efetivada em 1º de agosto, enquanto o processamento industrial teve início no dia 3.
Óleo, farelo e outros derivados
A unidade terá como principais produtos o óleo de soja degomado e o farelo de soja. O óleo deverá ser direcionado principalmente à cadeia de biocombustíveis, enquanto o farelo terá destinação para o mercado brasileiro e também para exportação.
A planta também produz lecitina e casca de soja. Esses derivados encontram aplicação em segmentos como a indústria alimentícia e a fabricação de produtos destinados à nutrição animal.
O especialista de Projetos e Novos Negócios da Frísia, Diego Miyasaka, explica que a diversificação dos produtos amplia as possibilidades de aproveitamento da matéria-prima processada na unidade.
Uma operação de grande escala
A dimensão da parceria pode ser medida pelos números das sete cooperativas. Juntas, elas representam cerca de 57 mil cooperados e 16 mil funcionários, com atuação sobre aproximadamente 2,1 milhões de hectares cultivados.
O faturamento anual somado das organizações ultrapassa R$ 47 bilhões.