El Niño deve aumentar o volume de chuvas nos Campos Gerais até o verão de 2027, aponta Simepar

Fenômeno climático já identificado no Oceano Pacífico tende a provocar precipitações acima da média em todo o Paraná, com reflexos também para a agricultura da região.

Da Redação

Castro – As condições climáticas nos Campos Gerais devem mudar gradualmente nos próximos meses com o fortalecimento do fenômeno El Niño. Embora as regiões Oeste e Sudoeste do Paraná estejam entre as áreas com maior previsão de chuva, os municípios de Castro, Carambeí, Ponta Grossa e demais cidades da região também devem registrar precipitações acima da média histórica até o verão de 2027.

A projeção faz parte de uma nota técnica elaborada pelo Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar), baseada em atualizações divulgadas por centros internacionais de monitoramento climático, entre eles a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA). Os dados indicam que o El Niño, identificado em junho deste ano, ganhará intensidade ao longo do inverno e deverá atingir seu pico entre a primavera de 2026 e o verão de 2027.

As estimativas apontam mais de 80% de probabilidade de o fenômeno alcançar intensidade forte ou muito forte, cenário que costuma alterar significativamente o regime de chuvas no Sul do Brasil.

Nos Campos Gerais, apesar da previsão indicar impactos menores em comparação com o Oeste e o Sudoeste paranaense, a tendência continua sendo de volumes superiores aos padrões climatológicos. Isso significa que episódios de chuva poderão ocorrer com maior frequência, reduzindo os períodos prolongados de tempo seco característicos do inverno.

O Simepar alerta que o aumento da umidade também favorece a formação de sistemas atmosféricos capazes de provocar temporais em curtos intervalos. Nesses episódios, há possibilidade de ocorrência de descargas elétricas, rajadas de vento e, em algumas situações, queda de granizo.

Na primavera, período em que os efeitos do El Niño costumam ser mais expressivos, cresce a preocupação com eventos prolongados de chuva. Dependendo da intensidade, esse cenário pode elevar o risco de alagamentos, enxurradas, inundações e movimentos de massa em diferentes regiões do estado.

Reflexos no campo

Para os Campos Gerais, onde o agronegócio tem papel central na economia, o comportamento do clima será acompanhado de perto pelos produtores rurais. A maior disponibilidade de água pode favorecer o desenvolvimento de diversas culturas, especialmente após períodos de estiagem.

Por outro lado, o excesso de precipitação também impõe desafios. A umidade elevada pode dificultar operações de plantio e colheita, reduzir as janelas de trabalho nas lavouras, favorecer o surgimento de doenças fúngicas e, dependendo da cultura e da fase de desenvolvimento, comprometer a qualidade da produção agrícola. Outro ponto de atenção é o aumento do risco de erosão do solo em áreas mais suscetíveis.

Monitoramento continua

Apesar das tendências apontadas para os próximos meses, o Simepar ressalta que o El Niño não determina, por si só, quando ocorrerão os episódios de chuva intensa. A formação de frentes frias, sistemas de baixa pressão e outros mecanismos atmosféricos continuará sendo decisiva para definir a distribuição e a intensidade das precipitações.

Por esse motivo, o acompanhamento diário das previsões meteorológicas permanece fundamental, principalmente para agricultores, gestores públicos e moradores de áreas sujeitas a alagamentos.

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