Castrolanda se despede de Wybe de Jager, liderança histórica da cooperativa e da comunidade
Ex-presidente da Castrolanda e primeiro presidente da Associação dos Moradores de Castrolanda foi sepultado na tarde de quinta-feira (27), na colônia
Emerson Teixeira
Castro – A comunidade de Castrolanda se despediu na quinta-feira (27) de Wybe de Jager, agricultor e uma das figuras que participaram de diferentes momentos da organização social e do desenvolvimento da colônia. O sepultamento ocorreu à tarde, no cemitério de Castrolanda, após o culto fúnebre que reuniu familiares, amigos e representantes de instituições ligadas à comunidade.
Wybe presidiu a Castrolanda e também foi o primeiro presidente da Associação dos Moradores de Castrolanda. Ao longo da vida, esteve envolvido em conselhos, comitês e outras organizações locais, mantendo participação em atividades relacionadas à cooperativa e à vida comunitária.
Durante a cerimônia, a filha, Monique, fez uma homenagem ao pai. Em sua fala, recordou a dedicação de Wybe à família, à igreja e às entidades das quais participou.
“Pai querido, que vida linda e abençoada o senhor viveu. Quantas lembranças, quantos ensinamentos nos deixou”, afirmou.
Monique também lembrou a presença constante do pai na igreja. Conforme o relato, ele participava dos cultos aos domingos, integrava o coral e tinha na música uma forma de expressar a fé e encontrar conforto nos momentos de preocupação.
A família também agradeceu aos profissionais e cuidadores que acompanharam Wybe durante o período em que enfrentou problemas de saúde. Foram mencionados integrantes do Lar dos Idosos e Assistencial Eben Haezer, os fisioterapeutas Fredy e Édipo e os médicos Júlio César e Sara.
Participação na vida comunitária
A trajetória de Wybe ultrapassou a atividade agrícola. Sua atuação em diferentes organizações da colônia foi lembrada durante as homenagens.
Frans Borg, ex-presidente da Castrolanda, destacou a disposição de Wybe para assumir responsabilidades sempre que era chamado a colaborar.
“O Wybe era uma pessoa que sempre estava disposto quando a gente convidava ele pra organizar a sociedade. Seja em cooperativa, seja em outras organizações, comitês, o Wybe sempre estava disposto a dedicar seu tempo a isso”, disse.
Para Borg, essa participação deixou uma reflexão sobre a própria formação das comunidades. “Só existe uma comunidade desenvolvida se a sociedade é organizada”, afirmou.
Rafael Rabbers, gerente da Associação Cultural da Castrolanda, também ressaltou a atuação de Wybe em diferentes frentes. Ele lembrou a passagem pela presidência da cooperativa, a liderança inicial da associação de moradores e o envolvimento em comitês e conselhos locais.
Rabbers citou a passagem dele como integrante da comissão de construção do Memorial da Imigração Holandesa (moinho), “marco do cinquentenário da comunidade, onde eu tive muito contato com ele”, lembrou.
O prefeito de Castro, Reinaldo Cardoso, publicou uma mensagem de pesar nas redes sociais. Ao recordar a convivência com Wybe, classificou-o como “um bom companheiro de trabalho” e mencionou sua atuação como primeiro presidente da Associação dos Moradores de Castrolanda.
Pioneiro na adoção do plantio direto
A contribuição de Wybe também alcançou a agricultura. Ele esteve entre os primeiros produtores de Castrolanda a adotar o sistema de plantio direto nas lavouras, em um período em que a tecnologia ainda dava os primeiros passos na região.
Nos primeiros anos da década de 1970, a mudança na forma de trabalhar o solo enfrentava limitações técnicas e falta de equipamentos adequados. Wybe, Nonô Pereira e Franke Dijkstra formaram um grupo de agricultores que buscou alternativas para viabilizar a nova prática nas condições encontradas nos Campos Gerais.
A trajetória de Wybe de Jager ficou, assim, ligada não apenas à produção agrícola, mas também à organização da comunidade e à construção de estruturas de participação que marcaram a história de Castrolanda.
No encerramento da homenagem feita pela filha, a família destacou justamente esse legado. “Sua caminhada aqui na Terra se encerra, mas sua história permanece viva em nossos corações”, declarou Monique.