Castrolanda amplia diversificação e aposta em novas culturas para fortalecer negócios
Canola, resina e cevada estão entre as frentes em desenvolvimento; área cultivada com cevada chegou a 13.497 hectares em 2026.
Da Redação
Castro – A diversificação das atividades está entre as estratégias da Castrolanda para reduzir a dependência de uma única fonte de receita e ampliar as oportunidades de negócios para os cooperados. Aos 75 anos, a cooperativa mantém mais de 15 culturas e atividades em diferentes cadeias produtivas e avalia novas possibilidades de produção e atuação industrial.
Entre as frentes que recebem atenção estão a canola, como alternativa para a safra de inverno, a produção de resina, com perspectiva de desenvolvimento no longo prazo, e a cevada, cuja área cultivada pelos cooperados vem crescendo com o desenvolvimento da Maltaria Campos Gerais.
Para Vitor Almeida Fonseca, gerente de Estratégia e Comunicação da Castrolanda, a diversificação ajuda a reduzir a exposição dos negócios às oscilações de cada atividade. Segundo ele, quando uma cadeia enfrenta dificuldades, o desempenho de outra pode compensar parte dos resultados, enquanto a concentração em apenas um segmento aumenta a vulnerabilidade de produtores e empresas.

Canola ganha espaço na safra de inverno
A cooperativa voltou a avaliar o potencial da canola como alternativa para o período de inverno. A cultura já foi cultivada na região, mas perdeu espaço ao longo dos anos, principalmente em razão dos problemas provocados pelo mofo-branco, doença que trouxe insegurança aos produtores.
A retomada das avaliações considera as dificuldades de rentabilidade de culturas tradicionais, como o trigo, e as exigências de qualidade da cevada destinada à indústria cervejeira. O trabalho incluiu pesquisas, conversas com parceiros de mercado e acompanhamento de experiências de produtores atendidos pela assistência técnica da cooperativa.
A evolução das tecnologias de manejo, dos produtos e dos insumos contribuiu para uma nova avaliação da cultura. O mofo-branco, porém, continua sendo um risco que exige atenção. Conforme as experiências acompanhadas pela equipe técnica, o manejo da doença pode permitir bons resultados em determinadas condições.
A área cultivada pelos cooperados passou de aproximadamente 600 hectares na safra anterior para cerca de 2,3 mil hectares na atual, mais que triplicando. Para a próxima safra, a expectativa da cooperativa é alcançar entre 7 mil e 10 mil hectares, dependendo da adesão dos produtores e das condições de mercado.
O interesse também envolve a indústria. Segundo Vitor, a Cargill procurou a Castrolanda para discutir possibilidades de fomento à cultura, considerando sua atuação no mercado de óleos vegetais. Além da comercialização do grão, o óleo de canola possui características valorizadas pelo mercado de alimentos, o que amplia as possibilidades de utilização industrial.
Produção de resina ainda está em fase de desenvolvimento
Outra frente em avaliação é a produção de resina. Nesse caso, o trabalho está concentrado no incentivo ao cultivo e na ampliação do número de cooperados envolvidos. A intenção é desenvolver uma base produtiva que possa alcançar escala suficiente para justificar, futuramente, uma eventual avaliação de investimentos industriais.
Atualmente, cerca de 14 produtores já cultivam resina, enquanto outros seis manifestaram interesse em iniciar a produção durante o último evento de fomento.
A cooperativa ainda analisa a capacidade de produção, a demanda e as condições de mercado. A possibilidade de avançar para investimentos de maior porte depende da comprovação de volume e viabilidade para sustentar a cadeia.
Área de cevada cresce com desenvolvimento da maltaria
A cevada apresenta um estágio mais avançado de expansão entre as culturas destacadas pela cooperativa. O desenvolvimento da Maltaria Campos Gerais, empreendimento no qual a Castrolanda possui participação de 13,5%, fortaleceu a ligação entre a produção agrícola dos cooperados e a indústria.
Os números mostram o crescimento da área cultivada. Em 2024, foram aproximadamente 2.434 hectares. Em 2025, a área passou para 5.498 hectares. Já em 2026, os cooperados destinaram 11.539 hectares à cevada cervejeira e outros 1.958 hectares à cevada forrageira, totalizando 13.497 hectares.
Considerando a área total de 2026, o crescimento foi de aproximadamente 145% em relação ao ano anterior.
Novas oportunidades passam por estudos de viabilidade
A inclusão de novas culturas e atividades na estratégia da cooperativa depende de avaliações sobre as condições de produção, o mercado e os possíveis benefícios aos produtores.
De acordo com Vitor Almeida Fonseca, as ideias podem partir de colaboradores, cooperados, conselheiros e diretores. As propostas passam inicialmente por uma análise que considera fatores como adaptação ao solo e ao clima, potencial de mercado, possibilidade de expansão e preservação da rentabilidade.
As oportunidades priorizadas avançam para estudos exploratórios, que avaliam funcionamento do mercado, logística, exigências de produção e modelos de negócio. Conforme os resultados, podem ocorrer testes com cooperados e parceiros e análises de viabilidade financeira e de eventuais investimentos.
O processo também prevê a interrupção de estudos quando os resultados indicam que determinada atividade não é adequada. Atualmente, a Castrolanda conduz mais de dez avaliações em paralelo, embora nem todas estejam em estágio que permita divulgação.