Castro articula parcerias para se transformar em referência nacional no ensino da agropecuária

Grupo de trabalho reúne Prefeitura, Cooperativa Castrolanda, universidades, instituições de ensino e pesquisa e governo do Estado para implantar hub educacional no Parque Tecnológico Agroleite, com formação de ensino médio, superior até doutorado

Da Assessoria

Castro – A Prefeitura de Castro, a Cooperativa Castrolanda e o Parque Tecnológico Agroleite iniciaram a articulação de uma grande parceria público-privada que pretende transformar o município no maior polo de educação voltado à agropecuária do país. A proposta é integrar Município, Cooperativa, universidades, instituições de ensino, pesquisa e inovação em um hub educacional instalado no Parque Tecnológico, oferecendo formação desde o ensino médio técnico, ensino superior, até programas de mestrado e doutorado.

Um passo importante foi dado na manhã desta quarta-feira (15), durante reunião realizada no Castrolanda ExpoCenter. O encontro reuniu representantes da Prefeitura, Cooperativa, Parque Tecnológico, Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), Universidade Federal do Paraná (UFPR), Instituto Cristão Mackenzie, Centro de Treinamento de Pecuaristas (CTP), Fundação ABC, Secretarias de Estado da Educação, Agricultura, e Inovação e Inteligência Artificial.

Durante a reunião foi formalizada a criação de um grupo de trabalho responsável por conduzir a implantação do centro tecnológico de educação agropecuária.

A iniciativa parte da vocação natural de Castro para o agronegócio. O município ocupa atualmente a terceira posição no Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP) do Paraná, com R$ 3,62 bilhões movimentados pelo setor, desempenho impulsionado principalmente pela cadeia leiteira. Reconhecida como a principal bacia leiteira do Brasil, Castro produz cerca de 1,5 milhão de litros de leite por dia.

União

Para o prefeito Reinaldo Cardoso, a união entre o poder público e as instituições permitirá que Castro avance também como referência em formação profissional e produção de conhecimento. “Estamos trabalhando em conjunto. Cada um vai trabalhar na sua área para que as coisas aconteçam rapidamente nesse objetivo de transformar Castro num polo de desenvolvimento regional e nacional de ensino na agropecuária. Vamos ser referência no país. Já somos no leite, mas seremos em todo o setor agropecuário. As condições existem”, afirmou.

Para o presidente da Castrolanda, Willen Bouwman, o encontro marca o início de um projeto de longo prazo. “É o passo inicial para estabelecermos cada vez mais nosso Parque Tecnológico como um espaço para receber universidades e cursos ligados ao agro. São inúmeras empresas e instituições que estão somando conosco”, afirmou.

Já o gerente da Agroleite e do Parque Tecnológico, Gustavo Vigano, afirmou que o projeto está alinhado ao planejamento estratégico da cooperativa. “Essa reunião consolida um planejamento que temos para transformar o Parque Tecnológico em um hub educacional junto com o município de Castro. Nosso papel é potencializar esse objetivo, aproximando quem produz conhecimento de quem produz alimento e o coloca na mesa do consumidor”, indicou.

Ensino conectado à produção

A proposta é criar uma verdadeira verticalização da educação no agro. O estudante poderá iniciar sua formação no ensino médio técnico, seguir para a graduação, especialização, MBA, mestrado e doutorado sem precisar deixar Castro.

O reitor eleito da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), Ivo Mottin Demiate, destacou que a universidade já está dando passos concretos nessa direção. Ele anunciou que foi publicada nesta quarta-feira a liberação de R$ 20 milhões para aquisição dos equipamentos do futuro curso de Medicina Veterinária da UEPG em Castro. Segundo ele, a Universidade também pretende fortalecer o desenvolvimento dos pequenos produtores rurais. “Queremos que toda essa riqueza gerada pelo agronegócio também alcance as comunidades mais distantes do município. Nossa proposta é descentralizar a UEPG, promovendo sua presença nas cidades da região”, destacou.

O secretário municipal de Planejamento e Patrimônio, Rodrigo Morais, ressaltou que a cidade vive um novo momento na área da educação superior. “Castro se consolida como um polo de educação de ensino superior. Estamos avançando para convênios entre as universidades, fortalecendo essa rede de ensino e pesquisa”, pontua. Rodrigo acrescenta que o Município segue aberto a receber outras instituições de ensino médio, técnico e superior que queiram se instalar no município.

Rogério Mainardes, representante da Universidade Federal do Paraná, explicou que a instituição deverá contribuir com programas de pós-graduação, incluindo mestrado e doutorado voltado à agropecuária. Segundo ele, a verticalização da formação permitirá que especialistas, mestres e doutores desenvolvam pesquisas diretamente na região, “fortalecendo a inovação, aumentando a competitividade do setor e contribuindo inclusive para a sucessão familiar nas propriedades rurais”.

Estado reforça apoio

Representando a Secretaria de Estado da Educação, Renato Hey Gondin, coordenador do Departamento de Colégios Agrícolas e Casas Familiares Rurais, colocou o Colégio Agrícola Olegário Macedo à disposição do projeto. “Queremos continuar a contribuir para a formação de mão de obra qualificada e geração de emprego”, disse.

Renato também ressaltou o desempenho do Colégio Agrícola Olegário Macedo, em Castro. “Hoje ele é o colégio agrícola mais lucrativo do Brasil, com receita anual de R$ 2,3 milhões. É uma instituição autossustentável e integrada à Cooperativa Castrolanda. Sem essa parceria não teríamos alcançado esse resultado.”

Novos parceiros

A diretora do Instituto Cristão Mackenzie (ICM) em Castro, Mônica Jasper, destacou a tradição de 111 anos da instituição e afirmou que o objetivo é ampliar a atuação voltada ao agronegócio. “Vamos manter nossa excelência no ensino médio e técnico, mas também trabalhar com inovação. Pretendemos oferecer capacitação profissional, cursos de extensão, educação executiva e formação de lideranças para o agro e o mundo empresarial. Vamos lançar o projeto Mackenzie Agro durante o Agroleite, com cursos de pós-graduação e MBA. Nosso objetivo é trazer o ensino superior Mackenzie para Castro e transformar o município em uma referência nacional, aproximando ensino, pesquisa, desenvolvimento e biotecnologia”, anunciou.

O presidente da Fundação ABC, Peter Greidanus, lembrou o histórico de pesquisa agropecuária desenvolvido na região e colocou a instituição como parceira da iniciativa. “Estamos à disposição para interagir com todas as novas instituições de ensino que estão chegando em Castro. Estamos construindo um novo ecossistema, o 5.0, que dará continuidade a essa história de pioneirismo, agora não apenas para os Campos Gerais, mas para todo o Brasil”.

Projetos já em andamento

O hub educacional começa a ser construído sobre iniciativas que já estão em implantação no município. Entre elas está o Centro de Excelência em Bovinocultura de Leite do Senar, atualmente em fase de licitação. O complexo será construído em uma área de aproximadamente quatro hectares ao lado do Parque Tecnológico, com investimento de quase R$ 40 milhões e cerca de 4,3 mil metros quadrados destinados à formação profissional e assistência técnica para a cadeia leiteira.

Também está em implantação o curso de Medicina Veterinária da UEPG, que deverá realizar vestibular ainda neste ano, com previsão de início das aulas em 2027, inicialmente em sede provisória no Clube Pessutinho, dentro do Parque de Exposições Dario Macedo.

Nos próximos passos do projeto também estão previstos programas de pós-graduação e mestrado da UFPR voltados ao agronegócio, cursos de pós-graduação e MBA do Mackenzie e a implantação de uma estrutura permanente de ensino do Centro de Treinamento de Pecuaristas (CTP) dentro do Parque Tecnológico Agroleite.

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