Aline Sleutjes avalia resultado da eleição e admite expectativa maior por votação para deputada federal
Candidata ficou cerca de 8 mil votos abaixo da última vaga e afirma que ainda pode assumir cadeira caso parlamentares sejam chamados para secretarias do Estado
Emerson Teixeira
Castro – Aline Sleutjes (PL) esperava um desempenho mais próximo dos 80 mil votos na disputa por uma vaga na Câmara dos Deputados, mas terminou a eleição de 2026 fora das 30 cadeiras destinadas ao Paraná. Em entrevista ao Página Um News na manhã desta segunda-feira (5), a candidata fez uma avaliação do resultado, agradeceu aos municípios onde obteve as maiores votações e afirmou que ainda vê possibilidade de chegar ao Legislativo federal por meio de uma eventual mudança na composição do governo estadual.
A diferença para a última vaga, conforme a avaliação apresentada por Aline, foi de aproximadamente 8 mil votos. Para a primeira suplência, faltaram cerca de 900 votos.
“Por 900 votos eu não fiquei na primeira suplência e por 8 mil votos eu não entrei”, afirmou. Para ela, o resultado deve ser analisado a partir do desempenho obtido em diferentes regiões do Paraná, sem a busca por responsáveis específicos pela votação.
Aline disse que, durante os três meses de campanha, percorreu cerca de 180 municípios. Na avaliação da candidata, o retorno à disputa eleitoral depois de quatro anos afastada da política exigiu um esforço significativo para reconstruir a presença junto ao eleitorado.
“Campanha não tem culpado. Campanha tem trabalho, opção, escolha e resultados”, declarou.
Castro mantém apoio, diz candidata
Entre os municípios citados por Aline está Castro, onde nasceu e mantém sua principal base política. Ela afirmou ter ficado satisfeita por preservar uma votação semelhante à que costuma registrar na cidade em outras disputas eleitorais.
A candidata também destacou que, em sua avaliação, conseguiu manter seu eleitorado mesmo sem apoio da estrutura política local. “Eu tenho o meu grupo político, eu sou uma força política”, disse, ao comentar a relação com o governo municipal e os vereadores de Castro.
Aline atribuiu parte de sua votação na cidade à relação construída ao longo dos anos com moradores, familiares, amigos e eleitores que acompanham sua trajetória política.
Ao mesmo tempo, afirmou que um apoio maior de integrantes da estrutura municipal poderia ter alterado o resultado estadual. Na entrevista, estimou que uma mobilização conjunta com prefeito, secretários e vereadores poderia ter acrescentado entre 20 mil e 25 mil votos à sua campanha.
Ponta Grossa ficou abaixo da expectativa
Ponta Grossa foi outro ponto citado na avaliação. Aline afirmou que esperava alcançar pelo menos 20 mil votos no município, mas terminou com pouco mais de 5 mil.
Apesar da diferença entre a expectativa e o resultado, ela descartou responsabilizar a prefeita Elizabeth Schmidt pelo desempenho.
A candidata lembrou que a prefeita participou de eventos, carreatas e gravações durante a campanha. Para Aline, a votação expressiva de outros candidatos com forte presença política em Ponta Grossa pode ter reduzido o espaço disponível para nomes de outras regiões.
Entre os fatores que considera possíveis estão os desempenhos de candidatos como Jocelito Canto, Aliel Machado e Marcelo Rangel. “Não tem culpa de ninguém”, afirmou Aline, ao comentar a votação em Ponta Grossa.

Possibilidade de assumir cadeira
Mesmo fora das 30 vagas inicialmente distribuídas, Aline considera que o resultado ainda pode abrir uma possibilidade de chegada à Câmara dos Deputados. Ela citou a possibilidade de parlamentares eleitos serem convidados para integrar o governo estadual e deixarem temporariamente as cadeiras no Legislativo. Nesse cenário, suplentes poderiam ser convocados.
Aline mencionou especificamente a possibilidade de Rosângela Moro assumir uma secretaria e disse acreditar que outros deputados também possam receber convites para o Executivo. “Isso já me daria condições de assumir minha cadeira”, afirmou.
A candidata também foi questionada sobre uma possível participação no governo de Sérgio Moro, eleito governador do Paraná. Aline confirmou que enviou mensagens ao governador eleito, a Felipe e a Deltan, mas disse que ainda não houve qualquer convite ou acordo para integrar a administração estadual.
Ela afirmou que pretende viajar a Curitiba durante a semana para cumprimentá-los pessoalmente. “Se houver esse chamado, eu estou preparada, tenho qualificação para ajudar muito o Paraná”, declarou.
Segundo turno passa a ser prioridade
Neste momento, a prioridade política de Aline é a campanha presidencial de segundo turno. Ela afirmou que pretende permanecer dedicada à eleição de Flávio Bolsonaro e que, durante este mês, não deve retomar normalmente as atividades de sua empresa.
A candidata disse que vai aproveitar a ida a Curitiba para verificar também como será sua participação na campanha do segundo turno. “Essa é a meta agora”, afirmou, ao falar sobre a intenção de trabalhar pela eleição de Flávio Bolsonaro à Presidência da República.
Votação será analisada município por município
Aline também pretende fazer uma avaliação detalhada dos resultados obtidos em todo o Paraná. A intenção é comparar as expectativas estabelecidas durante a campanha com a votação efetivamente registrada em cada município.
Ela afirmou que pretende organizar uma planilha com os resultados para identificar onde a campanha alcançou o desempenho esperado e onde houve diferença significativa.
Para a candidata, uma derrota eleitoral também serve como instrumento de análise política. “Os resultados não mudam, mas a gente pode entender aonde foram os problemas”, afirmou.
Apesar de não ter conquistado a vaga diretamente, Aline classificou como positiva a recepção encontrada durante a campanha e agradeceu os votos recebidos em Castro, Carambeí, Piraí do Sul, Tibagi, Arapoti, Ipiranga e outros municípios onde teve desempenho expressivo. Ela também citou cidades do Noroeste paranaense nas quais terminou como a candidata mais votada.