Agroleite 2026 abre em Castro com anúncio de investimentos, aposta em inovação e foco no futuro da cadeia do leite

Cerimônia reuniu governador Ratinho Junior, lideranças do cooperativismo, parlamentares e prefeitos; Parque Tecnológico e qualificação de mão de obra estiveram entre os principais temas da abertura.

Emerson Teixeira

Castro – A 26ª edição do Agroleite foi oficialmente aberta na manhã desta segunda-feira (3), em Castro, reunindo autoridades estaduais, lideranças do cooperativismo, produtores rurais, empresários e representantes do setor agropecuário. O evento, considerado a principal vitrine da cadeia leiteira da América Latina, começou com um discurso voltado ao futuro da atividade, marcado por anúncios de investimentos, expansão tecnológica e qualificação profissional.

A solenidade aconteceu na Arena Conexão do Parque Tecnológico Agroleite e contou com a presença do governador Carlos Massa Ratinho Junior, do presidente da Assembleia Legislativa do Paraná, Alexandre Curi, dos deputados federais Sandro Alex e Sérgio Souza, deputados estaduais, prefeitos da região e dirigentes de cooperativas. Os convidados foram recepcionados pelo presidente da Castrolanda, Willem Bouwman, e pelo prefeito de Castro, Reinaldo Cardoso.

Neste ano, o Agroleite adota o tema “Movidos por um legado”, escolhido para marcar os 75 anos da Castrolanda. A mensagem permeou praticamente todos os discursos da abertura, relacionando a trajetória construída pelos pioneiros da cooperativa com os desafios atuais da produção leiteira, especialmente em inovação, pesquisa e competitividade.

Ao abrir oficialmente o evento, o diretor-executivo da Castrolanda, Seung Lee, afirmou que o conceito de legado ultrapassa a preservação da história e representa um compromisso com o futuro da cadeia produtiva. “O legado nos trouxe até aqui. Agora é ele que nos move para construir o futuro. O Polo Tecnológico Agroleite será o nosso próximo passo”, afirmou.

Diretor-executivo da Castrolanda, Seung Lee

 

Durante sua fala, Lee explicou que o Parque Tecnológico foi concebido para aproximar empresas, universidades, centros de pesquisa, fazenda experimental e poder público em um mesmo ambiente voltado ao desenvolvimento de soluções para a pecuária leiteira.

Segundo ele, a proposta é transformar Castro em uma referência internacional em tecnologia, inovação e capacitação para o setor, fortalecendo a competitividade dos produtores e ampliando a eficiência da cadeia do leite.

O presidente da Castrolanda, Willem Bouwman, lembrou que os 75 anos da cooperativa coincidem com um período de desafios para o agronegócio, marcado por custos elevados de produção, juros altos e restrição ao crédito.

 

Presidente da Castrolanda, Willem Bouwman

 

Na avaliação dele, o cenário exige investimentos contínuos em inovação para garantir sustentabilidade econômica às propriedades rurais. “Legado parado vira história; legado em movimento vira futuro.”

Bouwman destacou que a edição deste ano reúne 404 expositores ligados à cadeia leiteira, oferecendo soluções para propriedades de diferentes portes. “O Agroleite foi planejado para que produtores encontrem alternativas tecnológicas capazes de aumentar eficiência e produtividade”, afirmou.

Castro como referência

Durante a cerimônia, o prefeito Reinaldo Cardoso associou a evolução do Agroleite ao desenvolvimento econômico de Castro ao longo das últimas décadas.

Prefeito de Castro, Reinaldo Cardoso

 

Ele relembrou que acompanhou diferentes momentos da história da feira e afirmou que o evento contribuiu para projetar o município nacional e internacionalmente. “Castro é representado hoje nacionalmente e internacionalmente por esta feira.”

O prefeito também mencionou investimentos estaduais em infraestrutura, educação e desenvolvimento regional, além da instalação do Parque Tecnológico, que passa a concentrar empresas voltadas à pesquisa e inovação durante todo o ano.

Cooperativismo

Representando o Sistema Ocepar, José Roberto Ricken destacou o crescimento da industrialização dentro do cooperativismo paranaense.

Presidente da Ocepar, José Roberto Ricken

 

Segundo ele, o Estado deixou de ser reconhecido apenas pela produção agropecuária para ampliar sua presença na transformação industrial dos alimentos. “Hoje nós podemos nos orgulhar de sermos um cooperativismo agroindustrial.”

Ricken afirmou que atualmente existem 161 agroindústrias cooperativas em funcionamento no Paraná e atribuiu parte desse crescimento às políticas voltadas ao setor nos últimos anos.

Ratinho Junior anuncia novos investimentos

Em seu discurso, o governador Ratinho Junior relacionou o desempenho econômico do Paraná ao fortalecimento das cooperativas e à expansão da industrialização da produção agropecuária.

Governador Ratinho Jr.

 

Ele afirmou que o Produto Interno Bruto (PIB) estadual deverá ultrapassar R$ 830 bilhões neste ano, praticamente dobrando em relação aos R$ 418 bilhões registrados em 2019. “Nós buscamos fazer a industrialização de tudo aquilo que produzimos.”

Ao citar o desempenho da cadeia leiteira, Ratinho Junior ressaltou que o Paraná produz cerca de 4,5 milhões de litros de leite por dia, enquanto Castro responde por aproximadamente 1,5 milhão de litros diários, consolidando a região como um dos principais polos nacionais da atividade.

O governador também destacou a produção de queijos, leite em pó e derivados do soro, como o whey protein, apontando que a verticalização da produção agrega valor ao setor.

Curso de Medicina Veterinária

Entre os anúncios feitos durante a abertura, Ratinho Junior confirmou a implantação de um curso de Medicina Veterinária integrado ao Colégio Agrícola de Castro.

A proposta, apresentada como inédita no país, pretende ampliar a formação de profissionais para atender à crescente demanda do agronegócio regional.

Segundo o governador, a iniciativa busca conectar ensino técnico, graduação e mercado de trabalho dentro do próprio ambiente agrícola, fortalecendo a qualificação da mão de obra voltada ao setor leiteiro.

Drones para escolas agrícolas

Após a solenidade de abertura, a programação seguiu na Praça Central do Parque Tecnológico Agroleite, onde o Governo do Paraná oficializou a entrega de 11 drones destinados às escolas agrícolas da rede estadual.

O investimento soma R$ 1,5 milhão e permitirá que estudantes tenham contato com tecnologias utilizadas no campo para pulverização, mapeamento de lavouras e agricultura de precisão.

Ratinho Junior afirmou que a medida acompanha a crescente demanda por profissionais habilitados na operação desses equipamentos. “Hoje temos cerca de 12 mil vagas abertas para pilotos de drone no Paraná. Estamos preparando os jovens para essa nova profissão.”

Os equipamentos passam a integrar as atividades práticas das unidades de ensino agrícola, aproximando os alunos das tecnologias já empregadas no agronegócio.

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