Viagem, memória e pertencimento: o livro que conecta mulheres negras ao mundo
“Raízes do Atlântico: Histórias de Liberdade” transforma memória, ancestralidade e viagem em reencontro com a África
Da Assessoria
Brasil – Mais do que uma obra literária, o projeto é um manifesto afetivo e político construído por mulheres negras do Brasil, Angola, Moçambique e Guiné-Bissau, reunindo narrativas que conectam ancestralidade, pertencimento, liberdade e o direito de existir em movimento.
Organizado por Rebecca Alethéia, com curadoria de O Mary Ellen, o livro reúne relatos de mulheres negras, africanas e pessoas transgêneras que transformam o ato de viajar em ferramenta de reconexão ancestral, resistência e emancipação. Cada página carrega um reencontro com a África, não apenas geográfica, mas também espiritual e histórica.
A obra mergulha no conceito de amefricanidade e nas experiências da diáspora africana para discutir território, identidade e liberdade sob uma perspectiva racial e de gênero. Entre travessias, deslocamentos e retornos, Raízes do Atlântico mostra que viajar também pode ser um ato de cura, reconstrução e reparação histórica.
“O livro não é apenas uma coletânea de histórias. É um mapa afetivo da diáspora negra contemporânea, onde diferentes vozes se encontram para reivindicar o direito de sonhar, circular e pertencer”, destaca Rebecca Alethéia.
O projeto contou com o olhar estratégico de O Mary Ellen, educador em Tecnologias e Artes no SESC, formado em Linguística pela USP e com trajetória voltada à comunicação transnacional. Sua pesquisa sobre territorialidade, brasilidade e identidades plurais ajudou a construir uma narrativa que atravessa fronteiras e conecta experiências negras em diferentes territórios do Atlântico.
Vozes que atravessam oceanos
Raízes do Atlântico reúne intelectuais, artistas, pesquisadoras, ativistas e viajantes negras de diferentes regiões do Brasil e do continente africano. As histórias percorrem o sertão baiano, as periferias amazônicas, quilombos do Cerrado, Luanda, Maputo e Bissau, criando uma cartografia afetiva.
Norte do Brasil
A obra apresenta a força das vivências negras amazônicas através de Samily Maria e da artista visual Skarlati Kemblin trazendo uma narrativa atravessada pela arte, pela memória e pelos afetos construídos durante suas vivências pelo Brasil. Transforma suas experiências em reflexões sobre identidade, liberdade e pertencimento. A atriz e escritora paraense Amérika Bonifácio também integra o projeto com reflexões sobre território e identidade negra amazônia.
Nordeste
Do Ceará, Josefa Feitosa mulher negra, nordestina, de 65 anos, tornou-se mochileira após 35 anos de atuação como assistente social no sistema penal. Compartilha sua trajetória de liberdade após um longo período no sistema penal, tornando-se mochileira por 76 países. A geógrafa Geinne Monteiro resgata as ancestralidades das margens do Rio São Francisco, enquanto a poeta marginal maranhense Pietra D’Ofá leva para a obra a potência das batalhas de rima e dos slams.
Sudeste, quilombos e memória
A mineira Terezinha de Jesus relata o reencontro com suas raízes em Luanda. A obra também reúne as contribuições de Ana Lígia Santos trazendo seu olhar sensível sobre território, memória e narrativa visual no livro. Da historiadora Helen Rose que compartilha suas experiências de intercâmbio e reconexão com o continente africano, especialmente em Angola e na África do Sul, refletindo sobre autoconhecimento, resiliência, saúde emocional e pertencimento. A paulistana de São Caetano do Sul para o mundo, Rebecca Alethéia reflete sobre os desafios enfrentados por mulheres negras viajantes, os medos e atravessamentos das imigrações, além do profundo reencontro com sua ancestralidade africana. A carioca Valéria Lourenço apresenta uma narrativa que conecta literatura, música, ancestralidade e viagem. Em seu capítulo sobre o Zimbábue, Valéria relembra como o reggae, a obra de Bob Marley e as lutas africanas por independência despertaram seu desejo de conhecer o país.
Destaque especial para a pesquisadora Giselle Christina (in memoriam) celebrado sua trajetória intelectual, humana e afetiva a partir de uma experiência transformadora de afroturismo pela Colômbia ao lado de outras mulheres negras. Em seu relato, Giselle reflete sobre liberdade, pertencimento e o direito de mulheres negras conhecerem o mundo. A autora compartilha como a viagem despertou coragem, autonomia e novas perspectivas sobre si mesmas, destacando a força da coletividade, da amizade e das conexões construídas durante a travessia. Seu texto deixa como legado a afirmação de que mulheres negras podem ocupar qualquer espaço e transformar o mundo através de suas experiências e sonhos.
Região Centro-Oeste
De Goiás temos Rosieni Kalunga, que amplia o debate sobre turismo, território e pertencimento a partir da perspectiva da mulher quilombola cerratense.
África contemporânea
De Guiné-Bissau, a artista e ativista Bangé Jaú representam os caminhos da mulher migrante na diáspora africana. Em Moçambique, Fátima Abel Matos utiliza tecnologia e escrita como ferramentas de justiça restaurativa e cura das feridas coloniais. Já em Angola, Du Kukubica compartilha experiências de empreendedorismo feminino e empoderamento em Luanda.
Uma obra sobre pertencimento e liberdade
Ao transformar experiências pessoais em memória coletiva, Raízes do Atlântico propõe uma nova narrativa sobre viagens negras e deslocamentos. O livro produzido com o incentivo do Governo do Estado de São Paulo e Ministério da Cultura, através do edital de fomento CULTSP – PNAB 28/2024, questiona quem historicamente teve direito à mobilidade e apresenta o turismo como ferramenta de autonomia, afeto e reconstrução identitária.
A publicação também marca os sete anos da Bitonga Travel, coletivo fundado por Rebecca Alethéia, voltado ao protagonismo de mulheres negras no universo do afroturismo.
Pesquisadora, consultora e palestrante, Rebecca é mestre em Humanidades, Direitos e Outras Legitimidades pela USP e especialista em Gestão Cultural pelo SENAC. Seu trabalho conecta turismo, justiça social e ancestralidade, transformando deslocamentos em experiências de reconexão e emancipação.
Ficha Técnica do Livro:
- Organização:Rebecca Alethéia.
- Curadoria:O Mary Ellen
- Coordenação:Daniela Romão
- Colaboração Administrativa:Yasmin Romão
- Revisão:Valéria Lourenço
- Ilustrações:Juliana Mota, Bangé Jaú, Skarlati Kemblin, Ana Lígia dos Santos e Sylvia Sato.
- Link pré venda do livro:https://www.asaas.com/c/6dcvrun9x7w9gmso .