Moody’s mantém rating A+ da Castrolanda em meio a cenário de pressão no agronegócio

Avaliação da agência de classificação de risco tem perspectiva estável e considera estrutura financeira, diversificação e capacidade de geração de caixa da cooperativa

Da Redação

Castro – A Castrolanda teve mantida em A+ sua classificação de risco de emissor pela Moody’s Local Brasil, com perspectiva estável. A avaliação divulgada em 2026 ocorre em um período de maior pressão sobre o agronegócio, com margens menores para produtores, volatilidade das commodities e dificuldades em diferentes cadeias produtivas.

A cooperativa havia passado de A para A+ na avaliação anterior. A manutenção da nota agora ocorre enquanto a Castrolanda conduz um ciclo de investimentos, expansão e projetos de intercooperação que exigem capacidade de financiamento e controle sobre a estrutura de capital.

Na análise, a Moody’s considera como pontos favoráveis a escala dos negócios, a diversificação das atividades, a produtividade no campo e a posição da cooperativa no mercado de lácteos. A agência também atribui peso à base de cooperados e à capacidade do modelo de negócios de atravessar períodos de maior instabilidade.

Outro aspecto destacado é a política financeira adotada pela Castrolanda. Para a agência, a postura conservadora tem ajudado a preservar indicadores de crédito, com baixa alavancagem e elevada cobertura de juros, mesmo diante do aumento dos investimentos e da oscilação característica do mercado de commodities agrícolas.

Pedro Dekkers, gerente executivo corporativo da cooperativa, ressalta que a classificação não é determinada apenas pelo desempenho interno da empresa.

“O rating não reflete somente os indicadores internos da cooperativa. Ele leva em conta o ambiente externo, o setor que estamos inseridos, o risco do país e, como nós estamos no agro, também os riscos climáticos. É uma avaliação geral”, explica.

Pressão sobre o setor leiteiro

A avaliação considera também as dificuldades enfrentadas atualmente pelos produtores de leite. O relatório da Moody’s aponta excesso de oferta, demanda sem crescimento significativo e volumes elevados de produtos importados, fatores que pressionam os preços e reduzem o espaço para recuperação das margens.

A agência cita ainda a volatilidade da geração de caixa operacional e a concentração geográfica como limitações ao desempenho de crédito da cooperativa.

É nesse ambiente que a manutenção do A+ ganha relevância para a Castrolanda. A avaliação indica que, apesar das condições adversas do mercado, a estrutura financeira da cooperativa permanece compatível com a classificação atribuída.

“Os bons resultados da cooperativa, a nossa estrutura de governança, a diversificação dos negócios e o nosso modelo baseado na fidelidade do cooperado são aspectos que contaram positivamente para, mesmo em um ambiente muito desafiador, conseguirmos manter o rating”, afirma Dekkers.

Crédito aos cooperados

A análise também considera uma mudança na estratégia de concessão de crédito. Em 2026, a Castrolanda formalizou uma parceria com uma instituição financeira que passou a assumir gradualmente parte das operações de financiamento aos cooperados.

Na avaliação da Moody’s, a medida reduz a exposição direta da cooperativa ao risco de crédito, diminui o volume de capital empregado nessa atividade e amplia as alternativas de financiamento disponíveis aos associados. A carteira mantida pela Castrolanda, por sua vez, tende a ficar menos pressionada pela transferência de parte desse risco.

Rating acompanha ciclo de investimentos

A classificação ocorre enquanto a cooperativa mantém projetos de expansão e iniciativas conjuntas com outras organizações do setor. Nesse cenário, a avaliação de crédito pode influenciar as condições de acesso a recursos e a percepção de risco por parte de bancos e parceiros comerciais.

Para Pedro Dekkers, esse é um dos principais efeitos práticos do rating.

“A importância do rating está na credibilidade perante o mercado, não somente para nossos cooperados, mas principalmente para parceiros de negócio e instituições financeiras. Elas enxergam a cooperativa como uma empresa sólida, com capacidade de honrar seus compromissos”, afirma.

A necessidade de manter acesso ao crédito está diretamente relacionada ao momento vivido pela cooperativa, que pretende continuar investindo.

“Nós estamos em uma fase de crescimento e, para realizar nossos investimentos, precisamos de recursos. Para isso, precisamos ser atraentes para as instituições financeiras”, acrescenta o gerente executivo.

Para os próximos períodos, a Moody’s projeta fortalecimento da geração de caixa e melhora da liquidez da Castrolanda. A agência também avalia que a cooperativa deve manter controle sobre seus compromissos financeiros, apoiada por um cronograma de amortização considerado administrável e por uma política prudente de alocação de capital.

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