Encontro de Líderes Rurais reúne nova geração do agro em Campo Mourão
Evento do Sistema FAEP contou com 234 participantes da região Centro-Oeste do Paraná. Desses, quase 20% participaram pela primeira vez
Da Assessoria
Campo Mourão – A renovação das lideranças rurais e o fortalecimento da participação feminina marcaram o Encontro Regional de Líderes Rurais, nesta terça-feira (09), em Campo Mourão, na região Centro-Oeste do Paraná. Com o tema “Da família, a liderança. Do protagonismo, a força do agro”, o evento promovido pelo Sistema FAEP reuniu 234 participantes de sindicatos rurais de diversas cidades da região, como Araruna, Barbosa Ferraz, Campina da Lagoa, Cândido de Abreu, Engenheiro Beltrão, Goioerê, Ivaiporã, Juranda, Mamborê, Manoel Ribas, Nova Cantú, Pitanga, São João do Ivaí, Terra Boa e Ubiratã. A pauta do encontro foi um dos principais desafios do campo: a sucessão familiar.
O evento também evidenciou o protagonismo feminino no agro paranaense. Do total de presentes, 154 eram mulheres, o equivalente a 66% do público. Além disso, a presença de novos participantes chamou a atenção: ao todo, 40 pessoas participaram do encontro pela primeira vez, representando 17% dos presentes.
“Essa participação de jovens e mulheres é fundamental para o fortalecimento do sistema sindical rural paranaense e também para a continuidade dos negócios dentro das propriedades”, afirma o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, durante a abertura. “Visitei todos os sindicatos da Regional Campo Mourão e ouvi as dificuldades, os desafios e as necessidades de cada município. Posso assegurar que tudo o que estiver ao alcance da diretoria e do Sistema FAEP continuará sendo feito para defender os interesses dos produtores rurais”, complementa.
Anfitrião do encontro, o presidente do Sindicato Rural de Campo Mourão, Cezar Bronzel, destacou a importância da mobilização das lideranças rurais da região e o papel desempenhado pelo Sistema FAEP e pelos sindicatos rurais na aproximação dos produtores. “Não existe outra instituição que faça essa união do produtor rural como o Sistema FAEP e os sindicatos rurais. Eventos como este fortalecem nossos vínculos, permitem a troca de experiências e mostram a força que temos quando trabalhamos juntos”, destaca.
Jovens promissores
Entre os estreantes estava o estudante Marcelo Matheus Lima, de 16 anos, integrante da Comissão de Jovens do Sindicato Rural de Goioerê. Apesar de não ser de uma família rural, ele encontrou no agro uma oportunidade profissional e de realização pessoal.
“Desde pequeno, eu tenho interesse pelo agro. Quando foi inaugurado o Colégio Agrícola em Goioerê, me inscrevi e comecei a me aprofundar cada vez mais nesse universo. Quero seguir carreira nessa área e me tornar agrônomo”, conta.
Matheus Lima soube do evento por meio da Comissão de Jovens e aproveitou a oportunidade para ampliar seus conhecimentos e trocar experiências com produtores e lideranças da região. “O que mais chama atenção no agro é a união entre as pessoas. É um setor em que todo mundo trabalha junto, busca soluções para os problemas e se desenvolve coletivamente. Essa integração é algo muito interessante e que me motiva a continuar nesse caminho”, diz.
Se para alguns o encontro representou uma estreia, para outros a participação já se tornou tradição. É o caso de Marinalva Nunes Batista, colaboradora do Sindicato Rural de Ubiratã há 20 anos, que esteve presente em todas as cinco edições realizadas em Campo Mourão. Filha de agricultores e criada no meio rural, ela carrega uma relação longa com o agro, o que a permite acompanhar de perto as iniciativas promovidas pelo Sistema FAEP para fortalecer o setor.
“Eu nasci no agro. Meus pais eram agricultores, morei e trabalhei por 30 anos na propriedade rural e sempre fui apaixonada por esse universo. Quando comecei a trabalhar no sindicato, descobri uma nova forma de contribuir com o setor”, relata.
Para Marialva, o tema da sucessão familiar tem um significado especial por estar diretamente relacionado à história de sua própria família. “Eu vivi uma situação em que a sucessão poderia ter sido trabalhada de forma diferente. Depois que meu pai faleceu, as terras foram divididas e acabaram sendo vendidas. Por isso acredito que esse é um tema que precisa ser discutido dentro das famílias, envolvendo pais, filhos e jovens. É algo fundamental para garantir a continuidade das propriedades rurais”, destaca.
Sucessão familiar em foco
Durante a palestra, a especialista em sucessão e governança em negócios familiares no agro Mariely Biff destacou que a sucessão familiar é um dos principais desafios do agronegócio brasileiro. Inclusive, o tema ainda recebe pouca atenção dentro das propriedades rurais. Hoje, menos de 15% das fazendas brasileiras possuem um plano de sucessão estruturado, o que evidencia a necessidade de ampliar o debate sobre governança familiar e planejamento da transição entre gerações.
“Muitas pessoas acham que governança e sucessão são assuntos apenas para quem tem grandes áreas. Não é verdade. A sucessão é necessária para qualquer família que tenha seu patrimônio, seu negócio e queira garantir continuidade”, afirma.
Mariely também ressaltou que a preparação dos sucessores deve começar antes da transferência do comando da propriedade. “Preparar a nova geração não começa quando os filhos ficam adultos. Começa na infância. É levar para a propriedade, mostrar os processos, explicar as decisões e criar pertencimento”, destaca.
Para a especialista, a sucessão, por mais espinhosa que seja, é possível, mas exige tolerância, paciência para envolver a nova geração e cuidado dos sucessores com o legado construído.
“Diálogo e planejamento continuam sendo as ferramentas mais importantes para garantir a continuidade das propriedades rurais e preservar o patrimônio construído ao longo das gerações”, finaliza.
Segundo Meneguette, o desafio não é exclusivo do Paraná nem do Brasil, mas uma preocupação mundial observada, inclusive, na viagem técnica realizada aos Estados Unidos, em maio, pelo Sistema FAEP. Para enfrentar essa realidade, a entidade mantém, desde 2016, o programa Herdeiros do Campo, voltado justamente à preparação das famílias rurais para processos sucessórios planejados e harmoniosos. A proposta vai além da discussão sobre herança e divisão de patrimônio. O foco está em promover o diálogo entre pais, filhos e demais integrantes da família, construindo um planejamento para o futuro do negócio rural.
“O objetivo do programa é despertar as famílias para a importância do planejamento sucessório e da sucessão familiar. Muitas vezes, o mais importante não é falar de patrimônio, mas criar um espaço para que a família converse sobre seus projetos e construa um plano para o futuro”, destaca o presidente do Sistema FAEP.
Outro diferencial é que o programa exige a participação conjunta de pais e filhos. A proposta é que as decisões sobre o futuro da propriedade sejam construídas coletivamente, fortalecendo o diálogo e reduzindo riscos de conflitos familiares no momento da sucessão.
Fortalecimento sindical
Além da palestra, debates e dinâmicas, o encontro marcou o lançamento da terceira edição do projeto Sindicato Protagonista, iniciativa do Sistema FAEP voltada ao fortalecimento dos sindicatos rurais paranaenses. Nesta edição, o programa traz novidades, como o aumento da bonificação financeira de R$ 5 mil para R$ 7 mil, a inclusão de quatro novos indicadores de desempenho e a exigência de pontuação no Planejamento Estratégico de Mobilização (PEM). Os sindicatos interessados em participar têm até 17 de julho para realizar a inscrição. O regulamento completo está disponível no site do Sistema FAEP.
Os números apresentados mostram o crescimento da iniciativa ao longo dos anos. A adesão ao projeto passou de 70 sindicatos participantes em 2024 para 105 em 2025. No mesmo período, o número de associados vinculados às entidades envolvidas cresceu de quase 12 mil para mais de 14,5 mil produtores, aumento de 23%.
Encontros continuam
O Encontro Regional de Líderes Rurais já passou por Pato Branco, Toledo e Campo Mourão. Em junho, a programação segue para Mariluz (Entre Rios), no dia 10; Nova Esperança (Noroeste), 11; Arapoti (Campos Gerais), 16; Cornélio Procópio (Norte Pioneiro), 17; e Londrina (Norte), no dia 18. Em julho, o encontro acontece em Guarapuava (Centro), no dia 7; Bituruna (Centro-Sul), 8; e Lapa (Região Metropolitana de Curitiba), no dia 9.