Dia Nacional do Milho destaca força do Paraná e desafios do agro brasileiro

Presidente da Abramilho aponta crescimento das exportações, avanço do etanol de milho e necessidade de investimentos em infraestrutura

Hurlan Jesus

Paraná – Celebrado no dia 24 de maio, o Dia Nacional do Milho reforça a importância de uma das culturas mais estratégicas do agronegócio brasileiro. Presente na alimentação humana, na produção de rações, biocombustíveis e diversos segmentos industriais, o milho vem ampliando sua participação na economia nacional e também no mercado internacional.

No Paraná, o cenário é de crescimento da produção e aumento da demanda. Segundo o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Milho e Sorgo (Abramilho), Paulo Bertolini, o Estado deve ganhar ainda mais protagonismo nos próximos anos, impulsionado pela instalação de novas usinas de etanol de milho.

“O milho no Paraná sempre foi uma cultura importante, tanto na primeira safra como agora na segunda safra. E com a instalação de duas usinas de etanol de milho no Paraná, uma na região da Lapa e outra no Oeste do Estado, vai aumentar ainda mais a demanda desse milho para a produção de biocombustível”, destacou.

De acordo com Bertolini, o crescimento da cadeia produtiva pode fazer com que a produção de milho ultrapasse a da soja no Paraná nos próximos anos. “A produção de milho no Paraná deve ultrapassar a da soja nos próximos dois, três anos”, afirmou.

Além da produção agrícola, o milho possui forte ligação com a indústria e com a logística do Estado. O presidente da Abramilho destacou a importância dos portos paranaenses para o escoamento da safra e também o consumo interno voltado à produção de rações e alimentos.

“Os portos do Paraná são importantes para a exportação e o Estado também é um grande consumidor de milho para produção de rações, indústria alimentícia e indústria”, explicou. Bertolini também citou Castro como exemplo da força industrial ligada ao cereal. “É o caso da Cargill em Castro, que processa milho para diversos fins”, comentou.

O crescimento das exportações brasileiras também foi um dos temas debatidos durante o 4º Congresso da Abramilho, realizado recentemente em Brasília e acompanhado pelo Jornal Página Um. Segundo Bertolini, o milho brasileiro já alcança mercados nos cinco continentes. “São mais de 140 países ao redor do mundo que compram o milho brasileiro. Isso demonstra que o nosso produto tem qualidade e é produzido de uma forma sustentável”, ressaltou.

Durante o congresso, lideranças do agronegócio discutiram temas como biotecnologia, sustentabilidade, segurança alimentar, mercado internacional e geopolítica. Apesar do avanço das exportações, Bertolini afirma que o setor enfrenta desafios importantes.

“O desafio agora é a alta dos custos, principalmente diesel, fertilizantes e defensivos. E, na contramão, os preços das commodities agrícolas estão em baixa no mercado internacional”, alertou. Segundo ele, questões como infraestrutura, armazenagem, energia elétrica no campo, logística e falta de mão de obra também preocupam os produtores rurais.

“A infraestrutura de rodovias, ferrovias e portos ainda é muito lenta e não acompanha o ritmo de crescimento da produção de grãos”, afirmou.

Mesmo diante das dificuldades, o presidente da Abramilho avalia que o cenário futuro segue positivo para a cultura do milho, especialmente com o crescimento do mercado internacional e da produção de etanol. “O milho tem essa característica de ter o mercado nacional crescendo e também espaço internacional pelo reconhecimento da qualidade do produto brasileiro”, concluiu.

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