Gaeco cumpre mandados em Ponta Grossa, Castro e outras cidades em nova fase da Operação Via Pix

Investigação apura suspeitas de cobrança de propina por policiais rodoviários e possível participação de empresários; 12 agentes foram afastados das funções operacionais

Da Redação

Castro – Uma nova etapa da Operação Via Pix mobilizou o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Paraná, e a Corregedoria da Polícia Militar na manhã desta quinta-feira (13). A operação alcançou Ponta Grossa, Castro e outras nove cidades do Paraná, com buscas relacionadas a uma investigação sobre possíveis crimes envolvendo policiais rodoviários estaduais.

Ao todo, foram expedidos 24 mandados de busca e apreensão, incluindo ordens de caráter domiciliar e pessoal. A Justiça Militar também determinou o afastamento cautelar das atividades operacionais de 12 policiais rodoviários estaduais investigados.

As medidas foram cumpridas em Ponta Grossa, Castro, Jaguariaíva, Ibaiti, Arapoti, Wenceslau Braz, Guarapuava, Joaquim Távora, Curiúva, Sengés e Guapirama.

Durante a operação, cinco pessoas foram presas em flagrante. Quatro prisões ocorreram por suspeitas relacionadas à posse irregular de armas e munições. Em outro caso, a prisão foi motivada por suspeita de obstrução da Justiça.

Investigação começou em 2025

A apuração teve início em março do ano passado. A primeira fase da Via Pix foi realizada em outubro de 2025, quando foram cumpridos 19 mandados de busca e apreensão e sete policiais rodoviários estaduais foram afastados das funções.

Nesta quinta-feira, o trabalho avançou sobre outros possíveis integrantes do esquema investigado. Empresários também foram alvo das medidas judiciais.

As suspeitas levantadas pelo Gaeco apontam para a existência de acordos entre policiais e empresários ligados principalmente aos setores de transporte de cargas e madeira. A hipótese investigada é de que pagamentos periódicos seriam feitos aos agentes públicos em troca da redução ou ausência de fiscalizações em rodovias estaduais.

Outro ponto apurado envolve possíveis alterações em registros de acidentes de trânsito. Os investigadores encontraram indícios de que informações em boletins de ocorrência poderiam ter sido modificadas mediante pagamento, com possível impacto em procedimentos envolvendo o Detran e companhias seguradoras.

As suspeitas ainda são objeto da investigação e deverão ser confrontadas com as provas obtidas durante as duas fases da operação.

Mandados também miram investigação sobre tráfico

Paralelamente às medidas contra o suposto esquema envolvendo agentes rodoviários, o Gaeco cumpriu três mandados de busca e apreensão em Jaguariaíva.

As ordens partiram da Vara de Garantias do município e atingiram residências de três pessoas. O procedimento surgiu a partir de elementos encontrados durante a primeira fase da Operação Via Pix e apura um possível esquema de tráfico de drogas.

Nesse caso, a investigação também busca esclarecer a participação de um dos policiais já investigados, que teria fornecido proteção ao grupo envolvido com o tráfico.

A segunda fase da operação, portanto, amplia o alcance da apuração iniciada em 2025 e passa a reunir suspeitas relacionadas não apenas à atuação de policiais rodoviários, mas também à possível participação de empresários e a crimes descobertos no decorrer das diligências.

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