Após um ano de indefinição, Carambeí inaugura nova etapa da coleta seletiva
Associação Convicção assumirá gestão e triagem dos recicláveis no antigo espaço da Coopam; coleta nas ruas depende da conclusão de licitação para contratação de empresa
Hurlan Jesus
Carambeí – A Prefeitura de Carambeí inaugura, na segunda-feira, às 15 horas, uma nova etapa do serviço de coleta seletiva e reciclagem no município. A Associação Convicção passará a atuar na gestão, triagem e comercialização dos materiais recicláveis no antigo espaço da Cooperativa de Agentes Ambientais de Carambeí, a Coopam, no bairro Boqueirão.
De acordo com o secretário municipal de Meio Ambiente, Paulo Valenga, a Associação Convicção ficará responsável pela gestão da triagem e também pelo processo de recuperação das dívidas da Coopam. Já a coleta dos recicláveis nas ruas está no final do processo de licitação para contratação de uma empresa que ficará responsável pela execução do serviço.
O novo modelo ocorre após cerca de um ano de indefinições. Segundo Valenga, o município enfrentava dificuldades desde 19 de junho de 2025, quando não foi possível renovar o contrato com a Coopam. Conforme o secretário, a cooperativa apresentava pendências fiscais, tributárias, bancárias e trabalhistas, além de não conseguir emitir as certidões necessárias para renovação contratual.
Desde então, a Prefeitura, por meio da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, passou a buscar alternativas junto ao Ministério Público e ao Tribunal de Contas para encontrar uma solução legal que garantisse a continuidade da reciclagem no município.
Segundo Valenga, todo o processo contou com acompanhamento do setor jurídico da Prefeitura, desde as primeiras tratativas até a definição do modelo atual. O secretário explicou que, inicialmente, chegou a ser discutida a possibilidade de um Termo de Ajustamento de Conduta junto ao Ministério Público. Ao final das análises, o encaminhamento resultou na elaboração de uma minuta que orientou a solução adotada pelo município para a retomada da atividade de reciclagem.
“Desde o primeiro dia, começamos a correr atrás junto ao Ministério Público e ao Tribunal de Contas para encontrar a melhor maneira de fazer com que a reciclagem voltasse e que os cooperados não ficassem desempregados”, afirmou Valenga.
Segundo ele, uma das preocupações da administração municipal era manter alguma forma de apoio aos trabalhadores que dependiam da atividade. Durante o período sem o modelo regular de coleta seletiva, o município manteve o programa Troca Verde, que permite a troca de materiais recicláveis por frutas e verduras. O material recolhido pelo programa era encaminhado aos trabalhadores ligados à reciclagem.
“A Prefeitura fez de tudo. Manteve o programa Troca Verde, e todo o material era destinado para eles. Alguns comércios e empresários também mandavam recicláveis para que, nesse período, eles pudessem ter algum ganho e não ficassem desamparados”, explicou o secretário.
Conforme Valenga, o processo para definição do novo modelo passou por discussões com órgãos de controle, procedimentos licitatórios, denúncias, impugnações e análises jurídicas. Ele afirma que a solução encontrada busca reorganizar o serviço, manter a atividade de reciclagem e dar melhores condições de gestão ao espaço.
A Associação Convicção, que tem matriz na cidade de Castro, firmou contrato em 19 de junho deste ano, com vigência inicial de um ano. A entidade ficará instalada no mesmo espaço utilizado anteriormente pela Coopam, no Boqueirão. O local deve receber melhorias, incluindo controle de pesagem dos materiais, registro por tipo de produto e acompanhamento da atuação dos associados.
Segundo o secretário, a estrutura deve envolver 22 pessoas na triagem e cinco na coleta. Valenga também informou que os custos estimados são de aproximadamente R$ 70 mil mensais para a associação e cerca de R$ 50 mil mensais para o serviço de coleta, que depende da finalização da licitação.
Além da reorganização administrativa, a Secretaria de Meio Ambiente afirma que pretende reforçar ações de educação ambiental no município. A separação correta dos resíduos ainda é apontada como um dos principais desafios para o avanço da reciclagem.
Entre os materiais que poderão ser separados pela população estão papelão, vidro, plástico e metais. No entanto, o secretário destacou que muitos resíduos chegam contaminados, como papelão sujo com gordura, caixas de pizza engorduradas, papéis plastificados ou embalagens que não podem ser recicladas da forma correta.
Valenga também lembrou que a responsabilidade pela destinação adequada dos resíduos não é apenas do poder público. Ele citou a Política Nacional de Resíduos Sólidos, que estabelece a responsabilidade compartilhada entre fabricantes, comerciantes, consumidores e o poder público, especialmente nos casos de logística reversa.
A expectativa da Secretaria é reduzir o volume de resíduos enviados ao aterro. Segundo Valenga, quando o serviço era realizado pela cooperativa, parte significativa do material recolhido ainda era composta por lixo doméstico, resultado da separação inadequada feita por parte da população.
A meta inicial, conforme o secretário, é trabalhar para reduzir em cerca de 20% o envio de resíduos ao aterro, com possibilidade de ampliar esse índice ao longo dos anos, por meio de gestão, planejamento e educação ambiental.
“Foi um ano de trabalho e não foi fácil chegar a essa conclusão. A reciclagem é importantíssima para o meio ambiente, para a redução de resíduos enviados ao aterro e também para manter os trabalhadores que dependem dessa atividade”, completou Valenga.
A inauguração da Associação Convicção marca, segundo a Secretaria de Meio Ambiente, o início de uma nova fase para a reciclagem em Carambeí, com foco na reorganização da triagem, no fortalecimento dos trabalhadores envolvidos e na retomada gradual da coleta seletiva no município.