Investimento de R$ 375 milhões reforça cadeia de proteínas e impulsiona unidades da MBRF em Carambeí e Ponta Grossa

Aporte articulado entre governo do Paraná e iniciativa privada deve ampliar produção, gerar empregos e fortalecer polos industriais nos Campos Gerais

Da Redação

Curitiba – O anúncio de um investimento de R$ 375 milhões para fortalecer a cadeia produtiva de aves e suínos no Paraná ganhou novos desdobramentos nesta segunda-feira (23), durante reunião no Palácio Iguaçu entre o governador Carlos Massa Ratinho Junior e o presidente do Conselho de Administração da MBRF, Marcos Molina.

Embora o aporte tenha alcance estadual, o impacto direto nos Campos Gerais coloca em evidência os municípios de Carambeí e Ponta Grossa, que abrigam unidades estratégicas da companhia e devem ser beneficiados com a ampliação da capacidade produtiva e o fortalecimento da base de fornecedores integrados.

O investimento, viabilizado por meio do Fundo de Investimento em Direitos Creditórios do Agronegócio (FIDC Paraná), combina recursos públicos e privados. Do total, 80% (R$ 300 milhões) serão aportados pela própria empresa, enquanto 20% (R$ 75 milhões) correspondem a subsídio do governo estadual — modelo que tem sido apresentado como uma nova frente de financiamento ao agronegócio.

“Para o Governo do Paraná é um orgulho consolidar mais essa parceria. Esse investimento fortalece a cadeia produtiva, amplia a capacidade das unidades já existentes e gera novas oportunidades de emprego e renda, especialmente em regiões como os Campos Gerais”, afirmou o governador.

Efeito regional

Nos Campos Gerais, onde a agroindústria tem peso decisivo na economia, o reforço nas operações da MBRF tende a irradiar efeitos para além das plantas industriais. A estratégia prevê que cerca de 70% dos recursos sejam destinados à expansão da base de produtores integrados — modelo no qual agricultores e suinocultores atuam em parceria com a indústria.

Na prática, isso significa mais investimentos em granjas, tecnologia, infraestrutura e modernização da produção rural, beneficiando diretamente produtores da região de Carambeí e Ponta Grossa, além de movimentar cadeias secundárias como transporte, logística e serviços.

Os 30% restantes serão aplicados diretamente nas unidades industriais da empresa no Estado, o que inclui melhorias operacionais e aumento de eficiência — fator que pode consolidar ainda mais o papel dos Campos Gerais como um dos polos estratégicos da proteína animal no Sul do Brasil.

Modelo financeiro

Estruturado pelo governo estadual por meio da Fomento Paraná, o FIDC Paraná foi lançado na Bolsa de Valores (B3), em São Paulo, em abril de 2025, com a meta de alavancar até R$ 2 bilhões para projetos no campo.

Segundo o presidente da instituição, Claudio Stabile, o mecanismo funciona como uma plataforma que reúne diferentes investidores — públicos e privados — para financiar diretamente produtores e cooperativas com condições mais competitivas.

“É um modelo inovador no País, que amplia o acesso ao crédito com mais agilidade, segurança e menos burocracia”, disse.

Na prática, o fundo opera como uma carteira coletiva de investimentos. Empresas integradoras e cooperativas estruturam fundos vinculados, que permitem financiar desde aquisição de máquinas até sistemas de irrigação, armazenagem e transporte. Em troca, investidores recebem retorno proporcional ao capital aplicado, com base no pagamento dos financiamentos pelos produtores.

Gigante global

Parceira inicial do programa, a MBRF figura entre as maiores empresas globais do setor de alimentos, com presença em 117 países. A companhia reúne cerca de 130 mil colaboradores e produz aproximadamente 8 milhões de toneladas de alimentos por ano, atendendo centenas de milhares de clientes em diferentes mercados.

No Paraná, a empresa mantém unidades industriais estratégicas — incluindo as instaladas em Carambeí e Ponta Grossa — que desempenham papel relevante na geração de empregos e na integração com produtores rurais.

Articulação política

A reunião no Palácio Iguaçu também contou com a presença de lideranças municipais diretamente impactadas pelo investimento, entre elas as prefeitas Elisagela Pedroso e Elizabeth Schmidt, além de gestores de outras cidades contempladas: Dois Vizinhos, Carlinhos Turatto; Francisco Beltrão, Antonio Pedron; e Toledo, Mario Costenaro.

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