Polícia Civil prende homem por venda ilegal de medicamentos emagrecedores pelas redes sociais em Ponta Grossa
Suspeito usava Instagram e WhatsApp para comercializar produtos proibidos pela Anvisa; apreensão ocorreu no bairro San Martin
Da Redação
Ponta Grossa – A Polícia Civil do Paraná, por meio do 2º Distrito Policial de Ponta Grossa, prendeu em flagrante, nesta quarta-feira, 7 de janeiro de 2026, um homem de 36 anos suspeito de comercializar ilegalmente medicamentos sem registro sanitário, anunciados principalmente por meio de redes sociais. A ação ocorreu durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão na residência do investigado, localizada no bairro San Martin.
Durante a diligência, realizada no período da manhã, os policiais apreenderam um frasco do medicamento Tirzec 15, cinco seringas para aplicação e um aparelho celular utilizado nas negociações. Os produtos estavam armazenados na geladeira do imóvel, o que reforçou os indícios da prática criminosa.
A investigação teve início após denúncia anônima, que apontava que o suspeito utilizava um perfil no Instagram para anunciar a venda de medicamentos da classe dos agonistas do GLP-1, conhecidos popularmente como “canetas emagrecedoras”, utilizadas para redução dos níveis de açúcar no sangue e consequente perda de peso. Entre os produtos oferecidos estavam TG, Lipoless, Tirzec 15 e similares, todos proibidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Em novembro de 2025, a Anvisa publicou as resoluções RE nº 4.030/2025, RE nº 3.676/2025 e RE nº 4.641/2025, que vedam expressamente a fabricação, distribuição, importação, comercialização, propaganda e uso de diversos medicamentos agonistas de GLP-1 sem registro sanitário no Brasil. A medida foi adotada diante do crescimento da propaganda e da venda irregular desses produtos pela internet. Segundo a agência, medicamentos sem registro dificultam a rastreabilidade em casos de efeitos adversos e podem representar riscos graves à saúde.
Conforme apurado pela Polícia Civil, o investigado utilizava stories no Instagram para divulgar os medicamentos, exibindo tabelas de preços, imagens com grande quantidade de produtos e frases que garantiam a eficácia dos itens. Também eram disponibilizados números de telefone para pedidos via WhatsApp, com promessa de entrega em domicílio. As postagens incluíam expressões como “reposição de estoque” e imagens de valores em dinheiro, caracterizando uma atividade comercial organizada e habitual.
O homem foi preso em flagrante pelo crime previsto no artigo 273, §1º, do Código Penal, que trata de vender, expor à venda, ter em depósito para comercialização, distribuir ou entregar a consumo produto de procedência ignorada e sem registro no órgão de vigilância sanitária competente. A pena prevista varia de 10 a 15 anos de reclusão, além de multa.
Durante o interrogatório, o suspeito confessou a prática do comércio ilegal, afirmando que buscava os medicamentos no Paraguai e alegando que já havia vendido quase todo o estoque, restando apenas o frasco apreendido. Na sequência, ele foi encaminhado à Cadeia Pública local, onde permanece à disposição do Poder Judiciário. O material apreendido foi encaminhado para perícia técnica.
Ao final, a Polícia Civil reforçou que a comercialização irregular de medicamentos sem registro sanitário representa grave risco à população, pois compromete o sistema de vigilância sanitária criado para proteger os consumidores contra produtos ineficazes, inadequados ou potencialmente perigosos.