Diagnóstico tardio de autismo traz libertação e expõe desafios de inclusão, relata moradora de Castro

Relato divulgado nas redes sociais da Prefeitura mostra como a descoberta na vida adulta trouxe clareza, mas também evidenciou preconceitos ainda presentes na sociedade

Hurlan Jesus

Castro – A descoberta tardia do transtorno do espectro autista (TEA) tem transformado a vida de adultos que, por anos, conviveram com dificuldades sem compreender sua origem. O tema ganhou destaque em um vídeo publicado no Instagram oficial da Prefeitura de Castro, que apresenta o relato de Dangriani dos Santos.

Moradora do município, Dangriani compartilhou sua vivência como mãe de uma criança com diagnóstico de autismo e o processo pessoal que a levou a descobrir, já na fase adulta, que também está no espectro.

Segundo ela, a busca por respostas começou há cerca de cinco anos, quando decidiu procurar ajuda psicológica em meio a dificuldades no casamento. Durante o acompanhamento, surgiram indícios que motivaram o encaminhamento para avaliação neurológica.

“Eu procurei ajuda psicológica porque estava com bastante dificuldade no meu casamento. Como eu já tenho meu filho que tem o laudo, o psicólogo fez acompanhamento ao longo do tempo e depois me encaminhou para o neuro para receber esse diagnóstico”, relatou.

Antes da confirmação, Dangriani já percebia diferenças em seu comportamento e na forma de se relacionar com outras pessoas. A sensação de não pertencimento marcou diferentes momentos da vida, tanto no âmbito social quanto profissional.

“Eu sabia que era diferente. A gente sente que não se encaixa em grupo nenhum. Serve para ser amiga, mas não para ser namorada. E no trabalho também percebia julgamentos”, afirmou.

Apesar dos desafios enfrentados até o diagnóstico, ela descreve o momento como um divisor de águas. Para Dangriani, compreender sua condição trouxe alívio e mais qualidade de vida.

“Foi um desafio muito grande, mas também foi libertador. Hoje eu sei o que eu tenho, e isso faz toda a diferença”, destacou.

O relato também evidencia um ponto recorrente entre pessoas com TEA: a falta de preparo da sociedade para lidar com o autismo, especialmente quando o diagnóstico ocorre na vida adulta. Segundo Dangriani, ainda são comuns comentários e questionamentos que reforçam estigmas.

“A sociedade ainda não está preparada. Mesmo com o diagnóstico do meu filho, ainda escuto coisas como ‘nem parece que é autista’ ou questionamentos sobre por que fui buscar isso agora”, disse.

Ela conta ainda que o contato com histórias semelhantes ajudou no processo de identificação. O depoimento da atriz Letícia Sabatella, que também recebeu diagnóstico tardio, foi um dos fatores que despertaram sua percepção.

“Quando ela começou a falar do que sentia, eu pensei: ‘eu também tenho’. Aquilo foi um gatilho para buscar entender melhor”, contou.

Ao compartilhar sua história, Dangriani reforça a importância de ampliar o debate sobre inclusão e respeito às diferenças. Para ela, dar visibilidade a experiências reais é fundamental para reduzir preconceitos e promover mais compreensão.

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