Continuidade das aulas presenciais é criticada por professores e defendida por Secretaria e Núcleo

Continuidade das aulas presenciais é criticada por professores e defendida por Secretaria e Núcleo

Luana Dias

No mesmo dia em que o município imunizou o segundo grupo de professores, com a primeira dose da vacina contra Covid-19, a reportagem do Página Um News foi procurada por uma professora, que manifestou preocupação pelo número, segundo ela expressivo, de casos de Covid registrados nas escolas, municipais e estaduais de Castro. A professora, que pediu para não ser identificada, explicou que vários professores, funcionários e alguns alunos teriam testado positivo para doença depois de o retorno presencial das aulas. Na escola onde ela trabalha inclusive, quatro professores já teriam sido afastados porque estavam infectados. “Quando aparecem sintomas o professor ou funcionário é afastado, mas enquanto isso todos trabalham juntos, correndo o risco de serem contaminados. Por exemplo, um colega que trabalhou até na terça na semana passada, estava com Covid, e o resultado só saiu no sábado, mas antes de ser afastado, ele já estava infectado, o mesmo ocorreu com uma professora, que recebeu o resultado ontem, e que foi afastada na sexta-feira”, destacou a educadora.

A mulher criticou a manutenção das aulas presenciais, questionando o fato de o retorno dos alunos não ter ocorrido no ano passado e nem no início deste, quando em Castro a pandemia ainda não havia alcançado números tão graves. “As escolas estão escondendo os números, mas as aulas poderiam tranquilamente continuar ocorrendo apenas pela internet, afinal, a maioria dos alunos ainda não está vindo para a sala de aula, está estudando on-line, mas os professores estão todos na escola, e quando fazíamos apenas aulas remotas, estava funcionando muito bem. Era para termos voltado em março do ano passado e em março deste ano, mas não voltamos, e agora que a pandemia está no pior momento aqui na cidade, estamos dentro da escola”, afirmou a professora

O que diz a Secretaria de Educação de Castro

A reportagem ouviu na sequência desta professora, a secretária municipal de Educação de Castro, Rejane Nocera. Ela explicou que a Secretaria faz monitoramento diário dos casos de Covid confirmados nas escolas e de todos os casos suspeitos, e segue as orientações da Secretaria de Saúde. Rejane também afirmou que em Castro não foi necessário suspender aula em nenhuma escola da rede municipal pelo aparecimento de casos de Covid, e que há um controle rigoroso quanto as medidas necessárias para evitar a contaminação no ambiente escolar. Ela também afirmou que não é dentro das escolas que professores e alunos são infectados pela doença.

“Aqui temos registros de casos, assim como está ocorrendo em todos os outros lugares, mas nós temos uma comissão, com membros da Secretaria de Saúde, que acompanha todos os casos confirmados e suspeitos e que nos orienta em cada situação. Qualquer situação diferente com aluno, pai, funcionário ou professor que nos é relatada, nós estudamos, junto com essa comissão, para tomar as medidas necessárias. Até agora não foi preciso suspender nenhuma turma, mas não tem como falar que a pandemia está sob controle nas escolas, porque na verdade, não está sob controle em lugar nenhum, mas existe um monitoramento sério, fazemos todas as ações de maneira planejada, e também trabalhamos junto com o Estado. Tomamos todo cuidado dentro do transporte escolar, nos adaptamos para oferecer mais segurança aos alunos, até a forma de distribuir a merenda foi alterada, as escolas mudaram muito a sua rotina, afinal, o comprometimento dos nossos professores e funcionários é um fator decisivo nas escolas e no desenvolvimento dos alunos”, destacou.

A secretária afirmou que a manutenção das aulas presenciais também está relacionada à preocupação dos educadores com o lado afetivo, e com a oportunidade de as crianças voltarem a conviver com pessoas da mesma faixa etária. Além disso, segundo ela, antes do retorno foi realizada reunião com os pais, para que os mesmos pudessem autorizar a ida dos filhos à escola, e aqueles que não concordam com a medida, têm a opção da continuidade das aulas remotas. “Temos crianças desde o primeiro até o quinto ano estudando, e enquanto eles não estavam vindo para a escola, soubemos de crianças que estavam passando fome, que ficavam sozinhas em casa porque os pais tinham que sair trabalhar, de casos de abuso, ou seja, a nossa preocupação vai além da educação, mas também sabemos que nada substitui a presença de um professor na sala de aula, e que os alunos, mesmo não podendo estar tão pertos dos colegas, estavam sentindo muita falta dessa convivência, e aqueles que ainda estão tendo aulas remotas, sentem a falta desse ambiente”, finalizou.

O que diz o Núcleo Regional de Educação

A reportagem também conversou com a chefe do Núcleo Regional de Educação de Ponta Grossa, Luciana Aquiles Sleutjes. Ela explicou que também segue orientações da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), nos 11 municípios da região dos quais é responsável pela rede estadual, e que os profissionais do Núcleo tratam cada caso e cada escola de modo particular. “Sempre em consonância com a Vigilância Sanitária e Secretarias de Saúde do Estado e Município. Quando temos informação de um caso, seguimos todas as orientações, por exemplo, para saber se há necessidade de isolar uma turma ou uma escola e de suspender temporariamente as aulas, e esse controle está funcionando bem, temos poucos casos de contaminação e os que ocorrem, não são de dentro da escola, pelo contrário, são pessoas que se contaminam e acabam levando a doença para dentro da escola, esse controle é muito difícil de fazer, por isso nas salas de aula também reforçamos as orientações sobre a importância dos cuidados que devem ser adotados por todos, dentro e fora da escola, e, as escolas estão seguindo protocolos corretos e rígidos”, destacou.

Luciana também afirmou que embora o número de alunos que retornou às aulas presenciais seja bem inferior que o permitido pela Sesa, as aulas têm acontecido de maneira satisfatória. Ela também defendeu a continuidade das atividades presenciais, recordando que ao longo da pandemia, os alunos que têm menos recursos, são os mais prejudicados com a ausência das aulas nas escolas. “Pode chegar o momento em que a transmissão ocorra nas escolas, mas não é o que está acontecendo agora, porque dentro da escola não há relaxamento quanto as medidas de prevenção e nós estamos constantemente trabalhando orientação até mesmo junto às famílias. A escola é justamente o local onde conseguimos fortalecer qualquer campanha, como as da saúde”, explicou.

Suspensão das aulas em colégios estaduais do município

Em Castro foi necessário suspender aulas temporariamente em algumas escolas estaduais, após o retorno das atividades presenciais. A exemplo, Colégios Nicolau Baltazar e Amanda Carneiro de Napoli, e por último, o Colégio Cavanis, onde as aulas foram suspensas pelo período de 10 dias.

Luciana Aquiles Sleutjes, chefe do Núcleo Regional de Educação

Redação Página 1

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