Ataques a jornalista de Castro viram caso de polícia e geram nota de repúdio do SindijorPR
Publicações nas redes sociais de ex-candidata a vereadora motivaram registro de boletim de ocorrência e reação do Sindicato dos Jornalistas do Paraná
Hurlan Jesus
Castro – Ataques feitos nas redes sociais contra a jornalista Emanoelle Wisnievski, diretora de imprensa da Prefeitura de Castro, geraram repercussão nesta sexta-feira (13) e motivaram o registro de boletim de ocorrência. As publicações foram feitas pela blogueira e ex-candidata a vereadora no município Patrícia Cordeiro, que utilizou seus perfis em redes sociais para fazer críticas e insinuações sobre a profissional.
Segundo informações divulgadas pelo Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Paraná (SindijorPR), as postagens teriam conteúdo de cunho misógino e colocariam em dúvida a forma como a jornalista mantém o cargo na administração municipal.
De acordo com o sindicato, os ataques começaram após a jornalista entrar em contato com a blogueira para se colocar à disposição e fornecer informações oficiais e verificadas sobre temas frequentemente abordados nos canais da influenciadora.
Nas mensagens divulgadas, a jornalista afirma que buscava colaborar para que as informações divulgadas fossem corretas e checadas. “Você usa um canal de comunicação para disseminar informações. É do nosso interesse que as informações sejam verdadeiras, checadas e divulgadas com responsabilidade”, diz um trecho da conversa.
Jornalista relata indignação
Em conversa com a reportagem do P1 News, Emanoelle afirmou que recebeu os ataques com surpresa e indignação, principalmente por ocorrerem justamente em um período marcado pelas discussões sobre o respeito às mulheres. “Estamos na semana em que se fala tanto sobre respeito e valorização da mulher. E eu, como mulher, me vejo passando por uma situação dessas”, afirmou.
A jornalista também destacou que possui uma longa trajetória na profissão e que sempre buscou atuar com responsabilidade. “Tenho mais de 25 anos de carreira no jornalismo, com formação e pós-graduação na área, sempre pautada pela ética e pelo compromisso com a informação”, disse.
Segundo ela, as publicações ultrapassam o campo da crítica e atingem diretamente sua dignidade pessoal e profissional. “São ataques misóginos, preconceituosos, machistas e patriarcais. Não é apenas uma crítica ao meu trabalho, mas uma tentativa de desqualificar uma mulher que exerce sua profissão”, declarou.
Boletim de ocorrência e providências legais
Após as publicações, a jornalista registrou boletim de ocorrência e informou que pretende tomar medidas legais. Entre as providências adotadas está a elaboração de ata notarial das postagens, procedimento utilizado para preservar provas de conteúdos divulgados na internet.
A profissional também solicitou posicionamento do sindicato da categoria e pretende buscar responsabilização judicial pelos ataques. “Não podemos normalizar esse tipo de violência nas redes sociais. As pessoas precisam entender que internet não é terra sem lei”, afirmou.
Sindicato se manifesta
O SindijorPR publicou nota oficial repudiando as publicações feitas contra a jornalista. Na manifestação, a entidade se solidariza com a profissional e ressalta que mulheres que atuam na imprensa frequentemente são alvo de ataques nas redes sociais.
“O Paraná é um dos estados que mais registra ataques contra jornalistas no Brasil, somando mais de 100 casos desde 2017, e lamentavelmente as mulheres que atuam no jornalismo têm sido alvos frequentes de violência verbal de cunho misógino e sexista”, afirma o sindicato.
A entidade também destacou que a liberdade de expressão não pode ser utilizada para justificar ataques pessoais. “As redes sociais não constituem território sem lei e a liberdade de expressão não deve se sobrepor ao respeito à dignidade de qualquer pessoa”, diz outro trecho da nota.
Patrícia apresenta sua versão
Em resposta à reportagem do P1 News, a blogueira e ex-candidata a vereadora Patrícia Cordeiro afirmou que as publicações feitas em suas redes sociais não tinham como alvo direto a jornalista, pois, segundo ela, naquele momento não sabia quem administrava o perfil do prefeito Dr. Reinaldo Cardoso, de onde partiram as mensagens.
Segundo Patrícia, as manifestações foram direcionadas à pessoa que se apresentava como assessoria da página, mas que não se identificou. “Em nenhum momento citei o nome da jornalista ou direcionei qualquer publicação a ela, até porque eu não sabia quem administrava a página do Dr. Reinaldo naquele momento”, afirmou.
A blogueira disse ainda que acreditava estar respondendo a outra pessoa com quem já havia tido conflitos anteriores nas redes sociais. “Naquele momento eu acreditava se tratar de alguém que anteriormente havia feito montagens racistas com fotos minhas nas redes sociais”, declarou.
Patrícia afirmou também que o nome da jornalista passou a ser associado às publicações somente depois que a própria profissional se manifestou publicamente dizendo que administrava a página.
